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Gritos Noturnos

Nora Roberts

NIGHT TALES 03






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Prlogo



No era um lugar muito agradvel para se encontrar com um informante. Uma noite fria, uma rua escura, com cheiro de whisky e suor, que se filtrava atravs das rachaduras 
da porta do bar que tinha a suas costas. Colt pegou um charuto fino enquanto estudava o saco de ossos que havia vendido algumas informaes importantes a ele. Ainda 
que tivesse pouco que olhar: baixo, magro e feio como o pecado.  brilhante luz do cartaz de non que tinha por trs deles, seu informante parecia quase cmico. 
Mas o assunto que os ocupava no tinha nada de engraado. 
- Foi difcil encontrar voc, Billings. 
- Sei, sei - Billings mordiscou um dedo sujo e olhou ambos os lados da rua-.  uma maneira de me manter saudvel. Ouvi dizer que andava me procurando observou 
Colt um instante e depois desviou o olhar. -Um homem em minha posio tem de ter cuidado, sabe? O que quer comprar no  barato. E  perigoso. Me sentiria melhor 
com minha policial. Normalmente trabalho com ela, mas no pude encontr-la durante todo o dia.
- Eu me sentiria melhor sem sua policial. E sou eu quem paga para ilustrar a afirmao, pegou duas notas de cinqenta dlares do bolso da camisa. Viu nos olhos 
de Billings o brilho da cobia - Falo melhor com uma bebida com a cabea assinalou a porta do bar. O riso de uma mulher, alta e aguda, atravessou o cristal como 
um disparo. 
- Eu te escuto perfeitamente observou que o homem era um feixe de nervos. Quase podia ouvir o som de seus ossos se chocando um contra o outro enquanto ele retorcia 
a perna. Se no insistisse nesse momento, ia sair correndo como um coelho assustado. Tinha chegado longe demais e tinha muito em jogo para perd-lo agora -Me diga 
o que preciso saber, e depois convidarei voc para uma bebida. 
- No  da regio. 
- No Colt ergueu uma sobrancelha e esperou.- E isso representa algum problema? 
- Nenhum.  at melhor. Como soube que eu... 
- J o fiz em mais de uma ocasio  deu uma ltima tragada antes de atirar o charuto em um esgoto - Informao, Billings  para demonstrar sua boa f, estendeu uma 
das notas. -Vamos direto ao ponto. 
No momento em que o outro estendia os dedos ansiosos, o ar frio foi quebrado pelo som de rodas freando sobre o asfalto. 
Colt no teve que ler o terror nos olhos de Bilings. A adrenalina e o instinto entraram em ao como coice de uma mula. Atirou-se ao solo no instante em que soaram 
os primeiros disparos.


Capitulo 1


Althea no considera importante estar aborrecida. Depois de um dia duro, um pouco de tdio era bem-vindo, j que dava a sua mente e a seu corpo a oportunidade de 
recarregar. No importava acabar um turno de dez horas depois de uma esgotante semana de sessenta horas e entrar em um vestido de  noite e usar sapatos com saltos 
de dez centmetros. Nem sequer se queixava por estar num banquete no salo do Brown House enquanto um discurso depois de outro lhe embotava a mente. 
O que importava era que seu companheiro deslizasse a mo por sua coxa embaixo da toalha de mesa de linho branco. 
Os homens eram to previsveis 
Ergueu o copo de vinho e, movendo-se no assento, roou a orelha de seu par com o nariz. 
- Jack? 
- Mmm? os dedos subiram um pouco mais.
-Se no tirar sua mo digamos nos prximos dois segundos vou fincar com muita fora o garfo de sobremesa sobre ela. Vai se machucar, Jack  se recostou e bebeu 
um gole de vinho, sorrindo acima do borda da taa enquanto ele arqueava uma sobrancelha - Vai demorar um ms para poder voltar a jogar golfe.
Jack Holmsby, solteiro cobiado, temido promotor e convidado de honra no Banquete da Escola de advogados de Denver, sabia como manejar as mulheres. E estava h meses 
tentando se certificar do melhor jeito de manejar aquela mulher.
-Thea -suspirou, presenteando-a com seu sorriso mais encantador e brilhante- Quase terminamos por aqui. Por que no vamos para minha casa? Podemos - no ouvido 
sussurrou uma sugesto descritiva, imaginativa e, com toda certeza, anatomicamente impossvel.
O som de um celular tocando poupou Althea de ter que contestar e a Jack o salvou de ver-se submetido a um pequeno procedimento cirrgico. Vrios dos convidados que 
compartilhavam a mesa se moveram para verificar seus bolsos e bolsas. Com uma inclinao de cabea ela se levantou. 
- Perdo. Creio que  o meu  afastou com uma oscilao sutil de quadris e de suas longas pernas. Aquele corpo no interior de um vestido prpura, com as costas nuas, 
fez que mais de uma cabea se voltasse. A presso arterial de alguns se elevou. As fantasias entraram em erupo.
Consciente das reaes que provocava, mas indiferente a elas, saiu do salo e atravessou o vestbulo para os telefones. Abriu a bolsa de noite, que continha um p 
compacto, lpis de lbios, seu distintivo, dinheiro de emergncia e sua nove milmetros, extraiu uma moeda de quatro centavos e realizou o telefonema. 
-Grayson enquanto escutava, jogou para trs seu cabelo cor de fogo e revirou os olhos de uma tonalidade castanha aleonada -Estou indo para l desligou, voltou-se 
e viu que Jack Holmsby avanava em sua direo. Com objetividade teve que reconhecer que era um homem atraente com o aspecto muito distinto. Era realmente uma pena 
que por dentro ele fosse to comum -Sinto muito Jack. Tenho que ir. 
A irritao fez que ele franzisse o cenho. Em sua casa testava preparada uma garrafa de conhaque Napoleo, lenha para acender a lareira e uns lenis de cetim. 
- Vamos, Thea, ningum poder substituir voc? 
- No  o trabalho era sua prioridade, sempre. - Ainda bem que tem ficar aqui Jack. Pode desfrutar do resto da festa. 
Mas ele no pensava em se render com tanta facilidade. Acompanhou-a pelo vestbulo at a noite de outono.
-Por que no volta quando tiver terminado? Podemos continuar onde o paramos. 
- No paramos em lugar nenhum, Jack  entregou o ticket do estacionamento a um manobrista -Deve aprender a abandonar uma guerra quando esta j est perdida, no 
penso em comear nada com voc suspirou quando ele a envolveu com um brao. 
- Vamos, Thea, esta noite voc no veio apenas comer essas boas iguarias e escutar os interminveis discursos de um grupo de advogados baixou a cabea e murmurou 
junto a seus lbios - no usou este vestido para me manter longe de voc. O ps para me deixar louco e conseguiu. 
A leve irritao que sentia aumentou. 
- Estou aqui nessa noite porque respeito voc como advogado a rpida cotovelada que ela deu nas costelas o deixou sem ar e o obrigou a retroceder um passo - E porque 
pensei que poderamos passar juntos uma noite agradvel. O que visto  assunto meu, Holmsby, mas no o escolhi para que pudesse me apalpar por baixo da mesa nem 
para que fizesse uma sugesto ridcula sobre como poderia passar o resto da noite. 
No gritava, mas tambm no se preocupava em manter a voz baixa. Nela trilava a ira, como gelo sob o nevoeiro. Consternado, Jack ajeitou o n de sua gravata e olhou 
para direita e esquerda. 
- Pelo amor de Deus, Althea, calma. 
- Pensava em recomendar o mesmo a voc disse com doura. 
Ainda que o manobrista fosse todo olhos e ouvidos, com educao pigarreou. Althea se voltou para aceitar as chaves. 
- Obrigado  ofereceu um sorriso e uma gorjeta generosa. 
O sorriso fez que o corao do jovem se acelerasse e que no olhasse a nota antes de guard-la no bolso. Estava demasiado ocupado sonhando. 
- Ah conduza com cuidado, senhorita. E volte cedo. 
- Obrigado  jogou o cabelo para trs e com fluidez  sentou diante do volante do Mustang conversvel - Nos veremos nos tribunais, promotor -arrancou e se foi.

O palco dos crimes, fosse na rua ou dentro de um lar, num meio urbano, suburbano ou no campo, tinham uma coisa em comum: a aura de morte. Como policial com quase 
dez anos de experincia, Althea tinha aprendido a reconhece-la, absorve-la e arquiv-la, enquanto se dedicava ao procedimento preciso e mecnico da investigao. 
Ao chegar, j tinham isolado meio quarteiro. O fotgrafo da polcia tinha terminado e estava guardando sua equipe. O corpo tinha sido identificado. Por isso a haviam 
chamado. 
Havia trs patrulhas com as luzes acesas cujos rdios no deixavam de emitir rudos. A morte sempre atraa espectadores, que se apertavam por trs da fita de isolamento 
amarela, ansiosos para dar uma olhada na morte para reafirmar que se achavam com vida e ilesos. 
Como a noite era fresca, antes de sair do carro, pegou o chale que tinha jogado no assento traseiro. A seda de cor verde esmeralda afastou o frio de seus braos 
e costas. Mostrando o distintivo ao policial novato que controlava a multido, agachou-se para atravessar a barricada. Sentiu-se agradecida ao ver  Sweeney, um policial 
veterano que tinha o dobro de tempo de carreira que ela e no tinha pressa para pendurar seu uniforme.

-Tenente  a saudou, depois sacou um leno e realizou uma tentativa valente de limpar o  nariz. 
-Que temos, Sweeney? 
-O morto estava diante da porta do bar falando quando apareceu um carro  guardou o leno no bolso - As testemunhas dizem que o carro apareceu a toda velocidade, 
em direo norte, e lanou uma descarga de balas sem parar.
- Algum pedestre ferido? podia cheirar o sangue, ainda que j no fosse fresco. 
- No. Alguns cortes pelos vidros que voaram, isso  tudo. Fugiram olhou acima do ombro - No tive nenhuma possibilidade, tenente. Sinto muito. 
- Eu tambm, eu tambm baixou a vista at o corpo estendido sobre o cimento manchado. Na vida j tinha sido pouca coisa, e nesse momento era ainda menos. Tinha 
um metro sessenta e cinco, cinqenta quilos de importncia, todo ossos e com uma cara que at a uma me teria custado amar. 
- Wild Hill Billings, vadio e batedor de carteira em tempo parcial, informante a tempo integral. Mas, maldio, era seu informante. 
- E a forense? 
- J estiveram por aqui confirmou Sweeney - Estamos prontos para coloc-lo no gelo. 
- Ento pode faze-lo. Tem uma lista de testemunhas? 
- Sim, a maioria no serve para nada. Era um carro negro ou azul. Um bbado afirma que era uma carroa dirigida por demnios de fogo - Jurou com um humor caracterstico 
dos veteranos, conhecendo o suficiente a Althea para saber que no se ofenderia. 
- Vamos ver o que podemos conseguir estudou a multido habituais de bares, adolescentes em procura de ao, alguns sem lar e  
Suas antenas vibraram ao fixar a vista em um homem. Diferente dos outros, no tinha os olhos carregados de repulso ou excitao. Estava  relaxado, com a jaqueta 
de couro aberta ao vento, revelando uma camisa de flanela e o reflexo de prata de uma corrente. Seu fsico alto e delgado fez que pensasse que seria veloz. 
As calas gastas desciam por suas pernas longas at terminar sobre umas botas velhas. O cabelo que poderia ser loiro escuro ou castanho se agitava com a brisa e 
se encrespava em cima do pescoo. 
Fumava um charuto fino e observava o palco tal como tinham feito os olhos de Althea. A luz no era boa, mas chegou  concluso de que estava bronzeado, o que se 
encaixava muito bem com o rosto bem definido. Os olhos eram profundos, o nariz longo. A boca era forte, dessas que pareciam a ponto de exibir uma careta desdenhosa 
com facilidade. 
O instinto a impulsionou a catalog-lo como um profissional, antes que movesse os olhos e os fixasse nela com um impacto parecido ao de um poderoso murro. 
- Quem  o cowboy, Sweeney? 
- O Oh  a cara cansada de Sweeney se enrugou no que poderia ter sido um sorriso - Uma testemunha  informou; dava a impresso de que o tipo combinaria perfeitamente 
com um Stetson e um cavalo
-E?  no virou a vista quando a equipe forense se ocupou do corpo. No era necessrio. 
-  o nico que nos deu uma histria coerente Sweeney sacou um bloco de notas, umedeceu o polegar e passou algumas folhas-. Diz que se tratava de um sedan Buick 
91, com placa do Colorado com as letras ACF. Diz que no pde ver os nmeros, porque estava com as luzes apagadas e estava ocupado procurando cobertura. Segundo 
ele, a arma soou como uma AK-47.
- Soou? - interessante, pensou. Em nenhum momento apartou os olhos dos da testemunha - Talvez - calou ao ver seu capito cruzar a rua. O capito Boyd Fletcher 
foi diretamente para a testemunha, moveu a cabea, sorriu e o envolveu no equivalente masculino a um abrao. Trocaram-se vrias palmadas-. Ao que parece o capito 
se encarrega dele neste momento Althea guardou sua curiosidade como se fosse um prato extraordinrio para saborear mais adiante - Terminemos aqui, Sweeney.

Colt estava observando ela, desde o momento que viu uma perna longa e esbelta sair pela porta do Mustang. Valia a pena olhar uma mulher como aquela, mesmo naquela 
situao. Gostou dos seus movimentos, com uma graa atltica e concisa que no desperdiava nem tempo nem energia. E, com certeza, tinha gostado da sua aparncia. 
Seu corpo pequeno, cuidado e sexy tinha curvas suficientes para avivar o apetite de um homem, e com toda aquela seda prpura e verde agitando ao vento o cabelo 
de fogo, ladeando um rosto digno de se guardar num camafeu, contribuiria para que um homem olhasse com mais interesse as jias antigas de sua av.
Era uma noite fresca, mas uma s olhada naquela mulher fez com que Colt sentisse calor. 
No era um jeito ruim de manter-se abrigado enquanto aguarda, j que, nas melhores circunstncias, no era um homem que gostasse de esperar.
No ficou surpreso quando ela mostrou o distintivo ao jovem policial que fazia o cerco. Ela tinha uma beleza com a autoridade sobre seus exuberantes ombros de nadadora. 
Acendeu um charuto e imaginou que seria uma ajudante do promotor do distrito, depois compreendeu o erro cometido ao ver que se punha a conversar com Sweeney. 
A dama tinha a palavra polcia escrita em todo seu corpo. 
Menos de trinta anos, talvez um metro sessenta e cinco sem aqueles saltos altos. Era evidente que os policiais cada dia ficavam mais interessantes. 
Da maneira que esperou, analisando a cena, os restos de Wild Hill Billings no lhe inspiravam nenhum tipo de sentimentos. O homem nesse momento no lhe servia. 
Logo descobriria outra coisa, ou a outra pessoa. Colt Nightshade no era um homem que deixasse que um assassinato se interpusesse em seu caminho.
Quando sentiu o olhar dela, deu uma tragada preguiosa e soltou a fumaa. Depois moveu os olhos at que se encontraram com os da mulher. A contrao que experimentou 
nas entranhas foi inesperada espontnea e puramente sexual. O momento fugaz em que sua mente ficou mais limpa do que o cristal foi mais do que inesperado. No tinha 
precedente. Foi um choque de poderes. Ela deu um passo para ele. Colt soltou o ar que no sabia que tinha estado contendo. 
A preocupao que o embargava facilitou que Boyd pudesse se aproximar pelas costas e o surpreendesse. 
- Colt! Filho de uma cadela!
Este se voltou, preparado para qualquer coisa. Mas a fria intensidade de seus olhos se desvaneceu num sorriso que poderia ter derretido a qualquer mulher situada 
a vinte passos. 
-Fletch  na relaxada calidez que reservava aos amigos, Colt lhe devolveu o abrao de urso antes de retroceder para observ-lo. No via Boyd fazia quase dez anos. 
Aliviou-o comprovar que tinha mudado to pouco - Ainda segue com essa cara bonita, heim? 
-E voc ainda d a impresso de que acaba de sair das montanhas. Deus, fico contente de ver voc. Quando chegou a cidade? 
-Faz alguns dias. Queria ocupar-me de um assunto antes de telefonar para voc. 
Boyd olhou em direo do furgo da polcia forense. 
-Seu assunto era esse? 
-Parte. Alegro-me de que tenha vindo to cedo. 
-Sim  observou Althea e reconheceu sua presena com um consentimento imperceptvel - Colt chamou o policial ou um amigo?
-No  to ruim que seja ambos olhou o pouco que sobrara do charuto, atirou-o na sarjeta e o apagou com a bota. 
- Matou aquele sujeito? - fez a pergunta com tanta naturalidade que Colt voltou a sorrir. Sabia que Boyd no teria movido um cabelo se tivesse confessado nesse momento 
e lugar. 
- No. 
- Vai me dizer o que aconteceu? 
-Sim.
-Por que no esperas no carro? Estarei com voc em um minuto. 

- Capito Boyd Fletcher  Colt moveu a cabea e riu entre dentes. Ainda que passasse da meia-noite, achava-se to alerta como relaxado, com uma xcara de caf ruim 
na mo e as botas apoiadas na escrivaninha de Boyd. -Progrediu. Pensava que estava se dedicando aos cavalos e ao gado em Wyoming. 
-E o fao. De vez em quando. 
-O que aconteceu com seu ttulo de advogado? 
-Tenho ele guardado em algum lugar. 
-E as foras areas? 
-Continuo voando. O que passa  que j no uso uniforme. Quanto tempo demorar para trazer essa pizza?
-O suficiente para que chegue fria e no se possa comer Boyd se reclinou em sua cadeira. Sentia-se cmodo no escritrio. Estava cmodo na rua. E tal como vinha 
acontecendo a mais de vinte anos, desde a escola primria, sentia-se cmodo com Colt - No chegou a ver a quem disparou? 
-Diabos, Fletch, tive sorte de conseguir distinguir o carro antes de morder o asfalto para me proteger. Ainda que tambm no acredito que isso ajude muito, j que 
o mais provvel  do que fosse roubado. 
-A tenente Grayson est pesquisando. Por que no me conta que fazia com Wild Hill? 
- Ele se ps em contato comigo. Levo - calou quando Althea entrou. No tinha se preocupado em bater na porta e trazia uma caixa plana de papelo. 
-Pediu pizza?  deixou a caixa na mesa de Boyd e estendeu uma mo - Dez dlares, Fletcher. 
-Althea Grayson, Colt Nightshade. Colt  um velho amigo  pegou dez dlares da carteira.
- Senhor Nightshade  depois de dobrar o dinheiro com meticulosidade e guard-lo na bolsa de lantejoulas, depositou a mesma, sobre as pastas. 
-Senhorita Grayson. 
-Tenente Grayson  corrigiu. Levantou a tampa da caixa, analisou os ingredientes e escolheu uma fatia - Pelo que entendi estava na cena do crime. 
-Pelo jeito  o que parece - baixou as pernas da escrivaninha para adiantar seu torso e pegar tambm um pedao da pizza. Captou a fragrncia dela acima da pizza. 
Era muito mais tentadora. 
- Obrigado  murmurou Althea quando Boyd lhe passou um guardanapo-. Fico me perguntando o que fazia participando de um tiroteio com meu informante. 
-Seu informante?  Colt estreitou os olhos. 
-Exato igual os seus cabelos, seus olhos no parecem decidir-se pela cor que deveriam ter, pensou. Estavam entre o azul e o verde. E nesse momento eram to frios 
como o vento que soprava contra a janela. 
-Hill me contou que passou o dia inteiro tentando falar com seu contato policial.
-Fazia um trabalho de campo. -Colt arqueou as sobrancelhas e percorrer a seda esmeralda. 
- Campo? 
-A tenente Grayson dedicou todo o dia a rastrear uma operao de drogas interveio Boyd- E bem, garotos, por que no comeamos de novo desde o princpio? 
-Bem Althea deixou o pedao pela metade dentro da caixa, limpou os dedos e tirou o chale. 
Colt apertou os dentes para evitar que a lngua casse. Como ela lhe dava as costas, teve o doloroso prazer de avaliar quanto sedutora  podia ser umas costas nuas, 
o quanto era esbelta, reta e emoldurada entre seda de cor prpura. 
Depois de deixar o chale sobre um arquivador, Althea recuperou seu pedao de pizza e se sentou no canto da escrivaninha de Boyd.
Colt se deu conta que ela era consciente do que fazia a um homem. Podia ver esse conhecimento feminino em seus olhos. Sempre tinha acreditado que cada mulher conhecia 
qual era seu arsenal, mas era um osso duro quando uma mulher se encontrava to bem armada como aquela. 
-Wild Hill, senhor Nightshade -comeou Althea- Que fazia com ele? 
-Conversava  sabia que a resposta era arredia, mas nesse momento tentava julgar se tinha algo entre a sexy tenente e seu velho amigo. Seu velho e casado amigo. 
Aliviou-o e o surpreendeu um pouco no perceber a mnima atrao entre eles. 
-Sobre o que?  a voz de Althea seguia sendo paciente, inclusive agradvel. Como se interrogasse um menino pequeno com uma deficincia mental. 
-A vtima era o informante de Althea  recordou Boyd a Colt- Se quer o caso 
-E o quero. 
-Ento  seu.
Para ganhar tempo, Colt pegou outra fatia de pizza. Ia ter que fazer algo que odiava e que lhe deixava com um n na garganta. Pedir ajuda. E para obt-la teria que 
compartilhar o que sabia. 
-Demorei dois dias em localizar Billings e convenc-lo a falar comigo tambm tinha custado duzentos dlares em subornos para limpar o caminho, mas no era um sujeito 
que contava o preo at o resultado final. - Estava nervoso, realmente no queria falar at ter ao lado a presena de seu contato policial. Assim que o tentei  
olhou a Althea. Deu-se conta de que estava exausta. Demorara a detectar a fadiga, mas estava ali na ligeira queda das plpebras, nas leves sombras que tinha sob 
os olhos - Lamento que o tenha perdido, mas no acredito que sua presena tivesse mudado algo. 
-Nunca saberemos, no  verdade?  no permitiria que o pesar nublasse sua voz ou seu juzo- Por que tomou tantas providncias para contatar Hill? 
-Havia uma garota que trabalhava para ele. Jade. Provavelmente este seja seu nome profissional. 
-Sim Althea assentiu- Loira, pequena, cara de menina. A prenderam algumas vezes pelo que fazia na rua. Terei que comprovar, mas creio que faz umas quatro ou cinco 
semanas que no aparece pela noite.
-Encaixa  Colt se levantou para encher a xcara de caf -Billings  conseguiu um trabalho  para ela faz aproximadamente nesse tempo. No cinema deu um gole e se 
voltou- No falo de Hollywood, e sim de material pesado para espectadores particulares e o com dinheiro bastante para comprar esses pratos fortes. Fitas de vdeo 
para aficionado em coisas mais fortes  encolheu os ombros e se sentou outra vez- No posso dizer que me incomoda, Acredito que so pessoas adultas e responsveis 
por elas mesmas. Ainda que eu prefira o sexo pessoalmente. 
-Mas no falamos de voc, senhor Nightshade. 
-Oh, no tem que me chamar de senhor, tenente. Parece frio quando tratamos temas to incandescentes  se recostou com um sorriso no rosto. Por razes que no ia 
se preocupar em explorar agora, tinha vontade de sacudir aquela fachada - Bem, o resultado  que algo assustou Jade e ela desapareceu. No fao parte dos que pensam 
que uma prostituta tem um corao de ouro, mas ao menos esta tinha conscincia. Enviou uma carta ao senhor Frank Cook e senhora - olho a Boyd - Frank e Marleen Cook. 
-Marleen? Boyd ergueu as sobrancelhas- Marleen e Frank? 
-Os mesmos o sorriso de Colt era irnico- Mais velhos amigos, tenente. H um milho de anos tive o que se poderia chamar.. uma amizade ntima com a senhora Cook. 
Mas como ela  uma mulher com juzo sensato, casou-se com Frank, estabeleceu-se em Alburquerque e teve uns bonitos meninos. 
Althea se moveu e cruzou as pernas com um rangido de seda. Notou que o cordo de prata que sobressaa acima da camisa de Colt era uma medalha de So Cristvo, o 
santo padroeiro dos viajantes. Perguntou-se se o senhor Nightshade sentia a necessidade de proteo espiritual. 
-Suponho que isto nos conduz a outra parte que no seja o caminho das recordaes, verdade?
- Oh, conduz justo at a porta de sua delegacia, tenente. De vez em quando eu gosto de dar rodeios  pegou um charuto e o passou por seus dedos longos antes de pegar 
o isqueiro - Faz um ms, a filha mais velha de Marleen Elizabeth. Chegou a conhecer a Liz, Boyd? 
Boyd negou com a cabea. No estava gostando para onde se conduzia  conversa. 
-No a vejo desde que usava fraldas. Quantos anos tm agora, doze? 
-Treze. Recm feitos acendeu o isqueiro e aspirou o charuto. Ainda que sabia que a fumaa no eliminaria o sabor amargo de sua garganta- Preciosa, como sua me. 
Tambm com o temperamento aceso como o de Marleen. Teve alguns problemas em casa, desses que imagino que a maioria das famlias experimenta de vez em quando. Mas 
Liz decidiu ir embora. 
-Ela fugiu de sua casa? Althea compreendia muito bem a mentalidade dos jovens que decidiam fugir.
-Meteu algumas coisas em sua mochila e foi embora. No  errado dizer que h algumas semanas Marleen e Frank esto vivendo num inferno. Chamaram  polcia, mas a 
via oficial no os levou a nenhuma parte exalou a fumaa-. Sem querer ofender. Dez dias atrs me chamaram.
-Por que? inquiriu Althea. 
-J disse. Somos amigos.
-Costuma procurar a ladres e esquivar-se de balas pelos amigos? 
-Fao favores as pessoas -pensou que o sarcasmo no lhe caia mal. Uma arma a mais em seu arsenal. 
-  um investigador com licena? 
Com os lbios apertados, Colt estudou a ponta do charuto. 
-No sou muito aficionado s licenas. Consegui algumas informaes e tive um pouco de sorte em rastre-la pelo norte. Depois os Cook receberam a carta de Jade apertou 
o charuto com os dente e sacou uma folha dobrada com motivo florais do bolso interior da cala- Ganhars tempo se a ler voc mesmo disse, passando-a para Boyd.
Althea se levantou e apoiou uma mo no ombro de Boyd enquanto lia. 
Era um gesto curiosamente ntimo, mas assexual. Colt chegou  concluso de que se tratava de um gesto que falava de amizade e confiana. 
A caligrafia era to atraente como o papel mas o contedo no tinha nada que ver com flores e fantasias infantis. 

Estimados senhor e senhora Cook: 
Conheci a Liz em Denver.  uma garota muito agradvel. Sei que lamenta muito ter ido embora e agora ela regressaria para a casa se pudesse. Eu a ajudaria, mas tenho 
de sair da cidade. Liz est metida em problemas. Eu deveria ir  polcia, mas me sinto muito assustada ademais, no creio que escutassem a algum como eu. Sua filha 
no encaixa nesta vida, mas no a deixam ir.  jovem, e to bonita, e creio que esto ganhando muito dinheiro com os filmes. Eu estou nesta vida h cinco anos, mas 
algumas das coisas que querem que faamos para a cmera me deixam de cabelos em p.
Me parece que mataram uma das garotas, por isso eu vou embora antes de que me matem. Liz me deu seu endereo e me pediu que eu escrevesse para dizer que sentia. 
Est assustada para valer e espero que a encontrem bem. 
Jade. 
P.D. Tm um lugar nas montanhas onde fazem os filmes.  um apartamento na Segunda Avenida. 

Boyd no devolveu a carta, e sim a deixou em sua escrivaninha. Tinha uma filha. Pensou em Allison, doce, alegre e com seis anos, e engoliu a ira. 
-Poderia ter ido a minha casa com isso. Tinha que ter ido.
-Estou acostumado a trabalhar sozinho deu uma tragada no charuto antes de apag-lo- Em qualquer caso, iria  falar com voc depois de resolver algumas coisas. Consegui 
o nome do cafeto de Jade e queria tirar alguma informao dele. 
- E agora est morto manifestou Althea com voz impassvel enquanto girava o corpo para olhar pela janela de Boyd.
-Sim  Colt estudou seu perfil. Dela no emanava unicamente ira. Percebia muito mais- Deve ter corrido a conversa  que eu o andava procurando e o fato que ele estava 
disposto a falar comigo, me faz pensar que estamos tratando de um lixo bem relacionado e que nem pisca antes de matar.
- um assunto policial, Colt murmurou Boyd. 
-No discuto isso pronto para pactuar, estendeu as mos- Tambm  um assunto pessoal. Vou continuar pesquisando, Fletch. No h nenhuma lei contra isso. Sou o representante 
dos Cook seu advogado, se precisamos uma desculpa legal. 
-  o que ? com as emoes outra vez controladas, Althea o olhou-.  advogado? 
-Quando me convm. No desejo interferir na investigao  disse a Boyd- Quero  menina de volta, a salvo, junto a Marleen e Frank. Darei toda minha cooperao. 
Qualquer coisa que saiba, vocs tambm sabero. Mas deve de ser recproco. Me passe um policial que possa trabalhar comigo, Boyd esboou um leve sorriso, como se 
o divertisse a idia- E voc deveria saber o quanto odeio solicitar um colega oficial para um trabalho. Mas aqui quem importa  Liz. Sabe que sou bom aproximou 
o corpo- Sabe que no fugirei. Me d seu melhor homem e  agarraremos  esses canalhas. 
Boyd  levou os dedos a seus olhos cansados. Sabia que podia ordenar que Colt abandonasse o caso. E que perderia seu tempo. Tambm podia negar a cooperar, a compartilhar 
qualquer informao que o departamento descobrisse. Sim, sabia que Colt era bom, e tinha uma idia do tipo de trabalho que tinha realizado como militar. 
No seria a primeira vez que Boyd Fletcher pulava as regras. Tomada  deciso, indicou a Althea. 
-Ela  a melhor.









Captulo 2


Se um homem devia ter uma colega, bem, podia ser bonita. Alem do mais, Colt no pensava trabalhar com Althea, mas sim atravs dela. Seria sua ligao com a parte 
oficial da investigao. Manteria a palavra e lhe proporcionaria qualquer informao que descobrisse. Ainda que no esperasse que ela pudesse fazer muita coisa uma 
vez que a recebesse. 
S tinha um punhado de polcias que Colt respeitava, com Boyd encabeando a lista. No referente a tenente Grayson, imaginou que seria decorativa, de certa ajuda 
ou um pouco mais. 
O distintivo, o corpo e o sarcasmo provavelmente deveria servir para alguma coisa quando tivessem que entrevistar um possvel contato qualquer. 
Ao menos tinha podido dormir seis horas. No tinha protestado quando Boyd insistiu que deixasse o hotel e se alojasse na casa dos Fletcher o tempo que durasse sua 
estadia. Ele gostava das famlias, ao menos as de outras pessoas, e tinha curiosidade por conhecer a mulher de Boyd.
No pde assistir seu casamento. Mesmo no muito aficionado  pompa das cerimnias, teria ido. Mas era um longo trajeto desde Beirut at Denver, e naquela poca 
estava ocupado com terroristas. 
Cilla o encantou. Nem tinha se aborrecido quando o marido apareceu com um desconhecido as duas da manh. Enfurnada em um roupo de flanela, tinha oferecido o quarto 
de hspedes, com a sugesto de que se quisesse dormir, era melhor tampar a cabea com o travesseiro. Ao que parecia os meninos acordavam as sete para ir ao colgio. 
Tinha dormido como uma pedra, e quando os gritos e os sons de ps o acordaram, tinha seguido o conselho de sua anfitri e desfrutado de outro sonho com a cabea 
enterrada. 
Fortalecido com um excelente caf da manh que constou de trs xcaras de caf de primeira, fato pelo qual se apaixonou pela bab dos Fletcher, estava pronto para 
ir para o trabalho. Seu acordo Boyd faria que sua primeira parada fosse da delegacia de polcia. Veria Althea, se interaria das pessoas que tinham contato com Billings 
e seguiria seu caminho.
Deu a impresso que seu amigo dirigia uma embarcao bem organizada. Se ouvia um rudo habitual de telefones, teclados e vozes alteradas. E reinava a mistura habitual 
com o odor de caf, desinfetante e corpos suados. Mas tambm imperava a sensao de eficcia.
O sargento da recepo tinha anotado o nome de Colt, assim que chegou entregou um crach de visitante para ele e lhe indicou como chegar ao escritrio de Althea. 
Duas portas adiante, por um corredor estreito. Encontrou-o. Estava fechado, assim chamou duas vezes antes de abrir. Soube que ela estava presente antes de v-la. 
Sentiu o aroma que vinha dela, tal como um lobo cheira a sua parceira. Ou a sua presa. 
J no usava um vestido de seda, ainda que parecesse mais uma modelo do que uma policial. As calas e a jaqueta sob medida de cor cinza sob nenhum conceito sugeriam 
masculinidade. Ressaltava o traje com uma blusa rosa e um broche na lapela com forma de estrela. Os cabelos estavam recolhidos numa trana complicada que emoldurava 
seu rosto com suavidade. Em suas orelhas brilhavam dois brincos de ouro. 
O resultado era to interessante que poderia estar sendo usado por qualquer tia solteirona, apesar de que, nela, deixava irradiar sexo latente. 
-Grayson. 
-Nightshade lhe indicou uma cadeira -Sente-se.
Colt deu a volta e se sentou relaxado, apoiando os braos no respaldo. Notou que sua sala era a metade da de Boyd, e organizada de forma impecvel. Os arquivadores 
estavam fechados, os papis ordenados, os lpis bem afiados. Tinha uma planta em um canto, por trs da escrivaninha, e no lhe coube dvida de que a regava meticulosamente. 
No tinha fotos de famlia ou de amigos. O nico ponto de cor na sala pequena e sem janela era um quadro abstrato de tonalidades azuis, verdes e vermelhas. 
-Bem se adiantou um pouco- Passou a placa do carro pelo computador? 
-No precisou. Apareceu no relatrio desta manh  ofereceu sua cpia-. As onze da noite foi declarado seu roubo. Os donos tinham ido jantar, e ao sair do restaurante 
descobriram que j no estava l. Os doutores Walmir, um casal de dentistas que celebrava seu quinto aniversrio. Parecem limpos. Provavelmente estejam ps a folha 
sobre a mesa. Na realidade, em nenhum momento imaginou que iria encontrar uma conexo com o carro.
-Ele j apareceu? 
-No. Tenho o histrico de Jade, se lhe interessa depois de deixar o outro documento em seu lugar, recolheu uma pasta- Janice Willowby. Vinte e dois anos. Um par 
de detenes por prostituio algumas apreenses quando menor pela mesma causa. Uma deteno por posse, sendo menor, quando encontraram alguns de cigarros de maconhas 
em sua bolsa. Passou por todas as dependncias dos servios sociais, at que fez vinte anos e voltou as ruas. 
-Tem famlia? No era uma histria nova- Talvez volte pra casa.
-Uma me em Kansas City, ao menos era ali onde estava h dezoito meses. Tentei localiz-la. 
-Tem estado ocupada. 
-Nem todos comeamos o dia  -olhou o relgio-  s dez horas. 
-Funciono melhor de noite, tenente sacou um charuto. 
-Aqui no, amigo moveu a cabea. 
De bom humor, Colt o guardou. 
-Em quem mais confiava Billings, alm de voc? 
-Desconheo que confiasse em algum mas doa, porque sabia que tinha confiado em algum, nela, e de algum modo Althea tinha chegado tarde. E nesse momento estava 
morto- Tnhamos um acordo. Eu lhe dava dinheiro e ele me dava informao. 
-De que tipo?
-Com Wild Bill variava. Tinha os dedos metidos em muitos assuntos. Em sua maioria coisas pequenas organizou alguns papis - Mas tinha ouvidos grandes, sabia como 
se confundir com o meio at fazer que esquecessem que estava por perto. As pessoas falavam em sua presena porque dava a impresso de que seu crebro cabia numa 
xcara de ch. Mas era inteligente sua voz mudou, indicando-lhe a Colt algo que ainda no queria reconhecer ante si mesma. Doa-lhe sua morte - Era bastante inteligente 
como para evitar cruzar a linha que o enviaria uma longa temporada  sombra. O bastante para no pisar em ps equivocados. At ontem  noite. 
-Eu no ocultei o fato de que o procurava por uma informao que poderia me dar. Mas sob nenhum conceito o queria morto. 
-No culpo voc. 
-No?
-No  afastou da mesa para girar a cadeira e olh-lo frente a frente-. Gente como Hill, sem importar o quanto inteligente seja, tem uma expectativa de vida curta. 
Se ele tivesse se colocado em contato comigo, teria sido possvel que eu tivesse me reunido com ele no mesmo lugar que voc, com os mesmos resultados j tinha analisado 
com frieza a situao- Pode ser que eu no goste de seu estilo, Nightshade, mas no lhe culpo por isto. 
Notou que ela permanecia sentada muito quieta, sem realizar nenhum gesto. Igual ao quadro que tinha a suas costas, comunicava uma paixo vibrante sem movimento. 
-Qual  meu estilo, tenente? 
-Voc  um renegado. Desses que se negam a jogar de acordo com as regras, se aprecia romp-las  no piscou ao olh-lo, e seus olhos eram to frios como gua de 
um lago- Inicia coisas, mas nem sempre as termina. Talvez isso indique que se aborrece com facilidade ou que se fique sem energia. Seja como for, isso no fala a 
favor de sua confiabilidade.
A exposio que ela fez de sua personalidade o irritou, mas quando voltou a falar seu lento acento do sudoeste soou divertido. 
-Deduziu tudo isso desde ontem  noite? 
-Eu pesquisei. O colgio primrio no que estudou com Boyd me surpreendeu  esboou um sorriso, mas seus olhos seguiram frios- No parece o tipo de homem adequado 
para esse tipo de instituio. 
-Meus pais pensaram que me domesticariam sorriu- Mas no foi assim
-Tambm no conseguiram em Harvard, onde se graduou em direito carreira que mal utilizou. Parte de seu histrico militar era classificado, mas em geral conseguiu 
um bom quadro  tinha um prato com amndoas aucaradas na escrivaninha; Althea se adiantou e, depois de uma meticulosa deliberao, elegeu a que queria- No trabalho 
com algum a quem no conheo. 
-Eu tambm no. Por que no me pe a par de Althea Grayson? 
-Sou policial  respondeu com singeleza - E voc no. Imagino que ter uma foto recente de Elizabeth Cook no? 
-Sim mas no a mostrou. No tinha por que suportar essas tolices de um bombonzinho com um distintivo- Al, tenente, quem lhe meteu o dedo? 
Mas o telefone o cortou,  e tendo em conta o reflexo dos olhos dela, talvez tivesse sido  melhor. Ao menos j sabia como descongelar aqueles olhos.
-Grayson aguardou um segundo, depois anotou algo num bloco- Avise a forense. Vou para l  levantou-se e guardou o bloco numa bolsa de pele de serpente - Encontramos 
o carro  franzia o cenho ao passar a bolsa para o ombro- Como Boyd quer que participe, pode me acompanhar s como observador. Entendido? 
-Oh, sim. Claro. 
Seguiu-a pelo corredor e se ps a seu lado. A mulher tinha o melhor traseiro daquele lado do Mississipi e no queria que o distrasse. 
-Ontem  noite no tive muito tempo para me por em dia com Boyd comeou  - Me perguntava como  que mantm uma relao to cordial com seu capito  ela baixava 
as escadas em direo  garagem quando se deteve e o olhou com os olhos afiados como uma navalha -O que? quis saber Colt enquanto era avaliado em silncio. 
-Tentava decidir se nos est ofendendo... Boyd e a mim pois se for este o caso me veria obrigada a lhe causar certa dor..., ou se s exps mal a pergunta. 
-Tente o segundo ergueu uma sobrancelha. 
- Certo.  seguiu descendo-. Fomos parceiros durante mais de sete anos chegou ao fim dos degraus e girou  direita. Os saltos baixos de suas botas de pele soaram 
no cimento - Quando voc confia a vida a algum todos os dias, mais vale quer-lo bem. 
-Depois ele ascendeu a capito. 
-Exato  depois de sacar as chaves, abriu o carro-. Sinto, mas o assento do passageiro est travado para frente. Ainda no tive tempo para mand-lo arrumar.
Colt observou o carro esportivo com certo pesar. Um carro fantstico, sem nenhuma dvida, mas com o assento nessa posio, ira ter que se dobrar  como uma sanfona 
e se sentar com o queixo nos joelhos. 
-E isso no foi nenhum problema? Refiro-me a que Boyd ser o capito
Althea se sentou com elegncia e fez uma leve careta quando Colt grunhiu e se acomodou a seu lado. 
-No. Sou ambiciosa? Sim. Me aborrece que o melhor policial com  que trabalhei seja meu superior? No. Espero ascender a capito em cinco anos. Pode apostar seu 
traseiro ps os culos de sol- Aperte  o cinto, Nightshade arrancou e subiu pela rampa em direo a a rua. 
O teve que admirar sua percia ao volante. No dispunha de outra escolha, j que era ela quem conduzia. 
-Ento Boyd e voc so amigos. 
-Sim,somos. Por qu? 
-Queria estabelecer que no so todos os homens atraentes de determinada idade que a deixam rgida  sorriu quando girou por uma esquina-. Gosto de saber que sou 
eu. Faz  com que eu me sinta especial.
Ento ela sorriu e lhe lanou o que poderia ter sido um olhar amistoso. Na verdade no era mais do que amistosa, e no deveria ter acelerado as batidas do seu corao. 
-Eu no diria que me deixa rgida, Nightshade. S que no confio nos autnomos. Mas como nesta situao ambos perseguimos o mesmo objetivo, e como Boyd  amigo dos 
dois, podemos tentar levar isso da melhor maneira possvel. 
-Soa razovel. Temos o trabalho e Boyd em comum. Talvez possamos encontrar algumas coisas a mais o volume da rdio era baixo. Subiu e mostrou sua aprovao ante 
o blues lento que saa pelos alto-falantes -  Viu? Tem mais uma coisa aqui. Que lhe parece a comida mexicana? 
-Eu gosto de chile picante e de margaritas geladas. 
-Progredimos tentou mover-se no assento, seu joelho golpeou o painel, ele  amaldioou alto - Se vamos sair mais vezes juntos num carro, o faremos no meu. 
-J  discutiremos esse caso voltou a baixar o volume da msica ao ouvir que a rdio da polcia ganhava vida. 
-Todas as unidades prximas a Sheridan e Jewel, esta acontecendo um...
Althea praguejou enquanto escutava a solicitao de ajuda pela rdio. 
-Estamos s a um quarteiro girou  esquerda e observou a Colt com dvidas- Tiros explicou - Assunto da polcia, entendido? 
-Claro. 
-Aqui  a unidade seis respondeu no rdio-. Estou no lugar depois de frear por trs de um carro patrulha, abriu a porta-. Fique no carro -com essa ordem seca, 
desembainhou a arma e se dirigiu para a entrada de um edifcio de quatro andares.
Ao chegar  porta respirou fundo. Quanto a atravessou, ouviu o som de outro disparo. 
- Um andar acima -deduziu. Talvez dois. Com o corpo colado  parede, estudou a entrada reduzida, depois se ps a subir. Pareceu-lhe ouvir alguns gritos ou prantos. 
Um menino. Com a mente fria e as mos firmes, girou a pistola ao chegar ao primeiro patamar. Uma porta se abria a sua esquerda. Se agachou e apontou para ao movimento 
ainda que s para olhar aos olhos de uma mulher mais velha com olhos aterrorizados. 
-Polcia informou- No saia. 
A porta se fechou e ouviu o ferrolho. Althea se moveu para a segunda escada. Os viu nesse momento, o policial abatido e ao policial que o examinava. 
-Agente  sua voz irradiou autoridade ao apoiar uma mo sobre o ombro do oficial ileso- O que aconteceu? 
-Atirou em Jim. Saiu correndo com a menina e abriu fogo. 
O polcia uniformizado estava plido, igual que seu colega, que sangrava na escada. No pde distinguir quem tremia com mais violncia. 
-Como voc se chama?
-Harrison. Dom Harrison apertava um leno empapado contra a ferida do ombro esquerdo de seu colega. 
-Agente Harrison, sou a tenente Grayson. Ponha-me a par da situao, e depressa. 
-Senhor respirou fundo duas vezes- Uma briga domstica. Teve disparos. Um homem branco atacou  mulher do apartamento 2-D. Disparou contra ns e subiu pelas escadas 
com uma menina pequena como escudo. 
Ao terminar, uma mulher chegou trmula e arquejante do apartamento de cima. Atravs dos dedos que segurava as costelas, gotejava sangue.
-Levou a minha pequena. Charlie  levou a minha pequena. Por favor, Deus -caiu de joelhos chorando-. Est louco. Por favor, Deus
-Agente Harrison um som na escada fez que Althea se movesse com rapidez, para depois amaldioar. Deveria ter imaginado que Colt no permaneceria no carro- Solicite 
ajuda continuou- Um oficial e uma civil feridos. Situao de refm- E olhou para a arma que ele brandia. Parecia uma 45 -Faa o telefonema, depois venha aqui  e 
me d apoio olhou para Colt- Seja de utilidade. Faa o que possa por estes dois. 
Subiu as escadas correndo. Ouviu o pranto da criana outra vez, gritos aterrorizados que reverberam nos corredores estreitos. Ao chegar ao ltimo andar, ouviu o 
som de uma porta fechando-se com fora. O telhado, decidiu. Com as costas coladas na parede da porta, provou a maaneta, abriu e atravessou agachada. 
O outro disparou sem direo. A bala assobiou a mais de meio metro a sua direita. Althea se plantou diante dele. 
-Polcia! gritou- Solte a arma! -Era um homem grande, junto  beira do telhado. Tinha a pele enrubescida pela ira e os olhos brilhavam devido a algum estimulante 
qumico. Ela podia lidar com aquilo. Tambm a 45 que ele empunhava. Mas era a pequena de talvez dois anos que ele sustentava pelo p sobre o vazio o que no podia 
manejar. 
-A soltarei! gritou como um cntico- Eu farei! Eu farei! Juro por Deus que a farei cair como se fosse uma pedra! sacudiu  pequena, que no parava de chorar. Uma 
de suas pequenas sapatilhas se desprezou e caiu os quatro andares. 
-No querer cometer um erro, no , Charlie? Althea se afastou lentamente da porta, sem deixar de apontar com a nove milmetros ao peito do outro- Tire-a da. 
- Vou soltar  pequena cadela sorriu ao diz-lo-  como sua me. No para de gemer e de chorar o tempo inteiro. Pensaram que poderiam afastar-se de mim. Mas as 
encontrei, no ? Linda agora lamenta, no? Lamenta ter me deixado.
-Sim tinha que recuperar a menina. Devia ter um modo de conseguir. Para surpresa, uma recordao antiga e terrveis lhe invadiram a mente. Os gritos, as ameaas, 
o medo. Achatou-os como se fossem uma barata- Se voc machucar a criana, Charlie. Tudo estar acabado. 
- No me diga que vai acabar! furioso, sacudiu  menina como se fosse uma bolsa de feira. O corao de Althea quase parou, e o mesmo sucedeu com os gritos. A pequena 
nesse momento s soluava, com os braos pendurando-lhe e os olhos vidrados - Ela tentou me dizer que tinha acabado. Acabou-se, Charlie emitiu com voz aguda- 
Assim que lhe aticei um pouco. Deus sabe que ela merecia. No parava de dar-me trabalho, com tudo. E quanto veio a menina, tudo mudou. As cadelas no me servem para 
nada na vida. Mas sou eu quem diz quando vai acabar.
O barulho das sirenas cresceu. Althea percebeu um movimento a suas costas, mas no se atreveu a voltar-se. Precisava que o homem estivesse concentrado nela, s nela. 
-Traga  pequena para c e talvez se salve. Quer salvar-se, no  verdade, Charlie? Vamos. D-me ela. No precisa dela. 
-Acha que eu sou estpido? rugiu-. Voc nada mais  do que outra cadela. 
-No acredito que seja estpido captou um movimento pelo canto do olho e teria soltado uma maldio por ele ser atrevido. No era Harrison, mas sim Colt, que avanava 
como uma sombra para o lado cego do homem- No creio que seja  bastante estpido  para ferir  pequena j estava mais perto, a menos de dois metros. Mas bem poderiam 
ser cinqenta. 
-Vou mat-la! gritou-. Vou mat-la e a voc tambm, e a qualquer um que se interponha em meu caminho! Ningum me diz que acabou at que eu digo que  acabou! 
Aconteceu ento, depressa, como uma mancha imprecisa num canto de um sonho. Colt se lanou para frente e com um brao enganchou a cintura da menina. Althea vislumbrou 
um reflexo de metal em sua mo e o reconheceu como uma 32. Poderia t-la empregado, se no tivesse sido sua prioridade salvar  pequena. Girou, de maneira que seu 
corpo foi um escudo para ela, e quando conseguiu erguer a arma tudo j tinha acabado. 
Vendo que o outro desviava a 45 para Colt e a menina. Althea disparou.  bala o jogou para trs. Com os joelhos golpeou a beirada do telhado. Foi ele quem caiu como 
uma pedra. 
Althea nem sequer se permitiu o luxo de suspirar. Embainhou a arma e  dirigiu ao lugar onde Colt acalentava a menina, que chorava. 
- Ela est bem? 
-Parece que sim com um movimento to natural que ela teria jurado que o fizera  durante toda a sua vida , acomodou  pequena contra seu quadril e lhe deu um beijo 
na tmpora molhada - J est bem, pequena.
-Mame  com o rosto banhado em lgrimas, enterrou-o no ombro de Colt -Mame. 
-Te levaremos para a sua mame, querida, no se preocupe Colt ainda sustentava a arma, mas a outra mo se ocupava de acariciar o cabelo encaracolado e loiro - Bom 
trabalho, tenente. 
-J fiz melhor  olhou acima do ombro. Os policiais j subiam pelas escadas. 
-No deixou de falar para que a menina tivesse uma oportunidade, depois o abateu.  impossvel faz-lo melhor  e durante toda a ao tinha visto nos olhos dela 
a expresso de um guerreiro. 
-Vamos embora daqui- disse passados alguns momentos de um olhar fixo.
-De acordo dirigiram-se para a porta. 
-Uma coisa, Nightshade. 
-O que?  sorriu um pouco, confiante que seria o instante que ela lhe agradeceria. 
-Tem porte de arma? 
Deteve-se e fixou os olhos nela. Depois estourou numa gargalhada profunda. Super feliz, a pequena ergueu a vista, franziu o nariz e conseguiu esboar um sorriso 
trmulo.



Capitulo 3



No pensava em matar. No se permitia. J tinha matado e sabia que era provvel que voltasse a faz-lo. Mas no pensava nisso. Estava segura de que, se reflexionasse 
muito nesse aspecto de seu trabalho, iria parar, se dedicaria a beber ou ficaria indiferente. Ou o que era infinitamente pior, terminaria por gostar. 
De maneira que arquivou o relatrio e o tirou da cabea. Ao menos tentou. 
Levou em pessoa uma cpia ao escritrio de Boyd e o deixou sobre sua mesa. Ele deu uma olhada e depois a olhou. 
-O policial, Barkley, continua na sala de operaes. A mulher se encontra fora de perigo. 
-Bem. Como esta  menina? 
-Tem uma tia em Colorado Springs. Os servios sociais se colocaram em contato com ela. O fichado era seu pai. Tem um amplo histrico de abusos fsicos e drogas. 
Sua mulher levou a pequena faz aproximadamente um ano a um refgio para mulheres. Solicitou o divrcio. Mudou-se para c faz uns trs meses, conseguiu um trabalho 
e comeou uma nova vida .E ele ao encontrou. 
-Pois no voltar a encontr-la  voltou para a porta, mas Boyd se levantou e rodeou a escrivaninha. 
-Thea fechou a porta para aplacar o rudo da delegacia- Voc est bem? 
-Claro. No creio que os assuntos internos me incomodem muito por este caso. 
-No falo deles moveu a cabea- Um ou do dias livres no fariam mal a voc. 
-Tambm no me ajudariam  encolheu de ombros. A Boyd podia dizer coisas que no mencionaria a ningum mais - No pensei que pudesse chegar at ela a tempo. E no 
me equivoquei. Colt no deveria ter estado l.
- Mas estava com gentileza apoiou as mos em seus ombros - Oh, oh, trata-se do complexo da super policial. Esquivar balas, redigir relatrios, gritar em becos escuros, 
vender entradas para o Baile da Polcia, eliminar o mundo dos tipos maus e salvar gatos presos nas copas das rvores. Ela pode fazer tudo. 
-Cale-se, Fletcher mas sorriu- Trao a linha de no salvar gatos. 
-Quer vir jantar esta noite? 
-O que tem? apoiou a mo no pomo da porta. 
-Nem fao idia sorriu-  a noite livre de Maria. 
-Quem vai cozinhar  a Cilla? olhou-o com expresso doda- Acreditava que ramos amigos. 
-Pediremos pizza. 
-Trato feito. 
Ao sair viu Colt. Tinha os ps sobre uma mesa e um fone ao ouvido. Aproximou-se, sentou-se na borda da mesa e esperou que terminasse o telefonema. 
-Terminou a burocracia? 
 Nightshade, suponho que no tenho que lhe assinalar que esta mesa, este telefone e esta cadeira so propriedade do departamento de polcia, e de acesso proibido 
aos civis. 
-No  sorriu- Mas se quer faz-lo, adiante, podemos comer enquanto voc fala dos procedimentos adequados. 
-Seus convites me deixam sem flego  afastou os ps da mesa- J temos o carro roubado. Os garotos do laboratrio esto pesquisando, assim no tem por que no dar 
uma ivestigada.
- Voc tem algum outro plano? 
-Comeando pelo Tick Tock, passarei por alguns dos lugares onde parava Wild Hill, para falar com algumas pessoas. 
-Estou com voc  quando ela empreendeu o caminho para a garagem, tomou-a pelo brao- Desta vez  em meu carro, lembra? 
Encolheu os ombros e saiu para a rua. O carro de cor negra tinha uma multa no pra-brisa. Colt a guardou no bolso. 
-Suponho que no posso pedir que solucione esse problema. 
-No Althea se sentou no veculo. 
-No tem problema. Fletch o far. 
Olhou-o e lanou o que poderia ter sido um sorriso antes de voltar a concentrar-se na frente. 
-Hoje voc foi timo com a pequena a irritava reconhecer, mas devia fazer - No acredito que tivesse sobrevivido sem voc. 
-Sem ns. Alguns chamariam de trabalho em equipe. 
-Alguns  abotoou o cinto de segurana com um movimento das mos.
- Relaxe, Thea engatou a primeira e misturou-se ao trfico- Onde estvamos antes que nos interrompessem? Oh, sim, falavamos de voc. 
-Acho que no. 
-Certo, eu falarei de voc.  uma mulher que gosta da organizao, depende dela. No, no, de fato insiste em t-la adicionou - Por isso  to boa em seu trabalho, 
tanta lei e ordem. 
-Deveria ser psiquiatra, Nightshade bufou - Quem teria adivinhado que um policial gosta da lei e da ordem? 
-No me interrompa. Tem no sei, vinte e sete, vinte e oito anos? 
-Trinta e dois. 
-No est casada baixou a vista para a mo sem anis. 
-Outra deduo brilhante. 
-Tem a tendncia ao sarcasmo e gosta de seda e perfumes caros. Perfumes realmente agradveis, Thea, desses que seduzem a mente de um homem antes de que entre o jogo 
do corpo. 
-Talvez deveria trabalhar numa agncia de publicidade.
-No h nada sutil a respeito de sua sexualidade. Est a, em letras maisculas. Agora bem, algumas mulheres a explorariam, outras a ocultariam. Voc no, em algum 
ponto decidiu que vai ficar as custas dos homens aprender a lidar com ela. O que algo inteligente no tem resposta para isso, pensou. Ou preferiu no dar- No 
perde o tempo nem energia. Dessa maneira, quando os precisa, tem-os ao alcance da mo. A dentro tem um crebro de policial, que lhe permite avaliar uma situao 
depressa. E suponho que  capaz de manejar  um homem com a mesma frieza com a que empunha sua arma. 
-Uma anlise interessante, Nightshade. 
-No se encolheu ao abater aquele sujeito hoje. Encomodou-a, mas no hesitou parou adiante do Tick Tock e apagou o motor - Se tenho que trabalhar com algum, com 
a possibilidade de viver uma situao desagradvel, gosto de saber que no se humilharia. 
- Ok, obrigada. Agora posso deixar de me preocupar com a sua aprovao mal humorada, saiu do veculo. 
-E por ltimo -alcanou com passadas longas e passou o brao pelos ombros - Um pouco de calor.  um alvio ver que tambm tem temperamento. 
Althea surpreendeu  a si mesma e a ele dando um tapinha nas costelas. 
-No gostaria se deixasse de control-lo. Acredite. 
Dedicaram as seguintes duas horas a ir primeiro a um bar, depois a um bilhar e ainda a uma cafeteria de pssima aparncia. S conseguiram algum progresso ao chegar 
em uma pardieiro de nome Clancys. 
As luzes eram tnues, uma recompensa para os bebedores madrugadores, que gostavam de esquecer que o sol continuava brilhando. Um rdio por trs do balco emitia 
msica country que contava uma histria triste sobre enganos e garrafas vazias. Vrios desses clientes j se achavam distribuidos pelo balco ou mesas, a maioria 
bebendo sozinhos.
Althea se dirigiu a um extremo do balco e pediu um refrigerante que no pensava em provar. Colt decidiu por um chopp. Ela arqueou uma sobrancelha. 
-O vacinaram contra ttano a pouco tempo?  sacou vinte dlares, mas manteve os dedos sobre a ponta da nova de vinte dlares enquanto o garom servia- Wild Hill 
costumava vir aqui com bastante assiduidade  o garom observou o dinheiro e depois a ela. Uns olhos vermelhos e um rosto cheio de veias rompidas provavam que bebia 
tanto como servia- Wild Hill Billings insistiu. 
-E? 
-Era amigo meu. 
-Parece que perdeu um amigo. 
-Algumas vezes vim aqui com ele  retirou um pouco a nota de vinte dolares - Talvez se lembre. 
-Tenho uma memria bastante seletiva, mas no me custa reconhecer um policial. 
-Bem. Ento  possvel que deduzisse que Hill e eu tnhamos um acordo. Provavelmente deduzi que esse acordo acabou com seu sangue esparramado sobre a calada. 
-Deduo errada. No me passava nenhum sopro quando o mataram, e sou uma pessoa sentimental. Quero saber quem acabou com ele, e estou disposta a pagar adiantou 
o bilhete- Muito mais do que isto. 
-No sei nada do assunto ainda que os vinte desapareceram em seu bolso. 
-Mas talvez conhea a gente que conhea gente que conhea algo se adiantou com expresso risonha nos olhos
- Se fizesse correr a voz, o agradeceria  encolheu os ombros e teria sado se ela no tivesse apoiado a mo em seu brao - Creio que esses vinte vale um ou dois 
minutos. Bill tinha a uma garota chamada Jade. Sumiu. Tambm tinha algumas mais, verdade? 
-Algumas. No era muito importante no negcio. 
-Algum nome? 
O homem pegou um trapo sujo e se ps a limpar o balco. 
-Uma garota de cabelo negro chamada Meena. s vezes trabalhava aqui. Ultimamente no a vi.
-Se a v, me chame retirou um carto e deixou sobre o balco- Sabe algo sobre filmes? Filmes particulares com garotas jovens? 
Encolheu os ombros, mas Althea captou antes o reflexo de conhecimento em seus olhos. 
-No tenho tempo para filmes, e isso  tudo o que receber por suas vinte. 
-Obrigado o deixou e se levantou- D-lhe um minuto sussurrou para Colt. Depois avistou atravs da vitrine suja - V, v.  engraado que de repente  tenha tanta 
pressa em fazer um telefonema. 
-Gosto do seu estilo, tenente  Colt observou o garom ir ao telefone pblico e introduzir uma moeda de um quarto. 
-Vejamos quanto gosta depois de passar umas horas num carro frio. Espera-nos uma noite de viglia, Nightshade. 
-Estou impaciente.


Ela tinha razo sobre o frio. Mas no importava tanto, no com calas longas e uma jaqueta de pele de cordeiro para espant-lo. No entanto, o que incomodava era 
a inatividade. Teria jurado que para Althea era uma prazer. 
Estava comodamente sentada a seu lado, concentrada numa revista de palavras-cruzadas com a luz fraca da lanterna. Trabalhava de forma metdica, paciente, interminvel, 
enquanto  tentava combater a chatice com a retrospectiva de B.B. King na rdio. 
Pensou no jantar que os dois tinham perdido na casa dos Fletcher. Comida quente, uma lareira, um conhaque. Inclusive tinha passado pela cabea que talvez Althea 
se descontrasse um pouco num meio no oficial. Talvez no ajudasse pensar nela dessa maneira, como a deusa do frio que se derrete, mas avivou suas fantasias. 
Na situao que se achavam era toda policial, to distante emocionalmente como a lua. Mas no sonho, ajudado pelo lento blues que saa pela rdio, era toda mulher, 
sedutora como a seda negra que imaginava que usava nas roupas ntimas, tentadora como o fogo que ardia na chamin de pedra, suave como o tapete de pele branca sobre 
a que tinham jogado. 
E seu sabor, quanto provou sua boca, era como um whisky almiscarado. Embriagante, doce, potente. Um oleceo com o que um homem podia afogar-se. 
A seda se desprendeu centmetro a centmetro, revelando a pele de alabastro. Delicada como uma ptala de rosa, impecvel como o cristal, firme e suave como  gua. 
E quando ela alongava as mos para ele, para introduzi-lo em seu segredo, seus lbios  sussurravam algo ao ouvido. 
-Mais caf? 
-Como? voltou  realidade e a contemplou com o carro em penumbra. Oferecia uma garrafa trmica a ele.
- Quer caf? intrigada pela expresso de sua cara, tirou-lhe a xcara e a encheu at a metade. A primeira vista, teria dito que tinha veemncia em seus olhos, mas 
conhecia muito bem essa expresso. Era desejo, maduro e pronto- Dando uma divagada, Nightshade? 
-Sim aceitou a xcara e bebeu, desejando que fosse whisky. Mas sorriu, e a diverso consigo mesmo e a ridcula situao mitigou a incomodidade de suas entranhas 
- Uma grande divagada. 
-Bom, tente no se afastar muitobebeu um gole de sua prpria xcara e lhe ofereceu um pacote de rosquinhas aucaradas - A vai outro  eficiente, deixou a xcara 
e pegou a cmera. Tirou duas fotos do homem que entrou no bar. Era o segundo na ltima hora. 
        - Ao que parece no tem um negcio muito prspero.
-  maioria  gosta de aproveitar um ambiente para um gole.
- Samambaias e msica  digital?
- Copos limpos, para comear deixou a cmara-. Duvido que vamos ver um de nossos diretores de cinema por aqui.
- Ento, o que fazemos sentados em um carro frio ante um tugrio s onze da noite?
- Porque  meu trabalho escolheu uma amndoa e a levou a boca-. E porque espero outra pessoa.
- Quer me dar uma pista? era a primeira notcia que tinha.
- No comeu outra amndoa e voltou a concentrar-se na palavra cruzada.
- Muito bem, acaboutirou o jornal das mos-. quer jogar, Grayson? Deixe que lhe diga como jogo eu. Irrito-me quando as pessoas me escondem algo. Especialmente quando 
estou mortalmente aborrecido. Ento me ponho um tanto desagradvel.
-        Perdo murmurou com voz suave, em direto contraste com o fogo que ardia em seus olhos-. Mal posso falar pelo n de terror que sinto na garganta.
-        Quer assustar-se? moveu-se a grande velocidade. Ela no poderia ter se esquivado embora  tivesse tentado. De modo que cedeu sem nenhuma amostra de resistncia 
quando a tomou pelos ombros-. Suponho que serei capaz de colocar o medo em seu divino corpo, Thea, e animar um pouco as coisas para os dois.
 - Bem, se tiver terminado com sua demonstrao de machismo, a quem estou esperando est a ponto de entrar no bar.
-O que?
Colt girou a cabea, o qual apresentou a Althea  a oportunidade perfeita para lhe agarrar o dedo polegar e retorc-lo com ferocidade. Quando ele praguejou, soltou-o.
-        Meena. A outra garota do Wild Hill ergueu a mquina e tirou outra foto-. Vi sua foto esta tarde em seu histrico. Esteve presa. Prostituio, posse de 
droga com inteno de vend-la, conduta exibicionista.
- uma garota doce nossa Meena.
-Sua Meena corrigiu-. Como gosta tanto de fazer o tipo duro, pode ir seduzi-la  e traz-la aqui para que possamos falar com ela abriu a bolsa e tirou um bolo 
de cinco notas de dez dlares -. E se seu encanto falhar, lhe oferea cinqenta.
-Quer que entre e a convena de que procuro farra?
-Isso.
-Bem tinha feito costure piores que interpretar um sedutor em um bar sujo. Mas lhe devolveu o montante-. Tenho meu prprio dinheiro.
Althea  o observou cruzar a rua e esperou at que desaparecesse dentro do local. Logo se recostou e se permitiu um momento para fechar os olhos e soltar um prolongado 
suspiro.
Pensou que Colt Nightshade era um homem perigoso. No tinha experimentado somente raiva quando lhe agarrou pelos ombros. O que havia sentido era complexo, retorcido 
e confuso: Excitao profunda, ardente, que lhe abrasou a alma, mesclada com uma pequena dose de medo primrio e fria.
        No  tpico de voc, refletiu enquanto se tomava tempo para acalmasse-se. Ter estado to perto de perder o controle devido a que um homem apertava as 
teclas erradas, ou as certas, era pouco habitual.        
        Era ela quem apertava as teclas. Essa era a regra principal da Althea Grayson. E se Colt acreditava que podia pular em cima dela como tinah feito ia ficar 
muito decepcionado.
        Esforou-se muito para se transformar em quem era, elaborando metas em sua vida e seguido-as. Tinha sado do caos e tinha conseguido control-lo. Certamente, 
de vez em quando era necessrio trocar de padro. No era uma mulher rgida. Mas nada, absolutamente nada, sacudia esse padro.
        Sups que se devia ao caso. A jovem retida por desconhecidos, da que sem dvida abusavam.
        Outro padro, pensou com amargura. Muito familiar.
        E a menina aquela manh. Assustada pelos adultos a rodeavam.
        Moveu a cabea, recolheu o peridico para dobr-lo com preciso e deix-lo a um lado.
        Disse-se que estava cansada. A operao antidroga de na semana anterior tinha sido terrvel. E sair daquilo para entrar no novo caso haveria conmocionado 
a qualquer. Precisava de umas frias. Sorriu e imaginou uma praia de areias brancas, guas azuis e um hotel a suas costas. Uma cama grande, servio de quarto e um 
jacuzzi privativa.
        E pensava em fazer exatamente isso quando fechasse o caso e enviasse Colt Nightshade  de volta para seu trabalho...ao que diabos considerasse sua profisso.
        Voltou a olhar em direo ao bar e se viu obrigada a assentir com aprovao. Tinham passado menos de dez minutos e saa seguido de Meena.
-OH, um trio? Meena estudou Althea com olhos muito pintados. afastou os cachos negros e fez uma careta-. Bom, querido, isso vai custar mais.
-No h problema com cavalheirismo a ajudou a subir ao assento de atrs.
- Imagino que um homem como voc pode dar conta das duas.
-No acredito que v ser necessrio Althea tirou o distintivo para mostrar-lhe . Meena amaldioou, lanou a Colt um olhar de profundo desagrado e depois cruzou 
os braos.
-        Os policiais no tm nada melhor que fazer que perseguir pobres almas trabalhadoras?
-        No teremos que lev-la a delegacia de polcia, Meena, se responder a umas perguntas. Vamos dar uma volta, Colt? quando ele arrancou, Althea se voltou 
no assento-. Wild Hill era meu amigo.
-Sim, claro. Fez-me alguns favores. 
- E foi correspondido?
-Sim, claro que -calou e estreitou os olhos-. Voc  a polcial a que lhe vendia informaes, a que ele dizia que tinha classe? Meena relaxou um pouco. Existia 
uma boa probabilidade de que no passasse a noite em uma cela-. Disse que foi legal com ele, que sempre lhe dava umas notas sem se queixar.
-Estou comovida Althea notou o sorriso ambicioso de Meena arqueou uma sobrancelha-. Possivelmente teria que disse que pagava quando havia algo que valesse a pena 
comprar. Conhece Jade?
-Claro. Faz umas semanas que no a vejo. Hill disse que saiu da cidade colocou a mo em sua bolsa de plstico vermelho e tirou um cigarro. Quando Colt acendeu o 
isqueiroe lhe ofereceu fogo, tomou a mo entre as duas delas e lhe deu de presente um olhar clido-. Obrigado, querido.
-O que me diz desta garota? do bolso tirou uma foto da Elizabeth. depois de acender a luz do teto, a ofereceu a Meena.
-No ia devolver quando franziu o cenho-. No sei. Talvez enquanto a analisava, soltou uma coluna de fumaa, enchendo o ambiente-. No trabalha na rua. Parece-me 
que a vi em alguma lugar.
-Com o Hill? pergunto Althea.
-Diabos, no. Bill no trata mexe com o que pode lhe dar cadeia.
-Quem o faz?
Meena olhou para Colt.
-        Georgia Cool tem a algumas jovens em seu estbulo. Embora ningum to verde como esta.
-Bill conseguiu uma atuao para voc, Meena? Um filme? insistiu Althea. 
- possvel. 
-Sim ou no? Althea tirou a foto de Liz - Me faz perder tempo, e no perco meu dinheiro. 
-Demnios, no me incomoda se um cara quer gravar uns vdeos enquanto trabalho. Pagaram mais. 
-Tem nomes? 
-No trocamos cartes.bufou. 
-Mas pode me dar uma descrio. Dizer quantos tinham envolvidos, onde foi o lugar da gravao. 
- provvel  o olhar astuto regressou a seu rosto enquanto soltava fumaa- Se tivesse algum incentivo. 
-Teu incentivo ser no passar uma temporada na cadeia com uma sueca de cem quilos comentou Althea com suavidade. 
-No pode me prender. Gritarei que foi uma armadilha. 
-Grite o que quiser. Com teu histrico, o juiz rir. 
-Vamos, Thea a voz de Colt pareceu ter se espessado- D um descanso  moa. Est tentando cooperar, no , Meena? 
-Claro Meena apagou o cigarro e umedeceu os lbios-. Claro que sim. 
-O que tenta  me enganarAlthea compreendeu que Colt e ela tinham adotado os papis de policial bom, policial mal, sem pestanejar- E quero respostas. No as que 
est dando sorriu para a jovem pelo espelho retrovisor- Toma meu tempo. 
-Eram trs reps Meena com uma careta- Um sujeiro que manejava a cmara, outro sentado num canto, no pude v-lo. E o que estava atuando comigo, j sabe. O da cmara 
era calvo. Negro, grande para valer como um lutador ou algo parecido. Estive l aproximadamente uma hora, e em nenhum momento abriu a boca. 
-Lhe chamaram por algum nome? Althea abriu o bloco de notas. 
-No  pensou um momento e moveu a cabea- No.  engraado, no? Se no me engano, nem sequer falaram entre eles. O cara com que contracenava comigo era pequeno 
menos em suas partes vitais riu entre dentes e pegou outro cigarro-. Esse falou. Uma conversa vaga, para a cmara. Alguns gostam desse jeito. Tinha uns no sei, 
quarenta anos talvez, magro, com o cabelo amarrado que chegava aos ombros. Era um tipo que lembrava um cowboy solitrio. 
-Quero que trabalhe com um desenhista da polcia indicou Althea. 
-No. No quero mais policiais. 
-No tem problema o que fizermos na delegacia decidiu jogar com seu coringa-. Se nos d uma descrio boa, que nos ajude a pegar esses sujeitos, ganhar cem extra. 
-De acordo o rosto se iluminou- De acordo. 
-Onde gravou? Althea moveu o lpis sobre o bloco. 
-Num lugar bonito. Tinha um jacuzzi redonda no banheiro e espelhos nas paredes se adiantou para apoiar os dedos no ombro de Colt-. Foi estimulante. 
-A direo? insistiu Althea. 
-No sei. Um desses edifcios grandes de apartamentos que h na Segunda. Na cobertura. 
-Aposto a que reconheceria o edifcio se passssemos por ali, verdade, Meena? o tom de Colt foi amistoso, como o sorriso que ofereceu por cima do ombro. 
-Sim, claro e o fez. Minutos mais tarde apontava pela janela-. Esse, a. V o apartamento mais alto, com os janeles e a sacada? Estive ali. Um lugar com classe. 
Carpete branco, um dormitrio muito sexy, com cortinas vermelhas e uma cama enorme e redonda. Tinha torneiras de ouro no banheiro, em forma de cisne. Cus, adoraria 
voltar. 
-S foi uma vez? perguntou Colt. 
-Sim. Disseram a Billy que era o tipo adequado com voz de desagrado pegou outro cigarro- Disseram que era velha demais. Podem acreditar?Acabo de completar vinte 
e dois anos e esses desgraados dizem a Billy que sou velha demais. Incomodou-me Oh, sim -inspirada, bateu no ombro de Colt-. A garota. A da foto. A  onde a 
vi. Tinha sado, mas tive que voltar porque tinha esquecido os cigarros. Ela estava sentada na cozinha. No a reconheci de imediato na foto, porque estava muito 
maquiada. 
-Te disse algo? quis saber Colt, lutando por manter firme a voz- Fez algo? 
-No, no se moveu de onde estava sentada. Pareceu-me drogada. 
Ao perceber que precisava de apoio, Althea alongou o brao e cobriu a mo de Colt. Tinha a mo rgida. Quando ele apertou os dedos para unir suas palmas, surpreendeu-a, 
mas no protestou. 
-Quero falar com voc outra vez com a mo livre, pegou dinheiro suficiente do bolso para garantir a cooperao futura de Meena-. Preciso um nmero onde posso localiz-la. 
-Com certeza o deu enquanto contava as notas- Suponho que Billy tinha razo.  legal. E, talvez pode me deixar no Tick Tock. Irei tomar uma dose em memria de Bill. 




-Acho que precisamos de uma ordem judicial para entrarmos. 
-Verdade suspirou e meteu a mo no interior da jaqueta para verificar sua automtica- E vo nos convidar para tomar caf. Se me der duas horas-ficou boquiaberta 
ao v-lo virar-se. Depois da polidez com que tinha manejado a situao at esse momento, desconcertou-a fria que ardia em seu rosto. 
-Oua, tenente, no penso esperar nem mais dois minutos para comprovar se Liz continua a. E se est, se h algum, no vou precisar uma maldita ordem. 
-Colt, compreendo 
-No compreende nada. 
Ela abriu a boca e voltou a fech-la, aturdida porque tinha estado a ponto de gritar que sim, o entendia, e muito bem. 
-Chamaremos conveio com voz tensa e se dirigiu  porta da cobertura e chamou.
-Talvez sejam um pouco surdos bateu na porta com o punho. Quando ningum contestou, moveu-se com tanta celeridade que Althea no teve tempo nem de amaldioar. J 
tinha aberto a porta de um pontap. 
-Estupendo, Nightshade. Sutil como um tijolo. 
-Suponho que escorreguei sacou a pistola da bota-. Olha, a porta est aberta. 
-No -mas j tinha entrado. Amaldioando Boyd e a todos seus amigos da infncia, pegou a arma e o seguiu, cobrindo-lhe instintivamente as costas. No precisou de 
luz, que Colt acendeu, para ver que estava vazio. Irradiava uma sensao de abandono. No sobrou nada, somente o carpete e as cortinas. 
-Fugiram murmurou ao ir de um quarto a outro-. Os miserveis fugiram. 
Convicta de que no ia precisar, Althea voltou a embainhar a arma. 
-Suponho que agora sabemos para quem telefonou nosso amigvel garom esta tarde. Veremos o que podemos conseguir do contrato de aluguel, dos vizinhos -ainda que 
no tinha esperana de encontrar nenhuma pista. Entrou no banheiro. Era como o tinha descrito Meena, com o jacuzzi redondo, as torneiras em forma de cisne, de lato, 
no de ouro, e espelhos por todas partes-. Colocasse em perigo a integridade de um possvel palco de um crime, Nightshade, espero que esteja satisfeito. 
-Ela poderia estar aqui comentou o a suas costas. 
Althea viu seus reflexos atracados nos espelhos. O que a suavizou foi  expresso de seu rosto, que no tinha imaginado ver. 
-Vamos encontr-la, Colt murmurou- Vamos nos encarregar de que volte para casa. 
-Claro queria quebrar algo, qualquer coisa. Usou toda a fora de vontade para no quebrar os espelhos- Cada dia que tenham em seu poder,  um dia com que ter que 
viver o resto de sua vida, para sempre se inclinou e deslizou a pistola na bota-. Deus, Thea, ela no  mais que uma menina. 
-Os meninos so mais duros do que a gente pensa. Esquecem as coisas quando  precisam. E vai ser mais fcil porque tem uma famlia que a quer. 
-Mais fcil que o qu?
Que estar s, pensou. 
-Simplesmente mais fcil no pode evit-lo; levantou uma mo e a apoiou na face dele - No se culpe, Colt, ou vai acabar estragando as coisas. 
-Sim conteve essa emoo perigosa que conduzia a erros perigosos. Mas quando ela comeou a baixar a mo para a lateral, agarrou o pulso- Sabe de uma coisa? aproximou-se 
uns centmetros talvez s porque precisava de um contato-. Durante um momento foi quase humana. 
-Verdade? seus corpos se roavam. Pensou que seria um ato de covardia retroceder-. E geralmente eu sou o que? 
-Perfeita levantou a mo livre e meteu os dedos em seu cabelo, algo que queria fazer desde o primeiro momento que a viu-. Assusta disse-  tudo o rosto, o cabelo, 
o corpo, a mente. Um homem no sabe que fazer, se uiva  lua ou geme a seus ps. 
Ela teve que inclinar a cabea atrs para continuar olhando-o nos olhos. O seu corao pulsava mais depressa, no prestava ateno. J tinha acontecido anteriormente. 
Sentia uma leve curiosidade, inclusive desejo, no seria a primeira vez, e podia controlar. Mas o que era difcil de canalizar era uma borbulhao inesperada de 
seus sentidos. Contra isso teria que lutar. 
-No me d a impresso de ser um homem que faa alguma dessas duas coisas esboou um sorriso frio, quase uma careta que fazia que os homens se afastassem de imediato. 
Colt no era como a maioria dos homens. 
-Nunca fui. Por que no provamos outra coisa? disse devagar, depois se moveu como um relmpago para fechar a boca sobre a dela. 
Se Althea tivesse protestado, se tivesse lutado, inclusive se tivesse retrocedido de forma simblica, a teria soltado, dando-se por perdedor. Talvez. 
Depois ela pensaria que poderia t-lo freado em secos com vrios movimentos de defesa prpria. Depois. Mas tinha um calor to descarnado nos lbios dele, uma fora 
to intensa nos braos, e um prazer aquecia seu prprio corpo. 
Sim, isso era o que pensaria depois. 
Foi tal como Colt tinha imaginado. E tinha imaginado muito. O sabor que tinha nos lbios era exatamente igual ao que tinha provado em sua mente. Era to viciante 
como o pio. Quando se abriu a ele, submergiu-se mais para tomar. 
Althea era to pequena, esbelta e flexvel como poderia desejar qualquer homem. E forte. Com os braos o rodeava com fora e seus dedos mexiam em seus cabelos. O 
som baixo e rouco de aprovao que vibrou por sua garganta ps o sangue como um rio desembocado. 
Murmurando seu nome, a fez girar e a apoiou contra os espelhos, cobrindo-lhe o corpo com o seu. Percorreu-a com mos cobiosas, ansiosas de tomar, tocar e possuir. 
Depois desabotoou os botes da blusa com uma necessidade desesperada por eliminar a primeira barreira. 
Desejava-a nesse momento. No, compreendeu que nesse momento precisava dela. Do modo em que um homem precisa dormir depois de um duro dia de trabalho, tal como 
precisava comer depois de um prolongado jejum.
Separou a boca dos lbios dela e a depositou em seu pescoo, extasioando-se com o sabor da pele.
Perdida num delrio, Althea arcou as costas e gemeu ao sentir a boca faminta sobre sua pele acesa. Soube que se no tivesse tido o apoio da parede, j teria cado 
ao solo. E era ali, justo ali, onde ele a tomaria, onde se tomariam mutuamente. No solo frio, no duro, com dzias de espelhos que devolviam os reflexos de seus corpos 
desesperados. 
Ali, nesse momento. 
E como um ladro entrando numa casa a escuras, em sua mente brilhou a imagem de Meena e do que tinha tido lugar naquele apartamento. Que estou fazendo? Santo cu, 
que estou fazendo?, pensou com fria ao separar-se. 
Era uma policial e tinha estado a ponto de ceder a um sexo cego no meio do palco do delito. 
-Pare! sua voz soou dura pela excitao e o desgosto consigo mesma-. Falo srio, Colt. Pare. Agora. 
-Que? como um nadador que emerge das profundidades, moveu a cabea, quase mareado. 
Seus joelhos tremiam. Para compensar, apoiou uma mo na parede enquanto a olhava. Tinha soltado o cabelo, que caa como uma cascata de fogo sobre seus ombros. Nesse 
instante seus olhos eram mais dourados que castanhos, enormes, sedutoramente nebulosos. Tinha a boca vermelha pela presso  que tinha submetido e a pele brilhante 
de um rosa plido adorvel. 
- linda. Incrivelmente linda com suavidade passou um dedo pela garganta-. Como uma flor extica por trs de um cristal. Um homem deve quebrar o cristal para tom-la. 
-No segurou a mo para no voltar a perder a razo-.  uma loucura. 
-Sim  ele no tinha como negar- E  magnfico. 
- uma investigao, Nightshade. E nos achamos no que possivelmente seja o palco de um delito importante. 
-Ento, vamos para outro lugar sorriu e pegou a mo para mordiscar os dedos. O fato de seencontrerm em uma beco sem sada em relao a investigao no significava 
que devia deter toda atividade. 
-Vamos para outro lugar empurrou e com movimentos seguros voltou a abotoar a blusa- Separados consternada, deu-se conta de que se sentia fraca. 
Colt considerou que o melhor lugar para ter as mos nesse momento era nos bolsos. Ela tinha razo e isso era o pior. 
-Quer fingir que isto no aconteceu? 
-No finjo nada jogou o cabelo para trs e alisou a jaqueta com dignidade-. Aconteceu, e j terminou. 
-Em absoluto, tenente. Ambos somos adultos, e ainda que s posso falar por mim, a conexo que sentimos no acontece todos os dias. 
-Tem razo inclinou a cabea-. Fale apenas por por voc conseguiu voltar ao salo antes de que ele a tomasse pelo brao e a fizesse girar de volta para ele. 
-Quer uma demonstrao agora? perguntou com voz mortalmente serena-. ou quer ser sincera? 
-Certo podia ser sincera, por que as mentiras no funcionariam-. Se me interessasse uma aventura rpida e quente, sem dvida o chamaria. Mas neste momento tenho 
outras prioridades. 
-Tem uma lista, no? 
Althea calou-se por um instante para controlar seu temperamento. 
-Acredita que esta me ofendendo? inquiriu com voz doce.- Prefiro organizar minha vida. 
-De met-la em compartimentos. 
-O que queira arqueou uma sobrancelha-. Para o bem ou para o mau, temos uma relao profissional. Eu quero encontrar a garota, Colt, tanto como voc. Quero que 
regresse para junto de sua famlia, que coma hambrgueres e que s se preocupe de seu ltimo exame de matemticas. E quero pegar os canalhas que a tm. Mais do que 
poderia chegar a entender. 
-Ento, por que no me ajuda a compreender? 
-Sou policial informou.- Isso basta. 
-No seu rosto tinha refletido paixo que ele tinha sentido ao t-la nos braos. A ponto de perder o controle-. Nem para voc nem para mim suspirou e esfregou 
a nuca. Deu-se conta de que ambos se achavam cansados e tensos. No era o momento nem o lugar para aprofundar nos motivos pessoais. 
Precisava de tempo para encontrar objetividade se queria compreender  Althea Grayson
- Olhe, desculpe-me se me enganei. Mas ambos sabemos que no foi assim. Estou aqui para procurar a Liz, e nada vai me deter. E depois de prov-l, Thea, penso em 
mostrar igual determinao por receber mais. 
-No sou o prato do dia, Nightshade murmurou esgotada. -Vai receber o que eu oferecer. 
- bem como quero esboou um sorriso rpido-. Vamos, levarei voc para casa. 
Sem dizer nada, Althea o olhou. Tinha a incmoda sensao de que no tinham resolvido as coisas tal como ela tinha querido.


Capitulo 4



Armado com uma segunda xcara de caf, Colt se achava  beira de um redemoinho. Era evidente que pegar trs meninos da casa para met-los num nibus escolar era 
um acontecimento de propores gigantescas. Perguntou-se como um trio de adultos poderia manejar esta loucura diria sem perder a sensatez. 
-No gosto desses cereais se queixou Bryant. Levantou a colher e, com o cenho franzido, mexeu outra vez a massa na cumbuca-. Tem gosto de rvores molhadas. 
- Voc os escolheu porque traziam uma surpresa no interior da caixa recordou Cilla enquanto preparava sanduches de manteiga de amendoim e gelia-. Voc comer 
tudo. 
-Poe mais um prato sugeriu Boyd enquanto tentava recolher o cabelo loiro de Allison em algo parecido a uma trana. 
-Ai! Papai, esta puxando o cabelo! 
-Desculpe. Qual  a capital de Nebraska? 

-Lincoln suspirou sua filha-. Odeio as provas de geografia disse com uma careta enquanto praticava seus passos de dana- Para que quero conhecer os estpidos estados 
e suas estpidas capitais? 
-Porque o conhecimento  sagrado com a lngua entre os dentes, Boyd se afanava em arrumar a trana-. E quando aprende algo, jamais chega a esquec-lo. 
-Bom, pois no lembro qual  a capital de Virginia. 
-, ah -quando o conhecimento sagrado o escapou, Boyd amaldioou baixinho. Que diabos importava? Vivia em Colorado. Para ele, um dos principais problemas de ter 
filhos era que os pais se viam obrigados a voltar ao colgio-. J se recordar. 
-Mame, Bry est dando seus cereais ao Bongo Allison sorriu para seu irmo com o tipo de sorriso astuto que s uma irm consegue. 
Cilla se voltou a tempo de ver a seu filho estender a colher para a boca ansiosa do cachorro. 
-Bryant Fletcher, dentro de um minuto vai comer esses cereais todos. 
-Olha, mame, nem sequer Bongo quer comer. So uma porcaria.
 -No diga isso repreendeu Cilla com cansao. Mas notou que o cachorro grande e peludo, que pelo geral at bebia gua da latrina, tinha afastado o focinho depois 
de provar o grude em que se tinham convertido os Rocket Crunchies-. Come o prato e pegue seu casaco.
 -Mame! Keenan, o menor, entrou na cozinha. Estava descalo e sem calas e sustentava um tnis na mo-. No posso encontrar meu outro tnis. Algum o roubou! 
-Chama  polcia murmurou Cilla ao guardar o ltimo sanduche na lancheira. 
-Eu encontrarei, senhora Maria limpou as mos no avental.
 -Bendita seja.
-Os homens maus o levaram, Maria a informou Keenan com voz baixa e sria-. Vieram a noite e o levaram. Papai vai prende-los. 
-Com certeza que sim com expresso igualmente sria, Maria tomou da mo e o levou para as escadas-. Agora vamos procurar pistas. 
-Guarda chuva Cilla voltou e passou a mo pelo cabelo curto e castanho-. Est chovendo. Temos guarda chuva? 
-Costumvamos ter acabada sua sesso de penteado, Boyd se serviu de outra xcara de caf- Algum os roubou. Provavelmente o mesmo bando que levou op tnis de Keenan 
e os deveres de ortografia de Bryant. J pus uns agentes para trabalhar no caso. 
-Bela ajuda que me oferece Cilla foi  porta da cozinha-. Maria! Guarda chuva! deu a volta, tropeou no cachorro, soltou uma praga e depois recolheu as trs lancheiras- 
Casacos ordenou-. Tm cinco minutos para chegar ao nibus. 
Bongo decidiu que esse era o momento perfeito para saltar sobre tudo o que estivesse diante dele. 
-Odeia as despedidas disse Boyd a Colt enquanto punha a coleira no animal. 
-O tnis estava no armrio  anunciou Maria ao levar Keenan  cozinha. 
-Os ladres devem ter escondido l.  diablico demais disse Cilla ao oferecer-lhe a lancheira- Um beijo. 
Keenan sorriu e plantou um beijo sonoro nos lbios. 
-Bry, os cereais vo para o lixo ao entregar a lancheira, passou um brao pelo pescoo, provocando risadas enquanto lhe dava um beijo-. Allison, a capital de Virginia 
 Richmond. 
Depois de que todos se beijaram, Cilla levantou uma mo.
-Qualquer um que deixe o guarda chuva na escola ser executado de imediato. Podem ir. 
Todos saram correndo. A porta se fechou. Cilla fechou os olhos. 
-Ah, outra manh calma na casa dos Fletcher. Colt, que posso oferecer? Bacon, ovos? Whisky? 
-Fico com os dois primeiros. Reserva o ltimo sorriu e ocupou a cadeira que Bryant tinha deixado livre -. Todos os dias so iguais? 
-Os sbados comeam mais tarde passou as mos pelos cabelos e verificou a hora-. Gostaria de ficar com vocs, garotos, mas tenho que preparar-me para o trabalho. 
Tenho uma reunio dentro de uma hora. Se sentir-se perdido, Colt, passa pela emissora. Mostrarei a cidade a voc. 
-Pode ser que o faa. 
-Maria, precisas que traga algo? 
-No, senhora j tinha o bacon na frigideira- Obrigada. 
-Voltarei s seis se deteve junto  mesa para acariciar o ombro de seu marido-. Acho que entendi que ter uma partida de poquer esta noite. 
-Isso so rumores atirou-se em direo a sua mulher e Colt viu que sorriam antes de se beijarem-. Sabe muito bem,  Roarke. 
-Gelia de morango. Nos veremos depois, detetive deu um ultimo beijo antes de deix-lo. 
Colt a escutou correr escadas acima. 
-Acertou na mosca n, Fletch? 
-Mmm? 
-Uma mulher magnfica e crianas maravilhosas. E de primeira. 
- o que parece. Acho que soube que Cilla era para mim ao v-la recordar o fez sorrir-. Ainda que tenha precisado de um bom  tempo para convenc-la de que no poderia 
viver sem mim. 
-Althea e voc eram parceiros quando conheceu  Cilla, no? 
-Sim. Ns trabalhvamos a noite naquela poca. Thea foi a primeira mulher que tive de parceira. E tambm foi a melhor policial com quem trabalhei. 
-Tenho que perguntar ser obrigado a negar, mas tenho que faz-lo Como perguntar?. Pegou o garfo e o bateu na borda da mesa fazendo soar-. Thea e voc antes 
de Cilla existiu algo pessoal? 
-H muitas coisas pessoais quando  se trabalha com outra pessoa,  s vezes vinte e quatro horas recolheu a xcara de caf e sorriu descontrado-. Mas no tinha 
nada romntico, se  isso que voc quer saber. 
-No  assunto meu encolheu os ombros, incomodado pelo quanto que aliviava a reposta de Boyd-. Senti apenas curiosidade.
-Por saber por que no tentei nada com uma mulher to bonita? Com seu crebro? seu qual  a melhor palavra para descrev-lo? divertido pela evidente incomodo de 
Colt, riu enquanto Maria servia o caf da manh-. Obrigada, Maria. O chamaremos estilo, na falta de uma palavra melhor.  simples, Colt. No vou dizer que no pensei 
nisso. Mas encaixamos como colegas, como amigos, e isso no nos levou por nenhum dos outros caminhos provou os ovos e ergueu uma sobrancelha-. Est pensando nisso? 
Voltou a encolher os ombros e mexeu com o bacon. 
-No posso dizer que tenhamos encaixado como colegas ou amigos. Mas imagino que j nos adentramos por um desses caminhos. 
Boyd no fingiu surpresa. Qualquer que dissesse que o azeite e a gua no se misturavam era porque no os tinha agitado o suficiente. 
-H algumas mulheres que se metem sob sua pele, e algumas em sua cabea. E outras nas duas coisas. 
-Sim. Qual  sua histria? 
- uma boa policial, uma pessoa que pode confiar. Como todo mundo, tem certa bagagem, mas o leva bem. Se quer saber coisas pessoais, ter que perguntar a ela levantou 
a xcara.- E ela receber a mesma resposta de mim sobre voc. 
-Perguntou? 
-No bebeu para ocultar seu sorriso-. E agora, por que no me conta os progressos no que se refere  Liz? 
-Conseguimos uma pista sobre uma cobertura da Segunda Avenida, mas j estava vazia era algo que continuava frustrando-o-. Pensei em falar com o encarregado do edifcio, 
com os vizinhos. H uma testemunha que talvez seja capaz de identificar um ou a mais de nossos magnatas do cinema. 
-Bom comeo. Posso ajudar em algo? 
-Comunicarei. J a tem em seu poder duas semanas, Fletch. Vou recuper-la levantou a vista e a fria contida que tinha neles no deixou lugar a dvidas-. O que 
me preocupa  o estado que a encontrarei. 
-Vai passo a passo. 
-Fala como a tenente Colt preferia dar saltos em vez de passos-. No posso ficar com ela at ltima hora da tarde. Est nos tribunais. 
-Nos tribunais? Boyd franziu em cenho, depois assentiu-. Verdade... o juzo Marsten. -Roubo a mo armada e agresso. Quer que envie um agente uniformizado contigo 
 Segunda Avenida? 
-No. Eu me encarregarei. 


Colt decidiu que era maravilhoso trabalhar sozinho outra vez. Isso significava que no tinha que se preocupar de pisar nos sapatos de seu colega nem discutir sobre 
estratgia. E no referente a Althea, significava que no tinha que se centrar em no pensar nela como mulher. 
Primeiro foi ver o encarregado do edifcio, Nieman, um homem baixo e meio calvo que evidentemente considerava que seu posto requeria que levasse um traje de trs 
peas, uma gravata torpemente enrolada e um oceano de loo ps barba. 
-j dei minha declarao  outra oficial informou a Colt atravs da abertura de cinco centmetros que proporcionava a corrente de segurana de sua porta. 
-Agora ter que dar a mim no viu sentido em declarar que ele no era polcia- Quer que grite minhas perguntas do corredor, senhor Nieman? 
-No tirou a corrente, visivelmente irritado-. Eu j no tive problemas suficientes? Mal tinha me levantado esta manh quando vocs bateram na minha porta. Os inquilinos 
no deixaram de me chamar por telefone, querendo saber por que a polcia est interditando a cobertura. Demorarei semanas em desterrar esta publicidade. 
-Tem um trabalho muito duro, senhor Nieman estudou o apartamento ao entrar. No era to grande como a cobertura vazia, mas no estava mau. Nieman o tinha mobiliado 
ao estilo rococ francs. Colt pensou que sua me teria se encantado. 
-No, imagina resignado, o outro lhe indicou um cadeiro talhado-. Os inquilinos so como meninos. Precisam que algum os guie, que algum de uns tapas na mo quando 
fogem de alguma regra. Sou encarregado deste edifcio h dez anos, trs como residente, e as histrias que poderia lhe contar  
Por medo a que o fizesse, cortou-o. 
-Por que no me fala dos inquilinos da cobertura? 
-Pouco posso dizer subiu um pouco as calas antes de sentar-se. Cruzou as pernas pelos tornozelos e mostrou as meias com desenho geomtrico-. Como expliquei  outra 
detetive, na verdade jamais cheguei a v-los. Permaneceram aqui s quatro meses.
- que no mostra os apartamentos aos possveis inquilinos, senhor Nieman? No aceita em pessoa seus formulrios? 
-Como regra, com certeza. Neste caso em particular, o arrendatrio enviou por correio referncias e um cheque bancrio como depsito pelo primeiro e ltimo aluguel. 
- habitual que alugue um apartamento dessa maneira? 
-No -depois de clarear a garganta, brincou com o n de sua gravata-. A carta veio acompanhada de um telefonema. O senhor Davis, o inquilino, explicou que era amigo 
do senhor e a senhora Ellison. Os Ellison tinham alugado a cobertura antes, durante trs anos. Um casal encantador, com um gosto elegante. Mudaram-se para Boston. 
Como os conhecia, no precisava ver a cobertura. Afirmou que tinha assistido a vrios jantares e outras festas na casa dos Ellison. Olhe, estava ansioso para alug-lo, 
e como suas referncias eram impecveis 
-As verificou? 
-Com certeza com os lbios franzidos, Nieman se ergueu-. Levo muito a srio minhas responsabilidades. 
-Como ele ganhava a vida? 
-Trabalha como engenheiro numa empresa local. Quando me pus em contato com a empresa, disseram que o tinham na mais alta estima. 
-Que empresa? 
-Ainda tenho seus dados estendeu a mo para a mesinha do centro para recolher uma pasta fina-. Foxx Engineering comeou, depois recitou a direo e o telefone-. 
Tambm entrei em contato com o encarregado do edifcio onde vivia. Ns temos um cdigo tico. Me assegurou que o senhor Davis era um arrendatrio ideal, responsvel 
e pontual na hora de pagar. E assim foi. 
-Mas nunca chegou a v-lo em pessoa? 
-Leste  um edifcio grande. H vrios inquilinos que no vejo. Nos encontramos  de maneira regular  com os problemticos, e o senhor Davis jamais causou um problema.

Nunca causou um problema, pensou com gesto sombrio enquanto terminava o lento processo de ir de porta em porta. Tinha conseguido uma cpia do contrato, das referncias 
e da carta de Davis. J passava do meio dia e j tinha entrevistado quase todos os inquilinos que tinham respondido seu telefonema. S trs afirmavam ter visto o 
misterioso senhor Davis. Nesse momento Colt dispunha de trs descries diferentes para adicionar ao relatrio. 
O selo da polcia na porta da cobertura tinha impedido a entrada. Poderia ter aberto a fechadura e cortado a fita, mas duvidava que fosse encontrar um pouco de utilidade. 
De modo que tinha comeado por cima. Nesse momento percorria o terceiro andar, dominado pela frustrao e o comeo de uma dor de cabea. 
Chamou no apartamento 302 e sentiu que o avaliavam atravs do olho mgico. Ouviu o rudo e a corrente de segurana e do ferrolho. E se viu avaliado cara a cara por 
uma mulher grande, com uma mata selvagem de cabelo tingido por uma improvvel cor laranja. Tinha os olhos azuis brilhantes que refletiam dzias de rugas enquanto 
o estudava. O moletom dos Denver Broncos que usava era do tamanho de uma loja de campanha, e cobria o que Colt deduziu que eram cem quilos de massa corporal. Tinha 
uma padada dupla e j tinha comeado a desenvolver uma tripla. 
-Voc  atraente demais para vender algo que no quero. 
-No, senhora  se tivesse usando um chapu, o teria tirado-. No vendo nada. A polcia est levando a cabo uma investigao. Gostaria de lhe fazer algumas perguntas 
a respeito de uns vizinhos seus. 
- Voc  polcial ? Se fosse, teria uma indentificao. 
-No, senhora, no sou polcia parecia ser mais aguda do que Nieman.-.Realizo um trabalho particular. 
- detetive? os olhos azuis se iluminaram como dois faris-. Como Sam Spade? Juro que Humphrey Bogart foi o homem mais sexy que jamais nasceu. Se eu tivesse sido 
Mary Astor, no teria pensado nem dois segundos num pssaro de metal quando podia t-lo. 
-No, senhora  demorou um momento, mas ao final captou a referncia ao Falo Maltes-. Minhas preferncias eram por Lauren Bacall. Era quem fazia cantar os pssaros 
no Sonho Eterno. 
-Com certeza que sim soltou uma gargalhada- Bem,  entre. No faz sentido que fique a de p. 
Colt entrou de imediato e teve que esquivar de mveis e gatos. O apartamento estava cheio de ambos. Mesas, cadeiras, lustres, algumas boas antiguidades, outros objetos 
sem valor comprados em alguma loja de usados, disseminados sem ordem por amplo salo. Meia dzia de gatos de todas as descries se encontravam deitados em toda 
a parte.
-Sou colecionadora informou a mulher, sentando-se num sof de duas vagas de estilo Luis XV. Seu corpo ocupou dois teros das almofadas, de modo que Colt elegeu 
ocupar uma cadeira de estilo colonial-. Chamo-me Esther Mavis. 
-Colt Nightshade aceitou que um gato cinza saltasse sobre a cadeira e outro sobre o respaldo para olhar o seu cabelo. 
-Bem, quem estamos investigando, senhor Nightshade? 
-O inquilino que ocupou a cobertura. 
-O que acaba de descobrir? coou-se a cabea.- Ontem vi uns homens uniformizados colocar coisas em um furgo. 
Igual as outras pessoas, pensou Colt. Ningum tinha preocupado em fixar-se um furgo que levava o nome de alguma empresa de transportes. 
-Prestou ateno ao furgo, senhora Mavis? 
-Senhorita indicou-. Era grande. No se comportavam como transportadores. 
-Como? 
-Trabalhavam depressa. No como pessoas  que se paga por hora, sabe. Levaram algumas peas boas observou seu prprio salo-. Gosto de antiguidades e obras raras. 
Tinha uma mesa Belker que gostaria de possuir. No sei onde teria colocado, mas sempre encontro um lugar. 
-Poderia descrever alguns dos transportadores? 
-No me fixo nos homens a no ser que tenham algo especial lhe deu uma piscada. 
-E que me diz do senhor Davis? O viu alguma vez? 
-No posso assegurar. No conheo  quase ningum do edifcio por seu nome. Meus gatos e eu somos reservados. Que fez? 
-Estamos investigando. 
-No quer soltar a descoberta, no ? Bogey teria feito o mesmo. E bem, se mudou? 
-Isso parece.
-Suponho que ento no poderei entregar seu pacote. 
-Pacote? 
-Chegou ontem. Um mensageiro o trouxe e o deixou aqui por erro. Davis, Mavis -moveu a cabea-. Nestes dias as pessoas no prestam muito atendimento aos detalhes. 
-Sei a que se refere com cuidado tirou um gato do ombro-. Que tipo de pacote , senhorita Mavis? 
-Um pacote pacote com uns rosnados e apitos, ps-se de p-. Pus no quarto. Ia subir hoje se moveu como uma espcie de tanque graciosos pelos espaos estreitos 
que tinha entre os mveis e regressou com um envelope fechado e acolchoado. 
-Senhora, gostaria de levar isto. Se representa algum problema para voc, pode chamar o capito Boyd Fletcher, da polcia de Denver. 
-No faz diferena entregou o pacote-. Quem sabe, quando estiver resolvido o caso, possa vir contar-me o que tinha dentro. 
-O farei seguindo um impulso, pegou a foto de Liz-. Viu esta jovem? 
A senhorita Mavis a estudou com o cenho franzido, depois moveu a cabea. 
-No que eu recorde. Est metida em problemas? 
-Sim, senhora. 
-Tem algo que ver com a cobertura? 
-Creio que sim. 
- uma jovem muito bonita devolveu a foto-. Espero que a encontre logo. 
-Eu tambm. 

No era o seu procedimento habitual de conduta. Colt no saberia dizer por que tinha realizado uma exceo, mas em vez de abrir o pacote e vistoriar de imediato 
seu contedo, deixou-o sem abrir e foi para o frum. Chegou bem a tempo para presenciar o interrogatrio da defesa de Althea. Estava vestida com um conjunto azul, 
que poderia ser indiferente se no fosse ela a vesti-lo, com o cabelo preso e um colar de prolas de uma volta. 
Colt se sentou na parte de trs do tribunal e observou enquanto ela respondia as perguntas com pacincia ao argumento de defesa. Em nenhum momento levantou a voz, 
nem gaguejou. Qualquer um que escutasse ou olhasse, includo o jri, a teria considerado uma profissional perfeita. 
O que ela realmente ! concluiu Colt enquanto esticava as pernas e esperava. Com certeza, ningum que a observasse nesse momento imaginaria que se ardia como um 
foguete nos braos de um homem. Em seus braos. 
Ningum iria supor que essa mulher meticulosa e controlada se arqueava enquanto as mos de um homem, suas mos, percorriam-na. 
Era impossvel esquecer. 
E ao estud-la nesse momento, quando no era consciente de sua presena e estava completamente centrada na tarefa que a ocupava, comeou a notar outras coisas, coisas 
pequenas. 
Estava cansada. Podia ver em seus olhos. De vez em quando sua voz refletia um deixe leve de impacincia quando a obrigavam a repetir. Cruzou as pernas. Foi um movimento 
suave, discreto, como de costume. Mas Colt percebeu algo mais, inquietude, no nervos. Desejava que sua declarao acabasse de uma vez. 
Ao terminar o interrogatrio, o juiz declarou um descanso de quinze minutos. 
Jack Holmsby a tomou pelo brao antes de que pudesse passar a seu lado. 
-Bom trabalho, Thea. 
-Obrigada. No vai haver nenhuma problema para conden-lo. 
-Isso no me preocupa  se moveu o suficiente para bloquear o passo dela -. Escuta, lamento que as coisas no foram bem, na outra noite. Por que no voltamos a tentar? 
Que tal se jantarmos esta noite, s voc e eu? 
Ela aguardou um instante, no tanto irritada por sua descarao, mas pelo cansao que ele provocava. 
-Jack, as palavras nem no inferno significam algo para voc? 
Ele riu e apertou o brao dela num gesto ntimo. Durante um momento, ela considerou a idia de algem-lo e acus-lo de agresso. 
-Vamos, Althea. Gostaria de ter a oportunidade de compensar minha atitude da outra noite. 
-Jack, ns dois sabemos do que voc gostaria. Mas isso no vai acontecer, agora, solte o brao enquanto os dois estamos do mesmo lado da lei. 
-Voc poderia ser um pouco mais... 
-Tenente? disse Colt, deixado que seu olhar percorresse Holmsby-. Tem um minuto?
-Nightshade a irritou que ele tivesse presenciado aquela cena-. Perdoe-me, Jack. Tenho trabalho saiu do tribunal, deixando que Colt a seguisse-. Se tem algo que 
ainda valha a pena, me solte ordenou-. Neste momento os advogados no so do meu agrado. 
Tomou-a pelo brao e se crispou quando ela ficou rgida. Contendo-se, conduziu-a para as portas. 
-Meu carro est aqui na frente. Por que no damos um passeio enquanto  nos colocamos em dia? 
-Perfeito. Vim andando da delegacia at aqui. Pode me levar. 
-Bem encontrou outra multa no parabrisas, o qual no o surpreendeu, j que tinha estacionado numa zona restrita. A guardou e subiu no veculo -Lamento ter interrompido 
seu ritual de esclarecimento. 
-Olhe..por que voc no...  Comeou enquanto colocava o cinto de segurana. 
-Tenente, sonhei em fazer exatamente isso estendeu a mo para abrir a porta. Nessa ocasio ela no ficou rgida ante o contato, s pareceu retrair-se-. Aspirina.
-Que? 
-Para a dor de cabea. 
-Estou bem no era do todo uma mentira. O que tinha no podia qualificar-se como dor de cabea. Parecia mais um trem  de ferro correndo a toda velocidade por seu 
crebro. 
-Odeio mrtires. 
-Me deixe em paz fechou os olhos e conseguiu isolar-se. 
No estava bem em absoluto. No tinha dormido. Ao longo dos anos se acostumou em dormir duas ou trs horas por noite. Mas na anterior no tinha dormido nada e era 
muito orgulhosa para culpar a quem merecia. Colt. 
Tinha pensado nele. Tinha repassado a impossvel cena na cobertura, e tinha palpitado. Para voltar a fustigar-se. Tinha tentado de tudo para tirar ele da cabea, 
um banho quente, um livro aborrecedor, yoga, conhaque quente. Nada a tinha aliviado. 
Tinha dado voltas na cama e ao final tinha terminado por levantar-se para passear inquieta pelo  apartamento. E tinha visto o sol nascer. 
Desde o amanhecer estava trabalhando. Nesse momento era uma  da tarde e j estava no trabalho quase oito horas sem um descanso. E o que piorava tudo, o que o fazia 
intolervel, era que talvez terminasse passando outras oito horas com Colt. 
Abriu os olhos quando ele freiou bruscamente. Tinham parado em frente a um supermercado. 
-Preciso de uma coisa comentou, saindo. 
Perfeito, estupendo, pensou, e voltou a fechar os olhos. No se preocupa em perguntar se talvez eu preciso de algo. Como uma serra para cortar-me a cabea. 
Ouviu-o regressar. Pareceu estranho reconhecer o som de seus passos depois de to pouco tempo. Com obstinao, manteve os olhos fechados. 
-Aspirina meteu algo na mo. -Ch explicou quando ela abriu os olhos para observar a xcara de papel- Para diminuir a dor de cabea  abriu o pote e o colocou 
entre suas mos- E agora tome os malditos tabletes, Althea. -Mostrou um pacote de biscoitos salgados. -E coma isto. Deve que estar sem comer nada o dia todo, se 
no contarmos as bolachas de chocolate ou os caramelos. Jamais vi a uma mulher acabar com os caramelos como voc faz. 
-O acar tem bastante energia mas levou as aspirinas  boca e bebeu o ch. O pacote com bolachas salgadas fez com que franzisse o cenho-. No tinha nada doce? 
-Precisa de protenas. 
-Garanto que as tortas tm protenas o ch era demasiado forte e amargo, mas ajudou - Obrigado bebeu outro gole, depois abriu a caixa de bolachas. Era importante 
recordar que era responsvel de suas prprias aes, reaes e emoes. Se no tinha dormido, era problema seu-. Os garotos do laboratrio j devem de ter terminado 
na cobertura.
-Sim. Estive l. 
-Preferiria que no atuasse sozinho. 
-No posso satisfazer todo mundo, de maneira que satisfao a mim mesmo. Falei com um cara de fuinha encarregado do edifcio. Jamais viu o inquilino da cobertura 
enquanto Althea se concentrava na comida improvisada, ps a falar. 
-Sabia  de Davis afirmou ela quando Colt concluiu-. Tirei Nieman da cama esta manh. J chamei s referncias. Telefones desconectados em ambos casos. No h nenhuma 
Foxx Engineering nessa direo, nem em nenhuma outra em Denver. Liguei para o casal da referncia que Davis deu. O senhor e a senhora Ellison, os anteriores inquilinos, 
jamais ouviram falar dele. 
-Tem estado ocupada  observou e martelou com um dedo sobre o volante-. Que era isso de no atuar sozinho? 
Ela sorriu um pouco. A dor de cabea remetia. 
-Eu levo um distintivo soltou-. Voc no. 
-Seu distintivo no introduziu voc no apartamento da senhorita Mavis. 
-Descobriu algum fato? 
-Creio que sim satisfeito de ir adiante dela, levou a mo atrs e lhe mostrou o pacote-. O mensageiro o entregou  dama dos gatos por engano. 
-Dama dos gatos? 
-Teria que ter estado ali o apartou quando tentou tirar-se-.  minha descoberta, encanto. Estou disposto a compartilh-la. 
Impacientou-se, mas se acalmou ao ver que no tinha aberto. 
-Continua fechada. 
-Pareceu-me justo a olhou aos olhos-. Pensei que poderamos abrir juntos. 
-Ao que parece desta vez acertou. Vamos d uma olhada. 
Colt baixou a mo e sacou uma faca da porta. Ao abrir o pacote, Althea franziu os olhos. 
-No creio que esse brinquedo entre nos limites legais. 
-No respondeu de bom humor e voltou a guard-lo na bota. Meteu a mo no envelope e extraiu uma fita de vdeo e uma folha de papel. 
-Edio final. Est preparado para as dificuldades? No final de semana se espera muita neve. Os vveres no escasseiam. No vez seguinte envio fitas e cervejas. 
Os caminhos talvez estejam fechados. 

Althea sustentou a folha por uma ponta e tirou uma bolsa de plstico da bolsa. 
-Procuraremos impresses. Talvez tenhamos sorte.- poderia revelar-nos quem . Mas no onde est guardou a fita de novo no envelope-. -Quer assisti um vdeo? 
-Sim Althea depositou a bolsa no colo e a fechou-. -Mas acredito que este filme requer uma sesso privada. Tenho um vdeo cassete em casa.


Tambm tinha um sof cmodo com muitas almofadas. No solo de madeira reluzente ficavam ressaltados os tapetes ndios. Os quadros de arte dec da parede deveriam 
de ter se chocado com os toques decorativos do sudoeste, mas no era assim. Nem as exuberantes plantas sobre o carrinho de ferro forjado, nem os dois peixes dourados 
que nadavam no aqurio com forma de tubo nem o banquinho que parecia um gnomo sorridente. 
-Um lugar interessante comentou. 
-Cumpre com sua funo se dirigiu para uma prateleira central de cromo e cristal enquanto tirava os sapatos. 
Colt decidiu que esse gesto lhe falava bem mais de Althea Grayson do que uns detalhados relatrios pessoais. 
Com sua habitual eficcia, meteu a fita no vdeo cassete e ligou o televisor. 
Passados cinco segundos de fita em alvo, comeou o espetculo. 
Inclusive para um homem com a experincia dele, foi uma surpresa. 
Meteu as mos nos bolsos e se apoiou nos calcanhares. Sups que era uma tolice, j que ambos eram profissionais e adultos, mas experimentou uma inegvel sensao 
de vergonha. 
-Eu, hummm, suponho que no esperam ascender o desejo do pblico com isto. 
Althea inclinou a cabea e estudou a tela com um distanciamento clnico. No era fazer amor. Nem sequer era sexo, segundo sua prpria definio. Era porn direto, 
mais pattico que estimulante. 
-Vi coisas mais quentes em despedidas de solteiro. 
-Srio? Colt afastou a vista da tela o tempo suficiente para olh-la com uma sobrancelha arqueada. 
-A fita mostra uma qualidade surpreendente. E a gravao, se pode chamar assim, parece bastante profissional escutou os gemidos-. O som tambm assentiu quando 
a cmara passou a um plano general-. No  a cobertura. 
- Deve ser a choupana das montanhas. Rstica, mas cara, pela madeira. A cama parece Chippendale. 
-Como sabe? 
-A minha me gosta de antiguidades. Olha o lustre que h junto  cama.  uma Tiffany, ou uma boa imitao. Ah, o argumento se enriquece 
Observaram a outra mulher entrar no enquadre. Umas poucas linhas de dilogo indicaram que tinha encontrado  seu amante e a sua melhor amiga. A confrontao se tornou 
violenta. 
-No acredito que o sangue seja falso  observou Althea com os dentes apertados quando a primeira mulher recebeu um golpe duro na cara-. E tambm no creio que esperasse 
o golpe. 
Colt praguejou baixinho  medida que se desenvolvia a cena. A mistura de sexo e violncia, uma violncia centrada nas mulheres, tornava toda a cena desagradvel. 
Teve que se segurar para no desligar o televisor. 
J no se tratava de uma questo de sexo bonacho divertido, e sim de repulso. 
-Est bem, Nightshade?  apoiou uma mo em seu brao. Ambos sabiam o que ele mais temia, que Liz aparecesse na tela. 
-Acho que no vou querer pipocas. 
Instintivamente, Althea deixou a mo onde estava e ficou perto dele. 
Tinha uma espcie de padro e comeou a segui-lo. Um fim de semana numa choupana num lugar de esqu, dois casais que se misturavam e relacionam de vrias maneiras. 
Observou isso e se centrou nos detalhes. O mobilirio. Colt tinha razo era de primeira. Os diferentes ngulos da cmara mostraram que a casa tinha dois andares 
com um espao difano e tetos altos com vigas. Chamin de pedra, jacuzzi. 
Com umas poucas tomadas artsticas, viu que nevava um pouco. Captou cenas de rvores nevadas e cumes brancos. Numa cena no exterior que pareceu ser mais do que incmoda 
para os atores, notou que no tinha nenhuma casa ou estrutura perto. A fita terminava sem os crditos. E sem Liz. Colt no soube se sentia-se ou no aliviado. 
-No creio que v ganhar um Oscar Althea manteve a voz calma enquanto rebobinava a fita-. Est bem? -No estava bem. Ardiam-lhe as entranhas e precisava liberar 
a tenso. 
-Foram duros com as mulheres disse com cuidado-. Violentos para valer. 
-A primeira vista, diria que os principais clientes para este tipo de coisas seriam sujeitos que fantasiam com a dominao fsica e emocional. 
-No creio que se possa aplicar a palavra fantasia a algo assim. 
-Nem todas as fantasias so bonitas murmurou pensativa. A qualidade era boa, mas a parte da atuao, do emprego do vocbulo de forma liberal, era pattico. Ser 
possvel que alguns de seus clientes vivam suas fantasias ao vivo? 
-Era o que faltava respirou fundo - A carta de Jade mencionava que uma das garotas tinha morrido. Quem sabe no se enganou. 
-O sadismo  um instrumento sexual peculiarque com freqncia pode escapar das mos. Poderemos localizar a regio pelas tomadas exteriores foi extrair a fita, 
mas ele a fez dar a volta. 
-Como pode ser to fria? No a afetou? No lhe provocou nada? 
-Seja o que seja, enfrento isso. Deixemos as personalidades fora disto. 
-No. Basta saber com quem est trabalhando. Falamos do fato de que alguma garota poderia ter morrido diante da cmara o dominava uma fria que no podia controlar 
e uma terrvel necessidade extravass-la-. Acabamos de ver a duas mulheres sendo esbofeteadas, empurradas, golpeadas e ameaadas com ameaas de receber algo pior. 
Quero saber o que sente ao olhar isso. 
- Me deixa com muita raiva gritou, soltando-se-. Me revolta. E se me permitisse, teria me entristecido. Mas a nica coisa que importa, importa para valer,  que 
dispomos de nossa primeira prova pegou a fita e a guardou no estojo-. E agora, se quer me fazer um favor, me deixar na delegacia para que a possa entregar. Depois 
poder me dar um pouco de espao. 
-Claro, tenente foi  porta para abr-la-. Te darei todo o espao que precisa. 










Captulo 5


Colt tinha trs rainhas, e pareceu uma pena que a nica que desejava estivesse sentada frente a ele, aumentando a aposta que acabava de fazer. 
- A vai seus vinte e cinco, Nightshade, e mais vinte e cinco Althea jogou umas fichas mais. Tinha as cartas coladas ao peito. 
- Ah, bom -Sweeney suspirou e observou as cartas horrveis que tinha, como se com o desejo pudessem se converter numa mo ganhadora-.  muito para mim.
De seu assento entre Sweeney e um detetive forense chamado Louis, Cilla considerou sua dupla de cinco. 
- O que parece, Matador? 
Keenan, vestido para ir dormir com uma camiseta dos Denver Nuggets, botou as cartas em seu colo. 
- Solta o dinheiro. 
- Para voc  fcil dizer mas empurrou as fichas ao centro. 
Depois de um debate pessoal que incluiu murmrios, movimentos na cadeira e de cabea. Louis tambm entrou na jogada.
-Cubro teus vinte e cinco disse Colt. Manteve o cigarro entre os dentes enquanto contava as fichas-. E volto a subir. 
Boyd sorriu, contente de ter passado. Produziu-se outra ronda de apostas; na mo s ficaram Althea, Cilla e Colt. 
- Um trio de impressionantes rainhas anunciou, mostrando as cartas. 
- Boa os olhos de Althea brilharam ao olh-lo-. Mas meu full pode com elas estendeu as cartas para revelar trs oitos e um par de reis. 
- Isso destroa meus dois cincos Cilla suspirou enquanto Althea recolhia os ganhos.- muito bem, pequeno, custou-me setenta e cinco centavos. Agora v  dormir pegou 
no colo um risonho Keenan ao levantar-se.
- Papi! estendeu os braos e sorriu-. Me ajude! No deixe que ela me coloque na cama! 
- Sinto, filho Boyd revirou o cabelo de seu filho e deu um beijo solene-. Parece que est perdido. Vamos sentir sua falta por aqui. 
-Salva-me! sempre disposto a prolongar o inevitvel, Keenan rodeou o pescoo do Colt. 
Este lhe deu um beijo e moveu a cabea.
-Neste mundo s me assusta uma coisa, colega, uma me. Est sozinho. 
Sustentado pelos braos de Cilla, o pequeno deu uma ronda de beijos. Quando chegou a Althea, brilharam-lhe os olhos. 
- Est bem? Posso? 
Era um jogo antigo que Althea estava disposta a consentir. 
- Por um nquel. 
- Fico te devendo. 
- J me deves oito mil dlares e quinze centavos. 
- Me do a mesada sexta-feira. 
- Muito bem, ento o apoiou em seu pescoo para dar um abrao e ele lhe bagunou o cabelo como um cachorrinho. Colt viu que a expresso de Althea se suavizava e 
que subia a mo para acariciar-lhe a nuca. 
- Gosto disso anunciou Keenan, tentando uma ltima vez com gesto exagerado. 
- No esquea os oito mil de sexta-feira. E agora, adeus depois de dar-lhe um beijo, o passou novamente para Cilla. 
- Vou passar uma jogada sugeriu Cilla, acomodando a seu filho sobre um quadril para lev-lo  cama. 
-Um garoto que sabe convencer uma mulher para que o tenha em seu colo,  um garoto que deve ficar orgulhoso Sweeney sorriu enquanto recolhia suas cartas-. Passo.
Durante a hora seguinte, as fichas de Althea no deixaram de multiplicar-se. Encantava-lhe a partida mensal de pquer que tinha se convertido num costume pouco depois 
de que Cilla e Boyd se casaram. O desafio bsico de superar o talento de seus oponentes a relaxava tanto quanto a atmosfera domstica que impregnava cada canto do 
lar dos Fletcher. 
Era uma jogadora cautelosa, que s apostava quando estava satisfeita com as probabilidades, e que inclusive o fazia de maneira meticulosa e reflexiva. Notou que 
as fichas de Colt tambm tinham se multiplicado. Decidiu que no era temerrio, e sim implacvel. Com freqncia aumentava as apostas quando no tinha nada, ou deixava 
que outros o fizessem quando tinha uma mo ganhadora. 
No segue nenhum padro, pensou, o qual em si mesmo representava um padro. 
- Algum quer uma cerveja? perguntou quando a mo terminou a favor de Sweeney. 
Althea foi para a cozinha e comeou a destampar garrafas. Estava servindo uma taa de vinho quando entrou Colt. 
- Pensei que cairia bem um pouco de ajuda. 
- Posso me arrumar sozinha. 
- Suponho que h poucas coisas com as quais no poderia se arrumar. S quero te dar uma mo.
Maria tinha preparado suficientes sanduches para satisfazer  um peloto. A falta de algo melhor do que fazer, Colt mudou alguns da bandeja para um prato. Decidiu 
que tinha que falar. Ao estar a ss e desfrutar da oportunidade, j no sabia como comear. 
- Tenho que dizer algo sobre esta tarde. 
- Oh? inquiriu com tom gelado. Abriu a geladeira e pegou um prato com uma torta incomparvel que preparava Mara. 
- Eu sinto muito. 
- Perdo? esteve a ponto de soltar a torta. 
- Maldita seja, sinto muito, certo? odiava pedir desculpas, j que significava que tinha cometido um erro, um importante-. Olhar essa fita me balanou. Fez com 
que eu desejasse quebrar alguma coisa, acertar algum. O mais fcil era voc. 
Como era a ltima coisa que teria esperado, surpreendeu-a. Permaneceu com o prato na mo sem saber que fazer. 
- Certo. 
-Temia ver Liz na fita continuou, impulsionado a contar tudo-. E temia no ver desconcertado, pegou uma das garrafas abertas e bebeu um longo trago-. No estou 
acostumado a sentir-me assim assustado. 
Pouco podia ter dito ou feito que tivesse atravessado melhor as defesas dela. Comovida, deixou o prato na mesa e abriu um pacote de batatas fritas. 
- Eu sei. Tambm me senti assim. No deveria ser assim, mas foi verteu as batata em outro prato, desejando que tivesse algo mais do que pudesse fazer-. Lamento 
que as coisas no avancem mais depressa, Colt. 
- Tambm no se estancou. E isso tenho que agradecer a voc pegou uma mo e a deixou cair-. Esta tarde tive vontade de fazer algo mais do que quebrar algo, e foi 
te abraar viu o reflexo de cautela que apareceu no olhar dela e teve que se conter-. No saltar sobre voc. Te abraar. H uma diferena. 
- Sim, h suspirou. Nos olhos dele tinha necessidade. No desejo, s necessidade, de contato, de consolo, de compaixo. Isso ela entendia nele-. Suponho que tambm 
teria me agradado.
- Ainda pode agrad-la  custou dar o primeiro passo, mas avanou para ela com os braos estendidos. 
Ela tambm custou responder para entrar em seus braos e rode-lo com os prprios. 
E quando estiveram perto, quando a face de Althea se apoiou no ombro de Colt, os dois suspiraram. A tenso desapareceu como a gua por um dique. 
No o entendia, nem sequer sabia se poderia aceit-lo, mas a sensao era a correta. A diferena da primeira vez que a tinha abraado, no experimentou luxria nem 
fogo pelo sangue. Seno algo clido, doce e em expanso, slido. 
Poderiam ficar daquela maneira durante horas. 
Ela no se permitia relaxar com muita freqncia, no com um homem, e menos com um que a atraa. Mas foi to fcil, to natural. As batidas constantes de seu corao 
a acalmaram. Sentiu o impulso de esfregar a face contra  a de Colt, de fechar os olhos e ronronar. Quando ouviu que ele suspirar, riu.
-O garoto tem razo murmurou-.  estupendo. 
- Isso vai custar um nquel, Nightshade. 
- Pe em minha conta disse ao levantar o rosto para sorrir. 
No soube se o impacto que sentiu se devia ao fato que Althea jamais o olhara dessa maneira. A nica coisa que sabia era que sua beleza era extraordinria, com o 
cabelo solto e entre suas mos, cintilando como lnguas de fogo sob a intensa luz da cozinha. Os olhos dela sorriam, profundos e cheios de humor, e a boca sem batom, 
curvada, levemente aberta. Irresistvel. 
Rodeou a cabea e a baixou,  espera de que ela se pusesse rgida ou retrocedesse. No fez nenhuma dessas coisas. Ainda que o humor nos olhos se transformasse em 
percepo, a calidez continou presente. Tomou os lbios  de Althea, provando com gentileza, um experimento em emoes. Com os olhos abertos, observaram-se, como 
se cada um esperasse que o outro se movesse ou saltasse. 
Ao permanecer inflexvel em seus braos, Colt mudou o ngulo, mordiscando-a levemente. Sentiu ela estremecer uma vez  medida que lhe escureciam os olhos. Mas seguiram 
abertos. 
Queria v-lo, precisava. Se fechasse os olhos, temia cair no abismo que se abria diante dela. Tinha que ver quem era ele, tentar entender o que tinha nesse homem 
que era capaz de derret-la.
Ningum tinha conseguido anteriormente. E estava orgulhosa de sua capacidade de resistir ou controlar, divertida pelos homens e mulheres que caam sob seus respectivos 
feitios para sofrer os tormentos do amor. Nunca tinha estado segura de que as alegrias equilibrassem esses tormentos. 
Mas quando aprofundou o beijo, de forma lenta e persuasiva, para que no s os lbios, seno a mente e o corpo ficassem envolvidos no contato, perguntou-se que tinha 
perdido ao no permitir jamais que a rendio se misturasse com o poder. 
- Althea -suspirou ao voltar a mudar o ngulo do beijo-. Vm comigo
Compreendia o que ele lhe pedia. Queria que se deixasse ir, que o acompanhasse onde pudesse lev-los o momento. Ceder diante ele, tal como Colt cedia diante ela. 
Que apostasse, quando no estava certa das probabilidades. 
Ele foi o primeiro a fechar os olhos. A calidez  e sonolncia se converteram numa dor embotadora, que era todo prazer. Ela suspirou e tambm os fechou. 
- Ei! O que aconteceu com as cervejas? Haaa....- Boyd tentou no sorrir. Meteu as mos nos bolsos e teve que se conter para no assobiar enquanto seu amigo e sua 
antiga colega se separavam como dois ladres pegos em flagrante - Sinto, garotos  pegou as garrafas de cerveja. Pensou que, em todos os anos que conhecia Althea, 
jamais a tinha visto com essa expresso no rosto- Esta cozinha deve ter algo em especial adicionou ao se dirigir para a porta-. No posso contar as vezes que me 
encontrei fazendo o mesmo aqui. 
Quando a porta se fechou a suas costas, Althea suspirou. 
- Santo cu foi a nica coisa que pde dizer. 
- Parecia bastante satisfeito consigo mesmo, no ? apoiou uma mo no ombro dela. 
- Vai pegar em meu p  sussurrou Althea-. E contar a Cilla, para que ela tambm possa pegar. 
- Provavelmente tenham coisas melhores para fazer. 
- Esto casados soltou-. Gente casada adora em falar da vida de outras pessoas. 
Quanto mais nervosa ficava, mais agradava Colt. Estava convencido de que s alguns escolhidos tinham visto a tenente agitada. Queria saborear cada momento da experincia. 
Com um sorriso se apoiou na mesa. 
- ? Se quer mesmo deix-los loucos, poderia permitir uma visita minha a sua casa. Essa noite.. 
- Em seus sonhos, Nightshade 
- Bom, h certa verdade nisso, querida  arqueou uma sobrancelha. A voz dela tinha soado insegura-. Bem, posso ser sincero e dizer que no estou disposto a esperar 
muito para transformar esse sonho em realidade. 
Althea precisava se acalmar, precisava fazer algo com as mos. Matou dois coelhos com uma cajadada s e pegou a taa de vinho para beber um gole. 
-  uma ameaa? 
- Althea comeou com suma pacincia, o qual tambm o divertiu, j que no lembrava da ultima vez que foi paciente com alguma coisa -. Ns dois sabemos que o que 
aconteceu aqui no pode se converter numa ameaa. Foi agradvel com um dedo acariciou o cabelo-. Se estivssemos sozinhos em algum outro lugar, teria sido bem mais 
agradvel fechou a mo em seu cabelo e a imobilizou-. Eu a desejo, Althea, e muito. Deduza o que quiser disso. 
Ela sentiu que algo lhe percorria as costas. No era medo. Fazia tempo que era policial e podia reconhecer o medo em todas suas formas. E tinha levado sua vida a 
sua prpria maneira o tempo suficiente para mostrar-se cautelosa. 
-Tenho a impresso que deseja muitas coisas. Deseja recuperar Liz, e deseja apanhar e castigar os homens que a seqestraram. Deseja essas coisas a sua prpria maneira, 
com minha cooperao. E -bebeu mais vinho, sem deixar de olh-lo- deseja se deitar comigo. 
 surpreendente pensou Colt. Tinha que estar sentindo um pouco da necessidade e desespero que ele experimentava. No entanto, era como se falasse do tempo. 
- Isso mais ou menos resume tudo. Por que no me conta o que voc deseja? 
Temia saber exatamente o que desejava. 
- A diferena entre voc e eu, Nightshade,  que eu sei que nem sempre se consegue o que se deseja. E agora vou dormir. Foi um dia longo. Pode ir me ver amanh. 
J teremos os desenhos das descries de Meena. Pode ser que aparea algo quando os comparar com fotos do sistema. 
- De acordo a deixaria ir por enquanto. O problema com uma mulher como Althea era que um homem sempre queria seduzi-la, e sempre desejaria que se deitasse com 
ele por sua prpria vontade-. Thea? 
- Sim? deteve-se junto a porta da cozinha e virou a cabea. 
- Que vamos fazer? 
Ela conteve um suspiro de anseio. 
-No sei respondeu com toda sinceridade-. Quem me dera saber.


s nove e meia da manh seguinte, Colt esperava no trabalho de Althea. De puro tdio, folheou alguns dos papis que tinha sobre a mesa. Relatrios, redigidos na 
linguagem peculiar que usavam os policiais, uma linguagem que era ao mesmo tempo concisa e florida. Teve que reconhecer que, para quem gostasse dessa gria burocrtica, 
ela escrevia os relatrios muito bem. Regulamento Grayson, pensou, fechando a pasta. Quem sabe o principal problema que tinha ele tinha visto nela bem mais do 
que a policial profissional. 
Tinha visto ela empunhar uma arma, firme como uma rocha, enquanto seus olhos irradiavam medo e determinao. Tinha visto responder com glria um abrao impulsivo 
e urgente. Tinha visto ondular-se como uma menina, suavizar-se com compaixo e gelar-se como um granizo.
Tinha visto demais e sabia que ainda restava muito por ver. 
Mas sua prioridade era Liz, tinha que ser. No entanto, Althea seguia em seu interior, como uma bala alojada na carne. Quente, dolorosa e impossvel de evitar. 
Enfurecia-o. Irritava-o. E quando ela entrou na sala, o fez rosnar. 
- Estou esperando h quase uma hora. No tenho tempo para isto. 
-  uma pena deixou outra pasta sobre a mesa, notando de imediato que tinham mexido em seus papis-. Quem sabe voc v muita televiso, Nightshade.  o nico lugar 
onde um policial trabalha um caso por vez. 
- Eu no sou policial. 
-  mais do que evidente. E a prxima vez que tiver que me esperar, mantenha o nariz longe de meus papis. 
- Escuta, tenente -amaldioando, calou quando soou o telefone. 
- Grayson ao falar se sentou atrs de sua escrivaninha e pegou um lpis-. Sim. Sim, tenho. Foi um trabalho rpido, sargento. Obrigada. Farei se alguma vez eu passar 
por ali. Obrigada de novo cortou de imediato e ps a anotar um nmero-. Kansas City localizou  me de Jade informou a Colt-. Mudou-se para Missouri. 
- Jade est com ela? 
-  o que vou tentar averiguar ao terminar de anotar, olhou a hora-. Trabalha de garonete pelas noites. O mais provvel  que agora a encontre em casa antes que 
Colt pudesse voltar a falar, levantou uma mo para pedir silncio-. Oi, gostaria de falar com Janice Willowby uma voz sonolenta e irritada disse que Janice no 
vivia ali-.  a senhora Willowby? Senhora Willowby, sou a tenente Grayson, da polcia de Denver No, senhora, no aconteceu nada. No est metida em nenhum problema. 
Cremos que poderia nos ser de certa ajuda num caso. Teve notcias de sua filha nas ltimas semanas? escutou com pacincia enquanto a mulher negava ter estado em 
contato com Janice e, irritada, exigia informao-. Senhora Willowby, Janice no  uma fugitiva da justia nem suspeita de crime. Mas precisamos falar com ela seus 
olhos se endureceram, com rapidez e frialdade -. Perdo? Como no estamos pedindo que entregue sua filha, no considero lgico oferecer-lhe uma recompensa. Sim 
Colt cobriu o fone com a mo.
- Cinco mil dlares indicou-. Se ela nos por em contato com Jade, esta nos conduz a Liz viu a negativa nos olhos dela, mas se manteve firme-. No depende de voc. 
Recompensa  particular. 
Althea  engoliu o desgosto. 
- Senhora Willowby, h um grupo privado que autoriza entregar a soma de cinco mil dlares por informao sobre Janice, com a condio de que isso ajude a fechar 
satisfatoriamente a investigao. Sim, estou convicta de que podero dar em efetivo. Oh, estou certa de que far o que puder. Pode pr-se em contato comigo as vinte 
e quatro horas do dia, neste nmero o repetiu duas vezes-. A cobrar, certamente. Tenente Althea Grayson, Denver. Espero que telefone depois de pendurar, jogou 
chispas pelos olhos-. No me estranha que garotas como Jade abandonem o lar e terminem na rua. No se importava com sua filha, s queria estar certa de que nada 
repercutiria sobre ela. Se Jade estivesse com problemas, sem pestanejar a teria entregue pelo dinheiro mencionado.
-Nem todo mundo tem instinto maternal. 
- Isso me ocorreu guardou as emoes para que no interferissem neste caso- Meena est trabalhando com o desenhista da polcia, e deu com um que parecia uma das 
estrelas da produo que vimos ontem. 
- Quem? 
- A com a jaqueta vermelha de couro. Enviamos uma cpia a narcticos para comear. Requerer tempo. 
- No disponho de tempo. 
Ela deixou o lpis e juntou as mos. Prometeu que no voltaria a perder a estrebeira. 
- E ocorre algo melhor a fazer? 
- No deu a volta e virou-se outra vez para olh-la-. Alguma impresso no carro usado para matar Billings? 
- Limpo. 
- A cobertura? 
- Nenhuma. Alguns cabelos. No nos ajudaro a localiz-los, mas sero importantes para atar o caso no tribunal. O laboratrio est trabalhando na fita e na nota. 
Quem sabe tenhamos sorte. 
- E em pessoas desaparecidas? Algum cadver sem identificar no depsito? Jade disse que acreditava que tinham matado uma das garotas. 
- No apareceu nada. Se mataram algum que estava algum tempo na rua,  improvvel que denunciem seu desaparecimento. Verifiquei todas as mortes suspeitas e sem 
identificar dos ltimos trs meses. Ningum encaixa no perfil. 
- Um pouco de sorte nos abrigos para os moradores de rua? 
-Ainda no titubeou, depois decidiu que era melhor que falasse-. H algo que tenho que contar. 
- Adiante. 
- Temos algumas meninas bonitas e jovens. Boas policiais. Poderamos coloc-las incgnitas nas ruas e ver se recebem alguma oferta de cinema. 
Colt pensou na idia. Pensou que tambm isso requereria tempo. Mas ao menos oferecia uma possibilidade. 
-  uma misso delicada. Tem algum que seja bastante boa para lev-la a cabo? 
- Disse que sim. Eu faria  
- No a brusca negativa foi como um rugido. 
- Disse continuou ela sem pestanejar- eu faria , mas no posso passar por uma adolescente. Ao que parece nosso produtor prefere meninas. O colocarei a parte do 
que for decidido. 
-De acordo. Pode me conseguir uma cpia da fita? 
- Suas noites esto aborrecidas? sorriu. 
- Muito engraado. Pode? 
Meditou-o. No se ajustava aos procedimentos oficiais, mas no podia causar problemas. 
- Falarei com o laboratrio. Enquanto isso, vou interrogar o garom de Clancy. Aposto que foi ele quem deu o aviso ao grupo da Segunda Avenida.  possvel que consigamos 
algo. 
- Irei com voc. 
- Eu vou com Sweeney moveu a cabea e sorriu-. Um enorme irlands num bar chamado Clancy. Pode encaixar. 
-  um jogador de pquer horrvel. 
- Sim, mas um encanto o surpreendeu adotando um perfeito sotaque irlands. 
- O que voc acha se eu acompanhar de qualquer modo? 
- O que voc acha de esperar meu telefonema? levantou e ps uma jaqueta azul marinho que tirou do respaldo da cadeira. Usava cala da mesma cor e uma blusa mais 
clara, de seda. A pistoleira e a arma eram to naturais nela que poderiam ser acessrios de moda. 
- Voc vai me ligar. 
- Disse que faria. 
Colt apoiou as mos nos ombros dela e encostou a testa na sua. 
- Marleen me telefonou esta manh. No gosto de lhe dar falsas esperanas, mas disse que estvamos chegando perto. Tive que fazer. 
-O que sirva para tranqiliz-la  o certo  no pde evitar apoiar a mo na face dele para dar-lhe calor, depois a deixou cair-. Agente, Nightshade. Reunimos muita 
informao em pouco tempo. 
- Sim  afastou a cabea e baixou as mos pelos braos de Althea at que seus dedos se entrelaassem-. Deixarei voc ir procurar o intimidador irlands. Mas, uma 
coisa mais levantou as mos de ambos para estudar o contraste de textura, tom e tamanho-. Cedo ou tarde teremos que nos ocupar de outras coisas. 
- Ento o faremos. Ainda que talvez voc no goste do resultado. 
Tomou-lhe o queixo com uma mo e deu um beijo intenso e a soltou antes que ela pudesse fazer outra coisa que murmurar. 
- Eu digo o mesmo. Tenha cuidado a fora, tenente. 
- Nasci cautelosa, Nightshade saiu colocando a jaqueta. 

Dez horas mais tarde, estacionou o carro na garagem de seu edifcio e se dirigiu ao elevador. Estava ansiosa para tomar um banho de gua quente, uma taa de vinho 
branco gelado e escutar um blues lentos. 
Ao subir ao seu apartamento, apoiou-se na parede do elevador e fechou os olhos. No tinham conseguido grande coisa com o garom, Leio Dorsetti. Os subornos no tinham 
funcionado e tambm no as ameaas veladas. Althea no duvidava de que tinha contatos com o crculo da pornografia. Nem que estava preocupado com a possibilidade 
de acontecer o mesmo que a Wild Bill. 
Chegou  concluso de que precisava de algo mais do que algumas notas. Tinha que descobrir algo no envelope de Leio Dorsetti,  bastante slido para poder lev-lo 
 delegacia para interrog-lo.
Quando o tivesse em seu terreno, estava convencida de que conseguiria que ele soltasse a lingua. 
Fez soar as chaves nas mos ao sair do elevador e avanar pelo corredor. Tinha chegado o momento de se dar um descanso, ao menos durante uma ou duas horas. Impacientar-se 
em um caso geralmente s conduzia a cometer erros. 
J tinha aberto a porta quando o alarme disparou em sua cabea. No questionou o que o tinha ativado, simplesmente pegou a arma. Verificou os cantos e por trs da 
porta. 
Estudou a sala e notou que no tinha nada fora de lugar a no ser o disco de Bessie Smith nesse momento soava no aparelho de som. E o aroma. A comida, levemente 
picante. Deu gua na boca, ainda que sua mente permanecesse alerta. 
Girou ao captar um som procedente da cozinha. 
Colt se deteve na porta enquanto  limpava as mos num pano. Sorrindo, apoiou-se no balco. 
- Oi, querida. Teve um bom dia? 








Captulo 6



Althea baixou a pistola. No levantou a voz. As palavras que escolheu, serenas e precisas, nublaram seus sentimentos com mais clareza do que um disparo. 
Quando terminou, Colt moveu a cabea dominado pela admirao. 
-Creio que jamais jogou pragas com mais estilo. E agora estaria agradecido se guardasse essa pistola. No  que acredite que voc v us-la e arriscar manchar o 
assoalho de sangue. 
- Poderia valer a pena guardou a arma, mas sem deixar de olh-lo-. Tem direito de permancer em silncio -comeou. 
Colt levantou as mos e conteve uma gargalhada. 
- O que vai fazer? 
- Ler os seus direitos antes de prende-lo por entrar em minha casa. 
No duvidou de que o faria sem pestanejar. 
-H uma explicao.
-Tomara que seja boa tirou a jaqueta e a apoiou no respaldo de uma cadeira-. Como conseguiu entrar? 
- Eu, e Pela porta? 
- Tem direito a um advogado  franziu os olhos. 
Era evidente que com evasivas no a aplacaria. 
- De acordo, forcei a fechadura com as mos fez o gesto de que se rendia-. Ou  muito boa ou eu estou envelhecendo. 
- Forou a fechadura assentiu, como se o tivesse esperado-. Usa um arma escondida, uma nove milmetros 
- Bom olho, tenente. 
- E uma faca que excede os limites legais continuou-. Ao que parece tambm leva um canivete.
-So teis. Supus que voc teve um dia duro e que merecia chegar em casa para desfrutar de um jantar quente e vinho gelado. Tambm que se irritaria um pouco em me 
encontrar aqui. Mas contei com o fato que me perdoaria uma vez que tivesses provado meu lingini. 
Talvez, pensou ela, se fecho os olhos durante um minuto, tudo desaparea. Mas, ao tentar, ele continuava ali, sorrindo. 
- Seu lingini? 
- Lingini com mariscos. Eu diria que era a receita de minha santa me, mas em sua vida ela s cozinhou um ovo. Voc quer uma taa de vinho? 
- Claro. Por que diabos, no? 
- Assim que se fala entrou na cozinha. Decidindo que podia mat-lo depois, Altea o seguiu. O cheiro era delicioso-. Voc gosta de vinho branco anunciou enquanto 
servia duas taas, utilizando as melhores taas de cristal dela-.  um estupendo vinho italiano, com corpo, que no estragar meu molho. Atrevido, mas com classe. 
Vamos ver se agrada voc. 
Aceitou o vinho e deixou que ele brindasse a taa com a sua, bebeu um gole. Era realmente delicioso. 
- Quem demnios  voc, Nightshade? 
- A resposta as suas preces. Por que no vai  sala se sentar? Sei que quer tirar os sapatos. 
Ela fez, mas no tirou os sapatos ao sentar-se no sof. 
- Explique-se. 
- Acabo de faz-lo. 
-Se no pode pagar um advogado 
- Deus, voc  dura suspirou e se sentou a seu lado-. De acordo, tenho alguns razes. Uma, sei que tem estado dedicando muito tempo extra a minha investigao 
-  meu 
- Trabalho? concluiu por ela-. Talvez. Mas reconheo quando algum d uns passos adicionais, desses que consomem o tempo pessoal, e  preparar o jantar era um modo 
de agradecer. 
Althea pensou que tambm era um detalhe, ainda que no estava disposta a dizer em voz alta. 
- Podia ter mencionado a idia. 
-Segui um impulso. Nunca teve um?
-No teste sua sorte, Nightshade. 
- Bem. Voltando aos motivos, tambm est o fato de que no pude tirar este assunto da cabea durante mais de uns minutos. Cozinhar me ajuda a recarregar. No era 
provvel que Maria me permitisse trabalhar em sua cozinha, assim pensei em voc alongou a mo para enroscar uma mecha de cabelo dela num dedo-. Penso muito em voc. 
E por ltimo, me desculpe, mas queria passar uma noite contigo. 
Comeava a convenc-la. Althea queria acreditar que era pelo delicioso cheiro que saa da cozinha. Mas no conseguiu. 
- Ento forou a fechadura da minha casa para invadir minha intimidade. 
- O nico lugar onde mexi foi nos armrios da cozinha. Era uma tentao reconheceu- mas no fui mais longe. 
- No gosto de seus mtodos, Nightshade com o cenho franzido, fez balanar o vinho na taa. - Mas acredito que vou gostar do seu lingini. 
No gostou, quase a deixou louca. Era difcil guardar ressentimento quando seu paladar tinha sido seduzido por completo. Alguns homens j tinham cozinhado para ela, 
mas no recordava ter ficado jamais to enfeitiada. 
E ali estava Colt Nightshade, sem dvida armado at os dentes embaixo dos jeans velhos e a camisa de flanela, servindo-lhe massa  luz da velas. No  que seja 
romntico, pensou. Era inteligente demais para cair em algo to convencional. Mas era engraado, e estranhamente doce. 
Ao servir-se da segunda poro de lingini, o ps a par dos progressos realizados. Esperavam ter os relatrios do laboratrio em vinte e quatro horas, o garom de 
Clancy estava sendo vigiado e uma agente incgnita se preparava para sair  rua. 
Colt arquivou a informao em mente e compartilhou a sua. Aquela tarde tinha falado com algumas das garotas que trabalhavam nas ruas. Pelo seu encanto ou  pelo dinheiro 
que tinha mudado de mos, inteirou-se de que faziam algumas semanas que no viam em seu lugar habitual uma garota que respondia ao nome de Lacy. 
- Encaixa no perfil continuou, enchendo a taa de Althea-. Jovem e pequena. As garotas me contaram que era morena, mas que gostava de usar uma peruca loira. 
- Tinha cafeto? 
-Mmm. Trabalhava por sua conta. Passei pelo lugar que alugava partiu um po de alho e deu metade a ela-. Falei com o encarregado uma simpatia. Como tinha deixado 
de pagar duas semanas, tinha pego as coisas da casa. Empenhou o que tinha algum valor e tirou o resto.
-Me ocuparei de que todos no Narcticos recebam sua descrio. 
-Bem. Voltei a visitar alguns dos refgios prosseguiu-. Mostrei a foto de Liz e os desenhos da polcia franziu o cenho enquanto brincava com a comida-No consegui 
que ningum os identificasse. De fato, custou-me convencer s jovens de que olhassem os retratos. A maioria queria fazer-se de dura, mas o que eu via em seus olhos 
era medo. 
- Quando se convive com esse medo, tem que ser dura. Quase todas procedem de lares destrudos pela droga, a bebida, abusos fsicos e sexuais. Ou caem nas drogas 
e j no sabem como sair delas moveu os ombros-. Seja como for, fugir parece o melhor caminho. 
- No era assim para Liz. 
- No concordou. Decidiu que era hora de que descansassem desse tema, ainda que fosse por alguns minutos-. sabe, Nightshade? Poderia deixar de brincar de aventureiro 
e dedicar ao campo da advocacia. Faria uma fortuna. 
Colt compreendeu qual era sua inteno e decidiu seguir a corrente. 
- Prefiro reunies pequenas e ntimas. 
- Bem o olhou nos olhos e depois baixou a vista  taa de vinho- se no foi sua santa me quem ensinou a preparar um lingini de primeira, quem o fez? 
-Quando era pequeno tnhamos uma cozinheira irlandesa magnfica. A senhora OMalley. 
- Uma cozinheira irlandesa ensinou a preparar comida italiana. 
- Podia cozinhar o que quisesse, desde um refogado de cordeiro at um frango ao vinho. Colt, moo, costumava dizer-me, o melhor que pode fazer um homem por si 
mesmo  aprender a alimentar-se bem. Depender de uma mulher para que encha a barriga a recordao lhe provocou um sorriso-. Quando me metia em problemas, que 
era quase sempre, fazia-me sentar na cozinha. Recebia discursos sobre como comportar-me e como desossar um frango.
- Bonita combinao. 
- O da conduta eu esqueci caoou-. Mas preparo um estupendo frango recheado. E quando a senhora OuMalley se aposentou, faz uns dez anos, minha me entrou numa 
profunda depresso. 
- E contratou a outra cozinheira sorriu acima da taa. 
- Um sujeito francs com uma uma atitulde esnobe. Ela o adora. 
- Um chef francs em Wyoming. 
- Eu moro em Wyoming disse-. Eles em Houston. Dessa maneira  convivemos melhor. Que me diz de sua famlia?  daqui? 
- No tenho famlia. O que aconteceu com seu ttulo de advogado? Por que no fez nada  respeito? 
- Eu no disse isso a estudou um momento. Tinha soltado a resposta como se a queimasse. Era algo que teria que retomar-. Averiguei que no me agradava passar horas 
em cima de livros de leis, tentado enganar  justia com formalismos. 
- Assim ingressou nas Foras Areas. 
- Era um bom mtodo para aprender a voar. 
- Mas no  piloto. 
- s vezes sim sorriu-. Sinto, Thea, no me encaixo num lugar estreita. Disponho de dinheiro suficiente para fazer o que me agradar quando me agradar.
- E os militares no lhe agradaram? no bastava com sua resposta. 
- Durante um tempo, sim. Depois me fartei - encolheu os ombros e se recostou na cadeira. A luz da vela brilhava em sua cara e em seus olhos-. Aprendi algumas coisas. 
Igual que aprendi da senhora OMalley, e do primrio, e de Harvard, e de um velho treinador de cavalos ndio que conheci em Tulsa h alguns anos. Nunca se sabe quando 
vai utilizar o que aprendeu. 
- Quem ensinou a abrir fechaduras? 
- No vai me jogar na cara, no ? adiantou-se para afastar o cabelo do rosto e servir mais vinho-. Aprendi no exrcito. Fazia parte no que poderia chamar um destacamento 
especial. 
- Operaes clandestinas traduziu ela. No a surpreendia-. Por isso grande parte da sua histria  confidencial. 
- Faz tempo, j teriam me dispensado. Mas sim so as coisas, no? Aos burocratas os segredos tanto como a burocracia. O que fazia era recolher informao, ou plant-la, 
talvez desativar algumas situaes volteis, ou agit-las, dependendo das ordens bebeu de novo-. Suponho que poderamos dizer que comecei a fazer favores s pessoas 
s que essas pessoas dirigiam o governo sorriu-. Ou tentavam. 
- O sistema no agrada voc, no ? 
-Me agrada o que funciona durante um instante, seus olhos perderam o brilho-. Vi muitas coisas que no funcionavam. Portanto - encolheu os ombros e a atmosfera 
escura se desvaneceu-. Abandonei o servio, comprei uns cavalos e vacas e brinquei de ser rancheiro. Parece que os velhos hbitos demoram a desaparecer, porque agora 
volto a fazer favores s pessoas. Salvo que primeiro tm que cair bem. 
- Algumas pessoas diriam que vai custar decidir o que quer ser quando crescer. 
-  possvel. Suponho que  o que venho fazendo. Que me diz de voc? Qual  a histria que h por trs de Althea Grayson? 
- Nenhuma que possa interessar a um produtor de cinema descontrada, apoiou os cotovelos na mesa-. Entrei diretamente na academia ao cumprir os dezoito anos. 
- Por que? 
- Por que me tornei policial? meditou a resposta-. Porque gosto do sistema. No  perfeito, mas se voc trabalha nele, pode conseguir que algo funcione. E a lei 
a afora h pessoas que desejam que funcione. Muitas vidas que perdem nos resqucios que tem. Significa algo quando pode salvar uma. 
- No posso questionar isso sem pensar, apoiou a mo na dela-. Sempre pude ver que Boyd estava destinado a fazer que a lei e a ordem funcionassem. At faz pouco, 
era o nico policial que respeitava o suficiente  para confiar nele. 
- Suponho que acaba de fazer um elogio. 
- No  duvide. Vocs dois tm muito em comum. Uma viso clara, um tipo de valor obstinado, uma compaixo irremovvel sorriu, brincando com seus dedos -A menina 
que salvamos no telhado tambm fui v-la. Estava encantada com a moa bonita de cabelo vermelho que deu uma boneca a ela. 
- Realizei um procedimento.  meu trabalho 
- Tolices satisfeito com a resposta dela, levantou a mo dela e a beijou-. No tinha nada que ver com o dever, e sim com o que voc . Ter um lado sensvel no 
diminui seu lado policial, Thea. S faz voc ser uma policial amvel. 
Soube aonde conduziria isso, mas no afastou a mo. 
- O fato de sentir fraqueza pelos meninos no faz que sinta por voc. 
- Mas sente sussurrou-. Chego at voc sem deixar de observ-la, deslizou os lbios por seu pulso. Sua pulsao era firme, mas tambm rpida-. E no penso em deixar 
de chegar at voc.
-  possvel era inteligente demais para continuar negando o bvio-. Isso no significa que disso v sair algo. No durmo com todos os homens que me atraem. 
- Fico feliz em ouv-lo. Mas vai fazer muito mais do que dormir comigo riu entre dentes e beijou outra vez a mo-. Deus, encanta-me quando fica com essa expresso. 
Me deixa louco. O que ia dizer era que, quando chegarmos  cama, dormir no vai ser a maior prioridade. Assim o melhor ser que descansemos um pouco at ento se 
levantou e a levou consigo. Me d um beijo de boa noite, e deixarei voc descansar agora a surpresa que viu em seus olhos lhe provocou outro sorriso. Esperaria 
at mais tarde para se dar uma palmada nas costas pela estratgia escolhida-. Pensou que tinha preparado o jantar e feito companhia como desculpa para seduzir voc 
suspirou e moveu a cabea-. Althea, estou magoado. Quase destroado. 
Ela riu e manteve a mo na sua. 
-Sabe, Nightshade? As vezes quasegosto de voc. Quase. 
- V? Falta pouco para estar louca por mim a abraou e o retraimento que sentiu nas entranhas contradisse o tom leve que empregou-. Se tivesse me pedido para preparar 
uma sobremesa, estaria suplicando. 
- Voc perdeu burlou-. Todo mundo sabe que palha italina acaba comigo. 
- No  esquecerei  deu um beijo ligeiro e a observou sorrir. E o corao deu um salto-. Deve existir alguma confeitaria italiana por aqui. 
- No. Perdeu sua oportunidade apoiou o tronco no peito dele, dizendo a si mesma que deveria manda-lo embora, enquanto ainda podia sentir as pernas- Obrigada pela 
massa. 
- Claro mas seguiu olhando-a, concentrado nela, como se quisesse ver alm da pele de marfim, dos ossos delicados. Compreendeu que passava algo. Algo interno que 
no terminava de entender-. Tem algo nos olhos. 
- O que?  os nervos de Althea danavam. 
-No sei falou devagar, como se medisse cada palavra-. As vezes quase posso v-lo. Ento, impulsiona-me a perguntar onde tem estado. Aonde vamos. 
Teve que respirar fundo para arejar os pulmes. 
- Voc ia pra casa. 
- Sim. Num minuto.  muito fcil dizer que  linda murmurou, como se falasse consigo mesmo-. Ouvir constantemente  muito superficial para que possa afetar voc. 
H algo mais a. Algo que no consigo discernir sem deixar de procurar em seus olhos, acercou-a ainda mais-. O que h em voc, Althea? O que h que no consigo 
descobrir? 
- Nada. Est acostumado demais a procurar sombras. 
- No, voc tem devagar, subiu a mo at sua bochecha-. E o que tenho eu  um problema. 
- Qual? 
- Provarei com isto.
Baixou a boca para beijar-lhe os lbios e todos os msculos do corpo de Althea se derretiam aos poucos. No foi um beijo exigente nem urgente. Mas teve um resultado 
devastador. Aprofundou-o e a bombardeou com emoes para as quais ela no tinha defesa. Os sentimentos dele se liberaram e a encheram, rodeando-a. 
No h escapatria, pensou ela e ouviu seu prprio som abafado de desespero e aceitao. Colt tinha aberto uma brecha numa defesa que Althea tinha dado por sentada 
e que nunca mais poderia levantar. 
Poderia repetir uma e outra vez que no ia apaixonar-se, que no podia apaixonar-se por um homem que mal conhecia. Mas seu corao j ria da idia. 
Sentiu-a ceder no de tudo, pior sim entregar outra parte de seu ser. Ali tinha bem mais do que paixo; e tambm uma espcie de descoberta. Para Colt foi uma revelao 
descobrir que uma mulher, essa mulher, podia aturdir a sua mente, abrir-lhe o corao e deix-lo desvalido.
- Comeo a perder terreiro manteve a mo no ombro de Althea ao separar-se -. E depressa. 
-  demais foi uma resposta pobre, mas a melhor do que pde dar. 
- Diz isso para mim? os ombros dela voltavam a ficar tensos. Impulsionou-o a separar-se-. Nunca tinha sentido isto antes. E no  um truque  disse quando ela girou. 
- Eu sei. Tomara que fosse agarrou o respaldo da cadeira onde pendurava a cartucheira. um smbolo do dever, pensou. do controle. O que me conformou-. Colt, 
creio que ambos estamos nos metendo mais fundo do que talvez nos agrade. 
- Talvez j nos cansamos de sempre drenar gua. 
- No permito que os assuntos pessoais interfiram em meu trabalho com temor teve que reconhecer que estava pronta, inclusive disposta e ansiosa, para afundar-se-. 
Se no somos capazes de manter isto sob controle, deveria pensar em trabalhar com outra pessoa. 
- Nos damos bem juntos disse com os dentes apertados-. No ponha desculpas falsas porque no quer reconhecer o que acontece entre ns.
-  o melhor do que tenho as juntas estavam alvas de agarrar a cadeira-. E no se trata de uma desculpa, s de um motivo. Quer que diga que me assusta. De acordo. 
Me assusta. Isto me assusta. E no creio que v querer uma parceira que no seja capaz de se concentrar porque voc a deixa nervosa. 
- Talvez esteja mais contente com essa parceira que com a que se concentra tanto que custa reconhecer se  humana no ia permitir que esse momento escapasse-. No 
me diga que no  capaz de trabalhar em dois nveis, Thea, ou que no pode funcionar como policial quando tem um problema em sua vida pessoal. 
- Talvez no queira trabalhar com voc. 
- uma pena, mas no h volta. Se quer nos frear, tentarei com prazer. Mas no vai deixar de Liz porque teme permitir-se sentir algo por mim. 
- Penso em Liz e no melhor para ela. 
- Como diabos vai saber? estourou e se mostrava irracional. Estava a ponto de apaixonar-se por uma mulher que no o queria em nenhum mbito de sua vida. Estava 
desesperado por encontrar  uma jovem assustada, e a pessoa que o tinha ajudado a avanar para seu objetivo ameaava em deix-lo-.Como diabos vai saber algo sobre 
ela ou outra pessoa? Est to dominada pelas regras e os procedimentos que no  capaz de sentir, no, no  que no seja capaz, no quer. Arriscaria sua vida, mas 
um contato com a emoo e em seguida ala um escudo. Tudo tem de ser muito medido para voc, verdade, Thea? A afora h uma menina assustada, mas para voc s  
um caso a mais, simplesmente outro trabalho. 
- No se atreva a dizer o que eu sinto seu controle se quebrou ao apartar a cadeira, que caiu com estrpito ao solo entre os dois-. Ou se atreva a dizer o que entendo. 
 impossvel que saiba o que passa por meu interior. Voc acredita que conhece Liz ou qualquer uma das garotas como as que falou hoje? Por ter entrado nuns refgios 
e albergues acredita que entende? 
Os olhos dela cintilaram com uma ira to aguda que no pde fazer outra coisa que deixar que o cortasse. 
- Sei que h muitas jovens que precisam de ajuda, que nem sempre a encontram.
-Oh, isso parece to fcil se ps a caminhar pela sala e dar uma estranha exibio de movimento intil-. Preenche um cheque, paga uma fatura, pronuncia um discurso. 
Conta to pouco esforo. No tem nem idia do  estar sozinha, ter medo ou se ver presa nessa mquina trituradora  que arrojamos aos jovens deslocados. Eu passei 
quase toda minha vida nessa maquinaria, assim  no me diga que no sinto. Sei o que  almejar escapar, a ponto de correr ainda sem ter aonde ir. E sei o que  que 
desevolvem ali, e voc fica impotente, abusam e a fazem sentir-se presa e miservel. Entendo muito bem. E sei que Liz tem uma famlia que a quer,  que a devolveremos. 
Sem importar o que passe, a devolveremos e no ficar presa nesse ciclo. Assim  no me diga que se trata de outro caso, porque me importo com ela. Todos importam 
calou e passou uma mo trmula pelo cabelo. Nesse momento no sabia que era maior, se a vergonha ou a fria que sentia-. Agora gostaria que fosse embora sussurrou-. 
Para valer. 
- Sinto muito quando ela no respondeu, aproximou-se e a obrigou a sentar-se numa cadeira-. Sinto.  um recorde para mim desculpar-me duas vezes num dia com a mesma 
pessoa quis afastar seu cabelo do rosto, mas se conteve-. Quer um pouco de gua? 
- No. S quero que voc vembora. 
- No posso se sentou no banquinho diante dela para que seus olhos ficassem no mesmo nvel-. Althea... 
Ela se jogou para trs com os olhos fechados. Sentia como se tivesse subido ao cume de uma montanha para atirar-se ao vazio. 
- Nightshade, no estou com humor para contar a histria da minha vida, de maneira que, se espera isso, j sabe onde est a porta. 
- Isso pode esperar correu o risco de tomar-lhe a mo. Notou que estava firme, mas fria- Vamos tentar outra coisa. O que temos aqui so dois problemas diferentes. 
Encontrar a Liz  o nmero um.  uma menina inocente, uma vtima, que precisa de ajuda. Poderia encontr-la s, mas demoraria tempo. E cada dia que passa bom, j 
se passaram muitos dias. Preciso que trabalhe comigo, porque voc conseguir passar pelos canais que eu demoraria o dobro em rodear. E porque confio que dedique 
tudo o que tem para localiz-la e lev-la para casa. 
- De acordo manteve os olhos fechados, concentrada para que desaparecesse a tenso-. A encontraremos. Se no amanh, ao dia seguinte. Mas a encontraremos. 
- Segundo problema contemplou suas mos-. Creio ah, como para mim representa um campo novo, gostaria de indicar que s se trata de uma opinio 
- Nightshade abriu os olhos e neles danou o fantasma de um sorriso-. Juro que fala como um advogado. 
- No creio que deva xingar um homem que vai dizer que est quase convencido de que te ama se moveu incmodo. Ela se sobressaltou. Teria apostado o rancho que, 
se tivesse sacado uma arma, Althea no teria piscado. Mas a meno do amor a fazia dar um bote-. No tema continuou-. Disse quase. Isso nos deixa uma margem de 
segurana.
-A mim d a impresso de que  um campo minado o medo a ps a tremer outra vez, soltou sua mo-. Nestas circunstncias, creio que seria inteligente enterrar o tema 
por enquanto.
- E agora quem fala como um advogado? sorriu-. Querida, isso provoca pnico? Pensa no que faz a mim. S entrei nesse assunto porque espero que isso facilite o que 
estamos encarando. Pelo que sei, bem pode ser a gripe ou algo parecido. 
- Seria estupendo conteve um riso, aterrorizada de que parecesse embriagada-. Descanse e beba muito lquido. 
-Tentarei se adiantou-. Mas se no  a gripe, ou algum outro vrus, vou fazer algo  respeito. O que seja pode esperar at que tenhamos solucionado o primeiro problema. 
At ento, no entrarei mais no tema do amor, nem todas a coisas que pelo geral implica, j sabe o casamento, a famlia e uma casa com garagem para dois carros 
pela primeira vez desde que a conhecia, viu-a totalmente desconcertada. Tinha os olhos muito abertos e a boca frouxa. Juraria que, se tocasse seu ombro, teria cado 
como uma rvore jovem aoitado por uma tormenta-. Imagino que  o melhor j que falar disso em sentido abstrato parece ter posto voc em coma. 
- Eu -conseguiu fechar a boca, engolir saliva e depois falar-. Creio que perdeu a cabea. 
- Eu tambm s Deus sabia por que se sentia to contente-. Assim que, pelo momento, concentremo-nos em encontrar os viles. Certo? 
- E se aceito, vai deixar o outro tema de lado? 
- Est disposta a aceitar minha palavra? esboou um sorriso lento. 
- No se ergueu e lhe devolveu o sorriso-. Mas estou disposta a apostar que serei capaz de desvirar qualquer coisa que me lance. 
- Aceito a aposta estendeu uma mo-. Colega  as estreitaram com gesto solene-. E agora, Por que no? 
O telefone interrompeu o que Althea estava certa de que seria uma sugesto pouco profissional. Passou junto a Colt e pegou o telefone na extenso da cozinha. 
Isso lhe deu um momento para refletir sobre o que tinha iniciado. Para sorrir. Para pensar em como lhe agradaria termin-lo. Antes de poder concluir a fantasia, 
ela voltava a seu lado. Levantou a cadeira cada e recolheu a pistoleira. 
- Voc lembra de nosso amigo, Leio, o garom? Acabamos de prend-lo por vender coca no bar enquanto colocava a pistoleira, seu rosto recuperou a expresso combativa-. 
Vo lev-lo a delegacia para interrog-lo. 
- Vamos. 
- Se Boyd  autorizar soltou enquanto se conteve em vestir a jaqueta-, poder observar por trs do vidro, nada mais. 
- Deixa que eu esteja presente. Manterei a boca fechada. 
- No me faa rir pegou a bolsa no caminho da porta -. Aceita ou deixo-o parceiro. 
- Eu aceitarei amaldioou e o fechou com fora a porta. 


Captulo 7

A frustrao inicial de Colt ao se ver obrigado a permanecer por trs de um vidro desapareceu ao ver trabalhar Althea. Seu interrogatrio paciente e minucioso tinha 
estilo. Em nenhum momento permitiu que Leio a distrasse, jamais mostrou reao alguma ao sarcasmo do outro e jamais, nem sequer quando Leio recorreu a uma linguagem 
abusiva e a ameaas veladas, levantou a voz. 
Recordou que jogava pquer da mesma maneira. Com frieza, metodicamente, sem revelar emoo alguma at o momento de recolher os ganhos. Mas Colt comeava a poder 
ver essa mulher que tinha por trs da fachada altiva. 
Certamente, havia surpreendido muitas e vrias emoes na tenente contida. Paixo, ira, simpatia, inclusive aturdimento mudo. Tinha a sensao de que s tinha remexido 
na superfcie. Pensava seguir escavando at desenterrar todas suas emoes. 
-Uma noite longa Boyd apareceu a suas costas com duas xcaras de caf. 
- J tive piores aceitou a xcara e bebeu um pouco-. Est forte. Poderia danar tango com minha sombra fez uma careta e bebeu um pouco mais-. O capito presencia 
geralmente  um interrogatrio rotineiro? 
- O capito o faz quando tem um interesse pessoal Fletcher observou um momento Althea-. Est conseguindo algo? 
Com certo esforo, Colt conteve o impulso de golpear o vidro para demonstrar que podia participar. 
- Leio segue escaspulindo. 
- Se cansar muito antes que ela. 
- Eu mesmo j cheguei a esta concluso ambos guardaram silncio enquanto Leio soltava um insulto desagradvel e Althea respondia perguntando-lhe se queria repet-lo 
para que ficasse registrado em sua declarao-. Thea nem se intimida comentou Colt-. Fletch, j viu alguma vez  um gato esperar um rato? olhou um segundo para 
Boyd, depois fincou a vista no vidro-. Fica impertubvel, talvez durante horas. E dentro do buraco o rato comea a ficar louco. Pode cheir-lo, ver os olhos que 
o estudam. Passado um tempo, os circuitos do crebro do rato entram em curto-circuito e tenta escapar. Ento o gato move uma pata e tudo termina. Pois a temos uma 
gata magnfica com a cabea indicou o vidro e bebeu outro gole de caf. 
- Chegou a conhec-la muito bem em to pouco tempo. 
- Oh, ainda me falta muito por descobrir. Tem tantas coberturas murmurou para si mesmo-. No posso dizer que alguma vez tenha conhecido uma mulher que me tivesse 
deixado to interessado em tirar essas coberturas tanto quanto as roupa. 
- Sabe? comentou Boyd, com a cautela que empregaria um homem cego em avanar por um labirinto.- Thea  especial. Pode manejar praticamente tudo o que lhe aparea 
por diante. 
- E o faz adicionou Colt. 
- Sim. Mas isso no quer dizer que no seja vulnervel. No gostaria que a ferissem. No gostaria de maneira nenhuma. 
- Uma advertncia? levemente surpreso, Colt arqueou uma sobrancelha-. Soa como aquela que me deu sobre sua irm Natalie h um milho de anos. 
-  o mesmo. Thea  como da famlia. 
- E acha que poderia mago-la. 
Boyd suspirou. No sentia prazer com essa conversa. 
- Digo que, se o fizesse, teria que arrancar varios rgos vitais seus. Lamentaria, mas teria que fazer. 
- Quem ganhou a ltima briga que tivemos? 
- Creio que foi um empate apesar da incomodidade, Boyd sorriu. 
- Sim, assim eu me recordo. E tambm foi por uma mulher, verdade? 
- Cheryl Anne Madigan o suspiro de Boyd foi nostlgico nessa ocasio. 
- Uma loira pequena? 
- No, uma morena alta. Com uns enormes olhos azuis. 
- Sim Colt riu e moveu a cabea-. Pergunto-me que ter acontecido  bonita Cheryl Anne.
Guardaram um silncio ameno por um momento, recordando. Atravs dos alto-falantes, podiam ouvir o interrogatrio implacvel de Althea. 
- No gostaria de feri-la sussurrou Colt-, mas no posso prometer que no v acontecer. Fletch, a questo  que pela primeira vez me encontrei com uma mulher que 
me importo o suficiente, e que tambm possa me ferir bebeu outro gole de caf-. Acredito que estou apaixonado por ela. 
Boyd se engasgou e se viu obrigado a deixar a xcara antes de verter o contedo sobre sua camisa. Aguardou um instante e se levou uma mo ao ouvido, como se quisesse 
limpa-lo. 
- Quer repetir? Acredito que no escutei direito. 
- Me ouviu pensou que era tpico de um amigo humilh-lo num momento vulnervel-. Quando disse  ela, recebi a mesma reao. 
- Voc disse a ela? tentou esforar-se em prestar ateno ao interrogatrio enquanto assimilava essa informao nova e fascinante-. E ela o que respondeu? 
-Pouca coisa. 
A frustrao na voz de Colt divertiu tanto a Boyd, que teve que se morder a lngua para no sorrir. 
- Bom, ao menos no riu na sua cara. 
- A ela no pareceu to engraado suspirou e desejou que a seu amigo tivesse colocado um trago de brandy no caf-. Ficou sentada, ficando cada vez mais plida, 
quase boquiaberta. 
-  um bom sinal lhe deu uma palmada no ombro-. Custa muito desconcert-la dessa maneira. 
- Pensei que o melhor era dizer, j que isso nos daria aos dois tempo para decidir que fazer ao respeito. Ainda que j esteja bastante claro o que vou fazer. 
- E que ? 
- Bem, a no ser que acorde uma destas manhs para descobrir que tive um ataque, vou casar com ela. 
- Casar com ela? Boyd riu entre dentes-. Thea e voc? Deus, espere at eu  contar a Cilla o olhar assassino que Colt lanou s serviu para ampliar seu sorriso. 
- No sei como agradecer o apoio oferecido, Fletch. 
Boyd conteve outra risada, ainda que no conseguisse o mesmo com o sorriso. 
- Oh, mas o tem amigo. Todo. O que passa  que jamais pensei que utilizaria a palavra casamento na mesma frase com Colt Nightshade ou Althea Grayson. Creia-me, tem 
todas as minhas simpatias.





Na sala de interrogatrio, Althea continuou com o desgaste de sua presa. Percebia medo, o que empregou de forma cruel. 
- Sabe, Leio? Um pouco de cooperao ajudaria muito. 
- Claro, tanto como ajudou a Wild Bill. 
- Apesar de me aborrecer oferec-la Althea inclinou a cabea-, teria proteo. 
- Claro soltou uma baforada de fumaa-. Acredita que quero os policiais vigiando minha bunda vinte e quatro horas por  dia? Acha que funcionaria? 
- Talvez no utilizou o desinteresse como outra ferramenta, reduzindo o ritmo da entrevista at que Leio comeou a retorcer-se na cadeira-. Mas se no cooperar, 
no dispor de nenhum escudo. Sair daqui nu, Leio. 
- Me arriscarei. 
- Perfeito. Voc ter uma fiana por trfico de droga provavelmente possa evitar passar um tempo no crcere. Mas  peculiar como se corre os boatos pela rua, no 
acha? deixou que assimilasse bem suas palavras-. As partes interessadas sabero onde esteve, Leio. E, quando sair, no estaro muito certos do voc ter contado. 
- No contei nada. No sei nada. 
-  uma pena, porque talvez essa ignorncia funcione contra voc. Ver, estamos aproximando, e essas mesmas partes interessadas podero se perguntar se voc nos 
ajudou com indiferena abriu uma pasta e revelou os desenhos da polcia-. Se perguntaro se foi voc quem me deu as descries dos suspeitos. 
- No disse nada ao observar os desenhos a testa dele encheu de suor-. Nunca antes vi esses sujeitos. 
- Bem, talvez seja verdade. Mas, se surgisse o tema, terei que dizer que falei com voc. Muito tempo. E que disponho de desenhos detalhados dos suspeitos. Sabe, 
Leio? adicionou, inclinando-se para ele- algumas pessoas somam dois mais dois e obtm cinco. Acontece o tempo todo. 
- Isso no  legal umedeceu os lbios-.  chantagem. 
- No fira meus sentimentos. Quer ser sua amiga, Leio empurrou os desenhos para ele-. Tudo  uma questo de atitude, e saber se me importa ou no que ao sair daqui 
termine achatado na calada. Francamente, neste momento no me importo sorriu, gelando-lhe o sangue-. Agora bem, se fosse meu amigo, faria tudo o que estivesse 
a meu alcance para que levasse uma vida longa e feliz. Talvez no em Denver, talvez em outro lugar. Mas uma mudana de palco pode fazer milagres. Mudana de nome, 
mudana de vida. 
- Fala do programa de proteo de testemunhas? perguntou com titubeio.
- Poderia ser. Mas se for solicitar algo to importante, tenho que obter resultados ao v-lo vacilar de novo, suspirou-. Ser melhor que escolha de que lado est 
amigo. Lembra de Wild Bill? A nica coisa que fez foi encontrar-se com um sujeito. Talvez no fizessem mais do que falar das possibilidades que tinham os Broncos 
de ganhar a Superbowl. Mas ningum lhe brindou o benefcio da dvida. Simplesmente o mataram. 
O medo o dominou outra vez em forma de suor pelas tmporas. 
- Quero imunidade. E que retirem as acusaes de trfico de droga. 
- Leio, Leio -Althea moveu a cabea-. Um homem pronto como voc sabe como funciona a vida. Me d algo, e se for bom, eu dou algo pela mudana.  o estilo americano. 
-  possvel que tenha visto estes dois antes  umedeceu de novo os lbios e acendeu outro cigarro. 
-Estes dois? apoiou um dedo sobre os desenhos, e depois, como uma gata, saltou-. Fala-me deles.
Quando terminou eram as duas da manh. Tinha interrogado Leio, escutado sua histria longa e confusa, tomando notas, tinha-o feito retroceder, repetir, explorar. 
Depois chamou a digitadora da polcia e fez que Leio repetisse toda a histria, realizando uma declarao oficial. 
Se movia de energia quando regressou a seu escritrio. J dispunha de nomes que passar pelo computador. Tinha fios finos, talvez, mas fios que uniam uma organizao. 
Grande parte do que Leio tinha contado era especulao e rumores. Mas Althea sabia que com algumas provas podia iniciar uma investigao. 
Tirou a jaqueta, sentou-se diante a escrivaninha e acendeu o terminal de seu computador. Estudava a tela quando Colt entrou e ps uma xcara sob o nariz. 
- Obrigado bebeu, fez uma careta e o olhou-. O que  isto? 
- Ch de ervas informou-. J bebeu caf suficiente. 
- Nightshade, no vai estragar nossa relao pensando que tem que cuidar de mim, no ? deixou a xcara de um lado e se concentrou outra vez no monitor. 
- Est agitada, tenente. 
- Sei quanto posso tomar antes de que se sobrecarregue o sistema. No  voc quem no deixa de repetir que a nica coisa que nos falta  tempo? 
- Sim se situou por trs da cadeira que ela ocupava, baixou as mos sobre seus ombros e comeou a massagear-. Fez um trabalho magnfico com Leio disse antes de 
que pudesse afastar aos mos dele-. Se algum dia decidir retomar a prtica da advocacia, odiaria que interrogasse um de meus clientes. 
Os dedos de Colt eram mgicos, relaxando sem debilitar, mitigando sem amaciar,
- No consegui tudo o que queria, mas acredito que era tudo que ele tinha. 
- Leio  insignificante conveio Colt-. Passa um pouco dos negcio aos peixes gordos e leva uma comisso. 
- No conhece o chefo. Estou convicta de que no mentia ao neg-lo. Mas identificou os dois sujeiros que descreveu Meena. Lembra do homem da cmara, do que nos 
falou o afroamericano grande? Olhe assinalou a tela-. Matthew Dean Scout, apelido Dean Milhar, apelido Wave Dean. Jogou ao futebol semiprofissional faz uns dez 
anos. Lavrou-se um nome sendo desnecessariamente duro. Quebrou a perna de um adversrio no jogo. 
- Essas coisas passam. 
- Depois da partida. 
- Ah. que mais temos dele? 
- Direi que mais tenho dele indicou, ainda que no pde resistir a facilitar-lhe a massagem-. Foi despedido por romper as regras da equipe ao levar uma mulher 
em seu quarto. 
- Os garotos so assim. 
- Essa mulher em particular estava atada e gritando desesperadamente. Reduziram as acusaes de violao a agresso, mas seus dias como jogador de futebol terminaram. 
Depois daquilo, foi acusado de agresso, exibicionismo, embriagues e roubos menores, aparte de conduta imoral apertou outra tecla-. Isso foi faz uns quatro anos. 
A partir de ento, nada. 
- Acredita ento, que comeou uma nova etapa de sua vida? Que se converteu num pilar da comunidade? 
- Claro, assim como os homens lem as revistas de mulheres nuas por seus artigos eruditos.
- Isso  o que me motiva sorriu e se agachou para dar-lhe um beijo na cabea. 
- Aposto que sim. Temos uma histria similar no suspeito nmero dois continuou-. Harry Kline, um ator fajuto de Nova York, cujos delitos figuram conduta violenta 
em estado de embriaguez, posse de drogas e agresso sexual. Entrou na indstria pornogrfica faz uns oito anos e, ainda que custe acreditar, foi despedido de vrios 
filmes por comportamento violento e errtico. Mudou-se para o oeste, atuou em vrios filmes na Califrnia e depois foi preso por estuprar um de seus amigos da filmagem. 
Devido ao trabalho que realizava, a defesa conseguiu que retirassem os cargos. A nica justia para a vtima foi que a carreira de Harry se acabou, para o cinema. 
Ningum minimamente legal quis contrat-lo. Isso foi h cinco anos. Desde ento, seu histrico est em branco. 
- Uma vez mais, poderia crer que nossos amigos se converteram em cidados exemplares ou morreram enquanto dormiam. 
- Ou encontraram um buraco pra esconderem-se. Leio afirma que foi Kline quem seaproximou h dois ou trs anos. Queria mulheres, mulheres jovens interessadas em participar 
de filmes particulares. Citando a liberdade de empresa, Leio as conseguiu e recebeu sua comisso. O nmero de telefone que lhe deram para por em contato com Kline 
est fora de servio. Conferirei com a empresa telefnica para ver se era da cobertura ou de outra casa. 
- Nunca viu o outro homem, esse que segundo Meena permaneceu no canto do quarto? 
- No. Seus nicos contatos eram Kline e Scout. Ao que parece este se apresentava nesse bar para tomar umas e alardear como era bom manejando uma cmera e do dinheiro 
que ganhava. 
- E sobre as garotas  sussurrou  Colt. Os dedos que massagearam os ombros de Althea se puseram rgidos-. De como seus amigos e ele dispunham Como o exps? Do melhor 
da ninhada? 
- No pense nisso instintivamente ergueu uma mo para tomar na sua-. No, Colt. Se fizer isso no poder manter-se frio. Avanamos muito para encontr-la. Deve 
concentrar nisso. 
- Eu fao se voltou e se dirigiu para a outra parede-. Tambm me concentro no fato de que se descubro que um desses dois canalhas tocou em Liz, vou mat-lo se 
voltou com o olhar  centrado-. Voc no me deter, Thea. 
- Sim, eu farei se levantou para aproximar-se e lhe tomar as duas mos-. Porque entendo muito que quer mat-los. E se o fizer, no mudar o acontecido. No ajudar 
Liz. Mas cruzaremos essa ponte depois que a encontremos  apertou as mos-. No se comporte agora como um renegado comigo, Nightshade. No quando comeo a gostar 
de trabalhar com voc. 
Colt se permitiu olh-la. Ainda que tivesse olheiras e as faces plidas pela fadiga, podia sentir a energia que vibrava atravs dela. Estava-lhe oferecendo algo. 
Compaixo com restries, com certeza. E esperana, sem nenhum limite. A ferocidade de sua fria se transformou na necessidade humana do calor do contato. 
-Althea -relaxou as mos-. Deixa que eu abrace voc a viu titubear, com as sobrancelhas arqueadas pela surpresa. O s pde sorrir-. Sabe? Comeo a  entender voc 
bastante bem. Se preocupa com a imagem profissional ao estar colada a um homem em seu escritrio suspirou e lhe acariciou o cabelo-. Tenente, so quase trs da 
manh. No h ningum que possa ver-nos. E realmente preciso de um abrao.
Uma vez mais, Althea deixou que o instinto prevalecesse e se jogou em seus braos. Cada vez que ficava dessa maneira, encaixavam-se com perfeio. E cada vez ficava 
mais fcil admiti-lo. 
- Se sente melhor? perguntou, e sentiu que Colt assentia sobre seu cabelo. 
- Sim. Sabia algo sobre Lacy, a garota que est desaparecida? 
- No sem pensar, acariciou-lhe as costas, afrouxando-lhe os msculos tensos como ele tinha afrouxado os seus-. E quando mencionei a possibilidade do assassinato, 
mostrou-se sinceramente emocionado. No fingiu. Por isso estou convicta de que nos proporcionou tudo o que sabia. 
- A casa nas montanhas  Colt fechou os olhos-. No pde dar-nos muito. 
- Ao oeste ou talvez ao norte de Boulder, perto de um lago encolheu os ombros-.  algo melhor do que tnhamos antes. A encontraremos, Colt. 
- Sinto como se no conseguisse encaixar todas as peas. 
- Estamos unindo todas as peas das que dispomos lhe disse-. E se sente assim pelo cansao. V para casa se afastou para poder olh-lo-. V dormir um pouco. Comearemos 
de novo pela manh. 
- Preferiria ir pra casa com voc. 
- Nunca se rende? divertida, exasperada, moveu a cabea. 
- No disse que espero isso, s que preferiria lhe emoldurou o rosto entre as mos e acariciou as sobrancelhas com os polegares, depois as tmporas-. Quero passar 
mais tempo com voc, Althea. Tempo que nenhum de ns dois tenha tantas coisas na cabea. Para descobrir o que tem que fazer para comear a pensar em algo permanente, 
a longo prazo. 
- No comece, Nightshade cautelosa, separou-se de seus braos.
- Isso sim deixa voc nervosa sorriu, descontrado-. Jamais conheci algum to assustado ante a idia do casamento salvo eu mesmo. Pergunto-me porque e se deveria 
averiguar as causas e depois colocar um anel em seu dedo. Ou -se aproximou, encostando-a contra a mesa-  se deveria tomar as coisas com calma e tranqilidade, 
at conseguir que diga Sim, quero, sem que tivesse dado conta. 
- Em ambos os casos, est sendo ridculo tinha um nd na garganta. Soube que era pelos nervos e no gostou. Fingindo indiferena, pegou a xcara de ch e bebeu 
um pouco. -  tarde anunciou-. V. Eu pedirei um carro e irei pra casa. 
- Levarei voc  tomou o queixo na mo e esperou at que o olhou aos olhos-. E falo em srio, Thea. Mas tem razo  tarde. E estou em dvida contigo. 
- Voc no -a negativa terminou num gemido quando a boca de Colt cobriu a sua. O beijo transmitiu frustrao, uma necessidade desesperada e mal contida. E o que 
mais custou resistir: a doura do afeto, como um blsamo sobre o ardor palpitante-. Colt-inclusive ao murmurar seu nome, soube que estava perdendo. J tinha levantado 
os braos para rode-lo, para aceitar e exigir. 
O corpo a traiu. Ou que foi o corao? J no sabia distingu-los, pois as necessidades de um se confundiam com as necessidades do outro. Fincou os dedos nos ombros 
enquanto lutava pra recuperar o equilbrio. Depois se afrouxaram ao permitir-se um momento de loucura. 
Foi Colt quem se retirou por si mesmo e por ela. Althea tinha se convertido em algo mais importante do que a satisfao do momento. 
- Estou em dvida com voc repetiu, olhando-a nos olhos-. Se no fosse assim, esta noite no permitiria que voc fosse. No acredito que conseguiria. Levarei voc 
para casa  pegou a jaqueta dela e a ofereceu-. Depois o mais provvel  que passe o resto da noite perguntando-me como teria sido se tivesse fechado a porta e deixado 
que a natureza continuasse com seu curso. 
Aturdida, passou a jaqueta pelos ombros antes de ir para a porta. Mas no pensava deixar que ele levasse vantagem. Deteve-se e sorriu acima do ombro. 
- Eu direi como se sentiria, Nightshade. No se pareceria com nada do que tenha experimentado. E quando estiver preparada, se algum dia estiver,  demonstrarei. 
Emocionado pelo impacto desse sorriso sedutor, observou-a sair. Suspirou e levou uma mo  boca do estmago. santo cu, pensou, esta mulher  para mim. E assim 
ia demonstrar.

Com quatro horas de sono, duas xcaras de caf s e uma pastilha no estmago, Althea estava pronta para continuar o trabalho. As nove da manh j estava no escritrio 
chamando a companhia telefnica com uma petio oficial para que comprovasse o nmero que Leio tinha dado. s nove e meia, tinha conseguido um nome e uma direo 
e a informao de que o cliente tinha cancelado o servio to s quarenta e oito horas atrs. 
Ainda que no esperava encontrar nada, estava pedindo uma ordem de registro quando entrou Colt. 
- No deixa que o mofo cresa sob teus ps,  no ? 
- No deixo que nada cresa sob meus ps pendurou-. Tenho uma pista sobre o nmero Leio que nos deu. O cliente cancelou o servio. Imagino que encontraremos o lugar 
vazio, mas terei uma ordem de registro numa hora. 
- Isso  o que me encanta em voc, tenente no faz nenhum movimento intil apoiou o quadril na mesa e gostou de descobrir que Althea cheirava to bem como o aspecto 
que tinha-. Como dormiu? 
- Como uma pedra o olhou num desafio direto-. E voc? 
- Nunca melhor. Acordei esta manh com uma perspectiva nova. Pode sair ao meio dia? 
- Aonde? 
- Tive uma idia. Conferi com Boyd e -franziu o cenho ao fincar a vista no telefone-. Quantas vezes ao dia toca? 
- As suficientes levantou o fone-. Grayson. Sim, a tenente Althea Grayson  levantou a cabea-. Jade com um gesto, tampou o fone-. Linha dois sussurrou-. E mantm 
a boca fechada seguiu escutando enquanto Colt saa do escritrio em procura de uma extenso-. Sim, estamos procurando voc. Agradeo sua ligao. Pode dizer onde 
est? 
- Preferiria no dizer a voz de Jade soava nervosa-. S chamo porque no quero nenhum problema. Consegui um trabalho e tudo isso. Um trabalho legal. Se tiver algum 
problema com a polcia, o perderei. 
- No h nenhum problema. Chamei a sua me porque pode ser de ajuda no caso que estou pesquisando girou a cadeira para a direita para ver Colt atravs da porta. 
- Jade, lembra-se de Liz, no ? A garota  que pediu que voc escrevesse uma carta ao pais. 
-Sim suponho. Talvez. 
-Ajudou muito escrevendo e saindo da situao na que se encontrava. Os pais de Liz esto muito agradecidos. 
- Era uma garota agradvel. Sabe? No sabia no que tinha se metido. Queria escapar fez uma pausa; soou um fsforo ao acender e uma aspirao profunda-. Escute, 
no podia fazer nada por ela. S dispusemos de uns momentos a ss numa ou duas ocasies. Me deu seu endereo e me pediu que escrevesse para seus pais. Como j disse, 
era uma boa garota numa m situao. 
- Ento me ajuda a encontr-la. Diga-me aonde a levaram. 
- No sei. Juro que no sei. Algumas vezes nos levaram, vrias garotas, s montanhas. No tinha ningum nem nada ao redor. Ainda que tivessem uma choupana elegante. 
De primeira, com um jacuzzi e uma enorme chamin de pedra, ah, e uma tela grande de televiso. 
-Por onde saiu de Denver? Se lembra? 
- Bem, sim, mais ou menos. Foi pela rota 36, em direo a Boulder, mas pareceu que a viagem durava uma eternidade. Depois nos desviamos por um caminho. No era uma 
auto estrada. 
- Lembra de passar por algum povoado? Algo que tenha gravado na memria? 
- Boulder. Depois disso pouca coisa. 
- Saiu pela manh,  tarde ou  noite? 
- A primeira vez pela a manh. Tempo bom. 
- Passado Boulder, tinha o sol adiante de voc ou s costas? 
- Oh, compreendo, ah creio que s costas. 
Althea seguiu fazendo questo de que proporcionasse detalhes sobre o lugar, descries da gente que tinha visto. Como testemunha, Jade acabou sendo imprecisa, mas 
com vontade de cooperar. No obstante, no custou reconhecer as descries de Kline e Scott. De novo se produziu  meno de um homem que permanecia no fundo, em 
sombras, olhando.
-Era quieto, sabe? continuou a jovem-. Como um museu. O trabalho era bem pago, de maneira que voltei algumas vezes. Trezentos dlares por um dia, e um bnus de 
cinqenta dlares se precisavam de dois. Eu veja, esse dinheiro no se pode ganhar na rua. 
- Sei. Mas deixou de ir. 
- Sim, porque s vezes tinha resultados agressivos. Tinha contuses por todo o corpo, e um deles inclusive me abriu o lbio enquanto fazamos essa cena. Assustei-me, 
porque no dava a impresso de que estivessem atuando. Parecia como se quisessem machucar para valer. Contei a Wild Bill e ele me falou que no teria que voltar. 
E que no ia enviar nenhuma garota mais. Disse que ia falar com seu policial. Sabia que era voc, por isso decidi cham-la ao receber sua mensagem. Bill a considera 
legal. 
Com gesto cansado, Althea passou uma mo pela testa. No contou a Jade que deveria empregar o tempo passado para referir-se a Wild Bill. No teve nimos. 
- Jade, em sua carta dizia que acreditava que tinham matado uma das garotas. 
- Suponho que sim  tremeu a voz-. Escute, no penso e, testemunhar nem nada parecido.  No penso em voltar. 
- No posso prometer nada, s que tentarei deixar voc de lado. Me diz por que acredita que mataram uma das garotas?
- Falei que estavam se tornando agressivos demais. E  que no atuavam. A ltima vez que estive l, me machucaram para valer. Foi quando decidi no regressar mais. 
Mas Lacy, a garota com quem compartilhei cenas, disse que podia manejar tudo e que o dinheiro era bom demais para deix-lo escapar. Voltou l, mas jamais regressou. 
Nunca mais a vi fez uma pausa e acendeu outro fsforo- No posso provar nada. O que aconteceu deixou todas suas coisas no lugar  onde vivia, sei porque fui v-la. 
E ela tinha afeto por suas coisas. Tinha uma coleo de animais de cristal. Muito bonitos. Nunca os teria deixado. Se pudesse, teria voltado para recolh-los. Assim 
pensei que estava morta, ou que a retinham na choupana, como Liz. Pior que isso acreditei que o melhor era fugir antes de que me fizessem algo. 
- Pode me proporcionar o nome de Lacy, Jade? Qualquer outra informao sobre ela? 
- De acordo. Foi de grande ajuda. Por que no me d um nmero de telefone  que possa chamar voc? 
- No quero. Olhe, contei-lhe tudo o que sei. Quero esquecer. J disse, vou comear uma nova vida aqui. 
Althea no a pressionou. Seria simples obt-lo na empresa telefnica. 
- Se lembrar de alguma outra coisa, sem importar o insignificante que parea, me chamar? 
- Acredito que sim. Para valer espero que tirem a garota de l e que dem a esses miserveis o que merecem. 
- O faremos. Obrigada. 
- De acordo. D um al a  Wild Bill por mim. 
Antes que Althea ocorresse uma contestao, Colt cortou a comunicao. Levantou a vista e o viu de p na porta. Seus olhos voltavam a exibir essa expresso perigosa. 
- Poderia conseguir que se apresentasse aqui.  uma testemunha material. 
- Sim poderia voltou a levantar o fone. Averiguaria o nmero de Jade nesse momento, mas o guardaria-. No entanto, no o farei levantou uma mo em gesto de silncio 
antes que Colt pudesse falar, e fez a petio oficial  operadora. 
- O 212 o prefixo leu Colt enquanto Althea escrevia no bloco-. Poderia dizer  polcia de Nova York que a procure. 
- No respondeu, guardou o bloco na bolsa e se levantou. 
- Por que diabos no? tomou-a pelo brao quando foi recolher a jaqueta-. Se conseguiu tirar dela tanto por telefone, conseguirs mais cara a cara. 
-  porque tirei o bastante incomodada pela interferncia de Colt, soltou-se-. Deu-me tudo o que sabia, a troca de nada. No fizemoa ameaas, nem promessas nem 
manipulaes. S pedi e ela respondeu. No traio a confiana que se deposita em mim, Nightshade. Se preciso que faa baixar o martelo nesses canalhas, ento a utilizarei. 
Mas no at esse momento, e no h outra maneira. E no adicionou-, sem seu consentimento. Ficou claro? 
- Sim passou as mos pela cara-. Sim, est claro. E voc tem razo. Quer recolher a ordem e ir verificar essa outra direo? 
- Sim. Vai vir? 
- Posso apostar. Teremos tempo antes de viajar. 
- Viajar? 
- Isso, tenente. Voc e eu vamos fazer uma pequena viagem. Contarei pelo caminho.





Captulo 8

- Acredito que perdemos a cabea - Althea se agarrou ao assento quando o bico do Cessna se elevou para o suave cu outonal. 
Relaxado ante os controles, Colt a olhou um segundo. 
- Vamos, no gosta de avies? 
- Claro que sim uma corrente de ar sacudiu a avio-. Mas com auxiliares de vo. 
- H uma despensa atrs. Quando estabelecermos nossa altura de vo, pode se servir. 
No se referia a isso, mas preferiu guardar silncio e ver como a terra ia ficando abaixo. Gostava de voar, ainda que com certos rituais: abotoar-se o cinto de segurana, 
selecionar um canal de msica para ouvir pelos fones, abrir um livro e isolar-se durante a durao do vo. 
No agradava pensar em todos os comandos sobre os que exercia nenhum controle. 
-Sigo pensando que  uma perda de tempo. 
-Boyd no questionou a idia ele assinalou-. Olhe, Thea, conhecemos a localizao geral da choupana. Estudei essa maldita fita at que os olhos quase  me sarem 
das rbitas. A reconhecerei quando a ver, e quase todas os objetos circundantes. Vale a pena verificar. 
- Talvez foi  nica coisa que esteve disposta a ceder. 
- Pense nisso estabilizou a avio em seu curso. Sabem que tem algum atrs deles. Por isso deixaram a cobertura. Sem dvida vo perguntar-se onde foi parar essa 
fita, e se tentam pr-se em contato com Leio, no o encontraro, j que voc o tem vigiado numa casa segura. 
- Ento se mantero longe de Denver conveio ela. Os motores eram um rudo horrvel em seus ouvidos-.  possvel que inclusive levantem o acampamento e se mudem. 
-  o que temo apertou os lbios ao deixar Denver atrs-. O que acontecer com Liz se o fazem? Nenhuma das opes tem um final feliz. 
- No isso, e a aprovao de Boyd, tinham-na convencido de acompanhar a Colt-. No. 
- Tenho de pensar que por momento no se movero da choupana. Ainda que deduzam que sabemos que existe, no podero pensar que conhecemos sua localizao. Desconhecem 
que falamos com Jade. 
- Concedo isso a voc, Nightshade. Mas me d a impresso de que conta com a sorte para que guie at eles. 
- J tive sorte antes. Se sente melhor? perguntou quando o aparelho se estabilizou-.  bonito aqui acima, no? 
Tinha neve nos cumes ao norte, e entre as montanhas tinha uns vales largos e planos. Voavam a suficiente baixa altura como para poder vislumbrar os carros na estrada, 
as comunidades de pequenos grupos de casas e o bosque verde e denso ao oeste. 
- Tem suas vantagens de repente ocorreu um pensamento que fez que girasse para Colt-. Tem licena para pilotar avies, Nightshade? 
Olhou-a e esteve a ponto de soltar uma gargalhada. 
- Deus, voc me deixa louco, tenente. Quer um casamento em grande estilo ou um ntimo e pequeno? 
- , voc quem est louco  sussurrou e se concentrou em olhar pela janela. Comprovaria se tinha licena quando regressassem a Denver-. Disse que no ia voltar a 
tocar nesse assunto. 
-Menti reps com alegria. Apesar da preocupao que no conseguia dissipar-se por completo, nunca tinha se sentido melhor na vida-. Isso me provoca um problema. 
Uma mulher como voc sem dvida poderia curar-me. 
- Cure-se com um psiquiatra. 
- Thea, vamos formar um casal perfeito. Espere at minha famlia  conhecer voc.
-No acho que vou conhec-la atribuiu a sbita agitao em seu estmago a outra turbulncia. 
- Bem, talvez tenha razo nisso ao menos at que estejamos preparados para entrar na igreja. Minha me tende querer controlar tudo, mas voc saber lidar com ela. 
Meu pai gosta das regras. O que significa que combinam como os ovos e o bacon. Assim  o almirante. 
- Almirante? repetiu, apesar de ter jurado guardar silncio. 
-  um homem da marinha. Seu corao  se destrouou quando me incorporei s Foras Areas  encolheu de ombros-. Provavelmente fiz por isso. Depois tenho uma tia 
bom, ser melhor que os conhea em pessoa. 
- No vou conhec-los repetiu, irritada porque a declarao soava  petulante demais. Soltou cinto de segurana e foi  parte de trs, onde se ps a remexer at 
encontrar uma lata de amendoins e uma garrafa de gua mineral.
A curiosidade fez que abrisse o pequeno compartimento de refrigerao, onde viu uma diminuta lata de caviar e uma garrafa de vinho-. De quem  este avio? 
- De um amigo de Boyd. Um jockey que gosta de voar com mulheres. 
- Deve ser Frank, o libertino grunhiu ao regressar a seu assento-. H anos tenta me convencer de que voe com ele pelos cus sexys. 
- ? No  seu tipo? 
-  to bvio. Ainda que os homens tendem a ser. 
- Tenho que lembrar se ser sutil. Vai se comportar comigo? 
- Isso  Boulder? ofereceu-lhe a lata. 
- Sim. Aqui porei rumo noroeste e voarei em crculos. Boyd me contou que tem uma choupana perto. 
- Sei. Muita gente tem. Gostam de escapar os fins de semana da cidade para passear pela neve.
- No  de seu agrado? 
- No vejo nenhum sentido em neve e esquis. E o principal objetivo de esquiar, pelo que vejo por mim,  voltar ao refgio para beber rum quente diante da chamin. 
- Ah,  aventureira. 
- Vivo para a aventura. Na realidade, a choupana de Boyd tem uma bonita vista reconheceu-. E s crianas se encantam. 
- Assim, vejo que j a visitou. 
- Algumas vezes. Agrada-me mais ao final da primavera e comeo do vero, quando h poucas possibilidades de que os caminhos fiquem fechados baixou a vista s ladeiras 
e nevascas-. Odeio a idia de me ver presa. 
- Pode ter suas vantagens. 
- No para mim guardou silncio um momento, contemplando as montanhas e as rvores-.  bonito concedeu-. Em particular por essa vista. Parece um quadro. 
- A natureza  distncia sorriu-. Pensava que as garotas da cidade sempre almejavam um refgio no campo. 
- No esta garota de cidade. Prefiro -sofreram uma chacoalhada violenta que fez que os amendoins sassem voando e que Althea se segurasse-. Que demnios foi isso? 
Com os olhos entrecerrados, Colt estudou os indicadores enquanto se ocupava em levantar o bico do aparelho. 
- No sei. 
- No sabe? Que quer dizer com que no sabe? Se supe que deve saber!
-Sss! virou a cabea para prestar atendimento aos motores-. Perdemos presso comentou com a calma fria que o tinha mantido com vida nas selvas rasgadas pela guerra, 
nos desertos e nos cus cheios de metralha. 
Quanto Althea compreendeu que o problema era srio, respondeu com frieza. 
- Que faremos? 
- Vou ter que aterrisar. 
- Onde? olhou abaixo, estudando com expresso fatalista os bosques e as colinas. 
- Segundo o mapa, h um vale uns poucos graus ao leste modificou o curso enquanto ativava uns interruptores-. Observe a paisagem ordenou, depois ligou o rdio-. 
Torre de Boulder, aqui Baker Able John trs. 
- Ali Althea assinalou em direo ao que parecia ser uma faixa muito estreita de terreno plano entre cumes rompidas. Colt assentiu e continuou informando  torre 
de sua situao.
-Segure-se  disse. - Vai ser um pouco movimentado. 
Ela obedeceu e se negou a afastar a vista  medida que a terra corria a seu encontro. 
- Segundo meus relatrios,  um bom piloto, Nightshade. 
- Est a ponto de averigu-lo reduziu a potncia, adaptando-se s correntes enquanto enfiava o avio para o vale estreito. 
 como manejar um agulha pensou Althea. Depois conteve o flego ao sentir o primeiro impacto forte das rodas sobre o solo. Quicaram, deslizaram com chacoalhadas 
e terminaram por deter-se. 
- Est bem? perguntou Colt no instante seguinte.         
- Sim soltou o ar contido. Tinha o estmago revirado, mas alm disso se sentia bem-. Sim, estou bem. E voc? 
-Perfeitamente alongou as mos para emoldurar-lhe o rosto e aproximou-se o suficiente para dar-lhe um beijo. -Por todos os cus, tenente comentou, beijando-a outra 
vez-. Mostrou-se impassvel. 
- Medo quando essa mulher estava acostumada a emoes estveis, custava saber o que fazer quando tinha o impulso de rir e gritar ao mesmo tempo. Empurrou-o - Quer 
me deixar sair desta lata? No notou que cairia bem um pouco de terra firme sob os ps. 
- Claro abriu a porta e a ajudou a descer -. Vou transmitir nossa posio por rdio-informou. 
- Bem respirou fundo o ar frio e limpo e firmou as pernas. Com prazer, descobriu que no as tinha frouxas. Era a sua primeira aterrissagem forada, e esperava que 
fosse a ltima. Devia reconhecer que Colt tinha atuado com serenidade e percia.
No se ps de joelhos para beijar o solo, mas agradeceu t-lo sob os ps. Como bnus adicional, a paisagem era magnfica. Estavam entre montanhas e bosques, protegidos 
do vento, e podia observar a neve que caa dos cumes rochosos sem sofrer seus inconvenientes. 
O ar era esplndido, o cu azul e o ambiente fresco tonificavam o sangue. Com um pouco de sorte, os resgatariam numa hora, de modo que podia permitir-se o luxo de 
desfrutar da paisagem sem sentir-se abrumada pela solido. 
Sentia-se em sintonia com o mundo quando ouviu que Colt baixava da cabine. Inclusive sorriu a ele. 
- E bem, quando vo vir procurar-nos? 
- Quem? 
- Eles. A equipe de resgate. J sabe, esses heris altrustas que retiram as pessoas de situaes complicadas como esta. 
- Oh, eles. No viro deixou no solo uma caixa de ferramentas, depois regressou ao interior para pegar uma escada pequena de madeira. 
- Perdoe-me? conseguiu dizer ao encontrar a voz. Soube que se tratava de uma iluso, mas as montanhas de repente pareceram maiores-. Disse que ningum vai vir procurar-nos? 
O rdio no funciona? 
- Est perfeito subiu os degraus e levantou a tampa do motor. J se tinha metido um trapo no bolso de trs do jeans-. Disse a eles que iria verificar se posso consertar 
o motor e os manteria informados. 
- Voc disse a eles...?  moveu-se a toda velocidade, antes de que nenhum dos dois pudesse entender a inteno que almejava. O primeiro golpe foi nos rins e o fez 
descer da escada cambaleando-. Idiota! Quer dizer que voc vai consertar essa lata? lanou outro golpe, mas ele esquivou, mais desconcertado do que irritado-. No 
se trata de um Ford avariado na estrada, Nightshade. No  um maldito avio.
-No respondeu com cuidado, pronto para seu seguinte ataque-. Acredito que  o carburador. 
- Acredita que  -soltou o ar por entre os dentes e cerrou os olhos-. Acabou. Vou matar voc com as minhas prprias mos. 
Lanou-se sobre ele. Colt tomou uma deciso numa frao de segundo, girou e deixou que o impulso dela os levasse ao solo. Demorou outro segundo em dar-se conta de 
que no era inexperiente no combate corpo a corpo. Recebeu um golpe no queixo que fez seus dentes se chocarem. Tinha chegado o momento de pr-se srio. 
Rodeou-lhe o corpo com as pernas e, depois de uma breve luta, conseguiu coloc-la de costas. 
- Calma, ok? Algum vai se machucar! 
- E no est errado. 
Como a razo no funcionava,  empregou seu peso, situando-se sobre ela enquanto lhe imobilizava os pulsos. Althea esforou-se duas vezes, depois ficou quieta. Ambos 
sabiam que s ganhavam tempo at encontrar o momento propcio para lanar outro ataque. 
- Escuta  concedeu outro momento para recuperar o ar, depois lhe falou diretamente ao ouvido-. Era a opo mais lgica. 
-  uma merda. 
- Deixa que eu explicar. Se depois estiver em desacordo, ganhar quem derrube ao outro duas vezes em trs chances. De acordo? quando no obteve resposta, Colt apertou 
os dentes-. Quero que me d sua palavra de que no me dar um murro at que termine. 
- Est certoaceitou de m vontade.
Com cautela, Colt se ergueu at poder ver o rosto dela. Estava se levantando quando ela subiu o joelho para golpe-lo com fora na virilha. 
Ele no teve ar para amaldio-la enquanto se colocava em posio fetal. 
- No foi um murro assinalou Altea. Levou certo tempo para alisar-se o cabelo e sacudir a jaqueta antes de levantar-se-. Muito bem, Nightshade, agora voc pode 
falar. 
Ele levantou uma mo, emitiu uns sons abafados e esperou que as estrelas desaparecessem de seus olhos. 
- Pode ter posto em perigo nossa descendncia, Thea ficou de joelhos como pde e respirou com dificuldade -. Voc no briga limpo. 
-  a nica maneira de brigar. Fale. 
Ao recuperar as foras, lanou um olhar assassino.
- Devo uma a voc. E grande. No estamos feridos soltou-. Ao menos eu no estava at que voc me atacou. O aparelho est ileso. Se der uma olhada ao redor, ver 
que no h espao para que outro avio aterrise com segurana. Poderiam enviar um helicptero e nos resgatar com um cabo, mas, para que? As possibilidades so que, 
se realizo uns ajustes menores, podemos sair de aqui. 
Talvez faa sentido, pensou Althea. Mas no era uma coisa simples. 
- Deveria ter falado comigo. Eu tambm estou aqui, Nightshade. No tinha direito de tomar essa deciso sozinho. 
- Foi meu erro  voltou e regressou coxeando  escada-. Supus que era uma pessoa lgica e que, sendo servidora pblica, no queria ver outros servidores pblicos 
se dedicarem a um resgate desnecessrio. Ademais, maldita seja, Liz poderia estar por trs daquela montanha com um movimento violento, sacou uma ferramenta da caixa-. 
No penso voltar sem ela. 
Oh, tinha que apertar essa tecla, pensou ela ao voltar-se para observar o verde profundo do bosque prximo. Tinha que deixar de ouvir a preocupao em sua voz, 
ver o fogo em seus olhos. 
-Tem toda a razo. 
O orgulho era a plula que pior se engolia. Fez o esforo, regressou e se situou junto  escada. 
- Eu sinto muito. No deveria ter perdido as estribeiras a resposta dele foi um rosnado-. Est doendo ainda? 
Ento Colt a olhou com um brilho nos olhos que teria feito babar a mulheres menos decididas. 
- S quando respiro. 
Althea sorriu e apalpou a perna dele. 
- Tenta pensar em outra coisa. Quer que eu passe as ferramentas ou  ajude em algo?
-Conheces a diferena entre um trinquete e uma chave inglesa? perguntou com os olhos duas fendas azuis. 
- No - jogou o cabelo para trs-. Por que teria que o saber? Um mecnico muito competente se ocupa de meu carro. 
- E se ocorre uma avaria na estrada? 
- E quanto  ajuda humana? 
- Se eu me contentasse com isso, me chamariam de sexista apertou os dentes e se concentrou no carburador. 
Ela sorriu a suas costas, mas quando falou o fez em voz sria. 
- H caf instantneo na despensa? continuou-. Prepararei um pouco. 
- No  prudente usar a bateria  sussurrou-. Nos conformaremos com refrigerantes. 
- Bem.
Quanto Althea regressou vinte minutos mais tarde, Colt amaldioava o motor. 
- Teremos que fuzilar esse amigo de Boyd, por descuidar de um avio. 
- Vai conseguir arruma-lo ou no? 
- Sim, vou arrum-lo afirmou enquanto se esforava por afrouxar um parafuso-. Mas vou demorar algo mais do que esperava preparado para algum comentrio mordaz, 
olhou-a. Ela simplesmente esperou com pacincia-. O que  isso? indicou o que tinha na mo. 
- Creio que se chama sanduche  levantou o po e o queijo para que os vistoriasse-. No  grande coisa, mas pensei que estaria faminto. 
- Est certa o gesto o aplacou um pouco. Levantou as mos e lhe mostrou os dedos cheios de graxa-. Estou um pouco incapacitado para com-lo. 
- Ok. Agacha quando obedeceu, levou-lhe o po  boca. Observaram-se enquanto Colt mordia. 
- Obrigado. 
- De nada. Encontrei uma cerveja sacou uma garrafa do bolso-. Vamos dividi-la a levou aos lbios dele. 
- Agora sei que te amo. 
- Come  deu um pouco mais de sanduche-. Tem idia de quanto demoraremos em voltar a voar? 
- Sim mas antes de revelar se certificou de que lhe desse sua parte completa do sanduche e da cerveja-. Uma hora, talvez duas. 
- Duas horas? piscou.- Ento ns ficaremos sem luz. No est pensando em voar no escuro, verdade? 
- No ainda que estivesse preparado para um ataque surpresa, voltou a concentrar-se no motor-. Ser mais seguro esperar at amanh. 
- At amanh repetiu com a vista fincada em suas costas-. O que se supe que vamos fazer at a manh? 
- Para comear, montar uma barraca. H uma na cabine, na parte de cima. Suponho que Frank gosta de acampar com suas amigas. 
- Isso  estupendo. Estupendo. Esta me dizendo que vamos ter que dormir aqui? 
- Poderamos faz-lo no avio assinalou-. Mas no seria to cmodo nem to seguro como numa barraca na companhia do fogo comeou a assobiar enquanto trabalhava. 
Tinha dito que devia uma. Mas no tinha imaginado que poderia pagar to cedo ou to bem-. Suponho que no sabe como acender uma fogueira. 
- No, no sei. 
- Nunca foi exploradora?
- No bufou-. E voc? 
- No posso dizer que fui mas tinha alguns amigos que sim. Bem, v recolher alguns ramos, querida. Depois ensinarei como se faz. 
- No penso em recolher ramos. 
- Muito bem, mas far frio quando o sol se por. O fogo mantm o frio, e outras coisas, longe. 
- No vou -calou e olhou incmoda ao redor-. Que outras coisas? 
- Oh, j sabe. Veados, alces pumas 
- Pumas - levou a mo automaticamente  pistoleira-. No h pumas por aqui. 
Ele alou a cabea e olhou ao redor pensativo. 
- Bem, talvez ainda no seja a temporada. Mas comeam a baixar das montanhas ao chegar o inverno. Pode deixar, se quer esperar at que termine aqui, eu o farei. 
Mas ento, talvez tenha escurecido.
Althea estava certa de que ele fazia de propsito. No entanto olhou outra vez ao redor, em direo ao bosque, onde as sombras se alongavam. 
- Trarei a maldita lenha sussurrou, e se dirigiu para as rvores depois de ter comprovado sua arma. 
Ele a observou com um sorriso. 
- Vamos ficar muito bem aqui ele disse a si mesmo-. Muito bem. 
Seguindo as instrues de Colt, conseguiu iniciar um fogo respeitvel dentro de um crculo de pedras. No gostou, mas o fez. Depois, devido a afirmao dele em estar 
concentrado nos toques finais do motor, se viu obrigada a montar a barraca.
Era uma barraca leve que segundo Colt se levantava praticamente sozinha. Depois de vinte minutos de esforos e imprecaes, conseguiu. Um estudo detalhado indicou 
que abrigaria os dois desde que dormissem colados um ao outro. 
Ainda seguia olhando a barraca, sem prestar ateno ao frio do crepsculo, quando ouviu que o motor retornava a vida. 
- Como novo gritou, e depois o desligou-. Tenho que me limpar informou. Saltou da cabine com uma jarra de gua. Usou-a com cuidado, junto com uma lata de removedor 
de graxa da caixa de ferramentas-. Bom trabalho comentou, olhando a barraca. 
- Obrigada.
- H cobertores no avio. Nos ajeitaremos - respirou fundo, cheirando a fumaa, o pinheiro e o ar puro-. No h nada como acampar entre as montanhas. 
- Terei que aceitar sua palavra ela meteu as mos nos bolsos. 
Colt terminou de limpar-se com o trapo antes de se levantar. 
- No me diga que jamais acampou. 
- Concordo, no direi. 
- Como so suas frias? 
- Vou a um hotel indicou com as sobrancelhas arqueadas-. Onde h servio de quarto, gua quente e tv por cabo. 
- No sabe o que perde. 
- Suponho que estou a ponto de averiguar tremeu uma vez e suspirou-. No me viria mal um vinho. 
Junto ao vinho,deram-se um banquete de queijo, caviar e torradas salgadas untadas com um delicado pat. 
Althea chegou  concluso de que poderia ter sido pior. 
- Nunca comi assim num acampamento comentou Colt ao pr mais caviar sobre uma torrada-. Pensei que ia ter que sair e matar um coelho. 
- Por favor, no diga isso enquanto como bebeu mais vinho e se sentiu estranhamente descontrada. Era verdade que o fogo ajudava a manter o frio a risca. E encantava 
ver como crepitava. No cu, inumerveis estrelas piscavam, apunhalando o cu negro e sem nuvens. Uma lua crescente enchia de prata as rvores e projetava seu resplendor 
sobre os cumes nevados que os rodeavam. J tinha deixando de sobressaltar-se cada vez que um lobo uivava. 
- Lugar bonito Colt acendeu um cigarro-. Nunca antes tinha passado muito tempo por aqui. 
Althea tambm no, fazia doze anos que no saia de Denver. 
- Gosto da cidade sussurrou, mais para si mesma do que para ele. Escolheu um ramo para avivar o fogo. 
- Por que? 
- Suponho porque esta cheia. Porque pode encontrar qualquer coisa que queira. E porque ali me sinto til. 
- E para voc isso  importante. 
- Sim, . 
- Foi difcil seu passado comentou enquanto via como as chamas ressaltavam os olhos de Althea e suavizava sua pele. 
-  algo que ficou para trs quando Colt tomou a mo dela, no resistiu, nem respondeu-. No quero falar disso afirmou-. Nunca.
- De acordo podia esperar-. Falaremos de outra coisa  levou a mo aos lbios e sentiu uma leve resposta no modo em que ela flexionou os dedos-. Acho que nunca 
contou histrias em torno de uma fogueira. 
- Suponho que no no sorriu. 
- Provavelmente poderia me ocorrer uma para passar o tempo. Mentira ou verdade? 
Althea se colocou a rir, mas no ato se ps de p de um salto, engatilhando a pistola. A reao de Colt foi como um relmpago. No mesmo instante ficou a seu lado, 
afastando-a, com a arma na mo depois de t-la sacado da bota. 
- O que? demandou, com os olhos entrecerrados, escrutinando a escurido. 
- Ouviu isso? H algo a fora. 
Prestou ateno, enquanto instintivamente se movia para proteger as costas. Depois de um momento de vibrante silncio, ouviu um leve rugido, depois o uivo longnquo 
de um coyote. O uivo fez que o sangue de Althea gelasse.
Colt soltou um praga, mas ao menos no riu. 
- Animais explicou, agachando-se para guardar o arma. 
- De que tipo? seus olhos no deixaram de estudar o permetro com cautela. 
- Pequenos assegurou-. coelhos apoiou uma mo sobre os dedos dela, que seguiam sustentando a pistola-. Nada a que esburacar, franco atiradora. 
Ela no se convenceu. O coyote voltou a emitir seu uivo e obteve a resposta de um uivo. 
- E que me dizes dos pumas? 
Foi responder,  pensou melhor e se conteve.
- Vamos, querida, no  provvel que cheguem muito perto do fogo. 
- Talvez devessemos avivar o fogo com o cenho franzido, guardou a pistola. 
- J  bem grande a voltou para ele e passou as mos pelos braos-. Acredito que jamais vi voc to assustada. 
- No gosto de ficar exposta, existem muitas coisas por aqui e a verdade  que preferia enfrentar um ianque pendurado num beco escuro que a uma criatura pequena 
e peluda com caninos. No ria, maldito seja! 
- Sorrir passou a lngua pelos dentes e se esforou por manter-se srio-. Parece que vai ter que confiar em mim para sair disso. 
- Oh, verdade? 
A apertou com mais fora quando ela ameaou afastar-se. A expresso de seus olhos mudou com tanta velocidade, de divertida a cheia de desejo, que ela ficou sem flego. 
- S estamos voc e eu, Althea. 
-  o que parece soltou o ar devagar. 
- Creio que no  necessrio que volte a dizer o que sinto por voc. Nem o muito que desejo voc. 
- No a invadiu a tenso ao sentir os lbios de Colt na tmpora. E a atravessou um calor aterrorizador. 
- Posso fazer que esquea onde est baixou os lbios at a mandbula-. Se me deixar. 
- Teria que ser muito bom para isso. 
Colt riu. 
- Falta muito para manh. Aposto que posso convencer voc antes de que amanhea. 
No sabia por que resistia a algo que queria com tanto afinco. No  tinha dito, faz tempo, que nunca voltaria a deixar que o medo dominasse seus desejos? E no tinha 
aprendido a saciar esses desejos sem sentir-se culpada? 
Podia faz-lo nesse momento, com ele, e apagar esse demolidor anseio. 
- De acordo, Nightshade com atrevimento rodeou o pescoo com os braos e o olhou aos olhos-. Aceito a aposta. 
A mo dele se cerrou sobre seu cabelo e jogou a cabea para trs. Durante um momento longo e palpitante, olharam-se. Depois a pegou. 
A boca de Althea era ardente e tinha gosto de mel, to exigente como a fome, to selvagem como a noite. Aprofundou o beijo, utilizando a lngua e os dentes, sabendo 
que podia dar-se um banquete que jamais o saciaria. Ento tomou mais, atacando sua boca de maneira implacvel enquanto ela respondia com igual fervor.
Mareada, Althea compreendeu que era como a primeira vez que a tinha arrastado a ele e tinha feito provar o que podia oferecer. Como uma droga fatal, o sabor acelerou 
seu pulso e bombeou o sangue com tanta velocidade que a mente se afastou da razo. 
Perguntou-se como tinha esperado sair ilesa. E depois esquecer o que  importava. 
J no queria estar certa, nem controlar a situao. Nesse momento, com ele, s queria sentir, experimentar tudo o que uma vez parecia impossvel, ou pouco inteligente. 
E se com isso tinha que sacrificar a sobrevivncia, que assim fosse. 
Impulsionada pela cobia, comeou a tirar a camisa dele, desesperada por sentir aquele corpo duro e slido. Ele no tinha que ser mais forte que ela, mas ele era, 
aceitaria a vulnerabilidade que implicava ser mulher. E o poder que a acompanhava.
Era como um vulco a ponto de estourar e quando surgissem os tremores s queria estar unida a Colt. 
Cobertura a cobertura, estava arrancando a sensatez. Esses lbios selvagens, essas mos febris. Com um juramento mais parecido a uma prece, levou-a quase  fora 
para a barraca, sentindo-se como um caador primitivo que agarrava a sua companhiera eleita no interior de uma gruta. 
Caram juntos no refgio, uma emaranhada de braos, pernas  e necessidades. Tirou a jaqueta dela, lutando por respirar enquanto com cobia  enchia de beijos o pescoo. 
Sentiu a vibrao do gemido de Althea sobre os lbios enquanto lutava com a cartucheira, deixando de lado o smbolo de domnio e violncia, sabendo que comeava 
a perder o controle, esmagado por uma torrente de sentimentos que no era capaz de suprimir. 
Queria-a nua. Tensa e a ponto de gritar. 
A respirao dela saa entrecortada enquanto lhe tirava a roupa. A fogueira brilhava com uma luz alaranjada atravs do tnue material da barraca, o que lhe permitia 
ver o propsito escuro e perigoso nos olhos dele. Encantou-lhe, extasiada no pnico que sacudiu seu corpo ali onde o tocava e possua. Sabia que essa noite a tomaria. 
E seria tomado. 
Contendo-se, Colt tirou a malha pela cabea e o atirou de lado. Embaixo ela usava um suti, uma delicada renda banca que em outro lugar, num momento de maior sensatez, 
o teria excitado por sua manifesta feminilidade. Poderia ter brincado com as tiras, deslizado os dedos sobre os sutis elsticos. Mas nesse instante o arrancou com 
um movimento brusco para liberar os seios para sua boca faminta.
O sabor dessa pele clida e aromtica o agitou vigoroso como um golpe. E a reao dela, a forma adorvel em que arqueou o corpo contra o seu, o prolongado e rouco 
gemido que emitiu, o rpido e desvalido arrepio que sentiu, impulsionaram-no a um cume de prazer com a que jamais tinha sonhado. 
Deu-se um banquete. 
Um gemido ficou atracado na garganta de Althea. Fincou as unhas nos ombros nus dele, com o desejo de incit-lo a continuar, aterrorizada ao pensar para onde a conduzia. 
Agarrou-se a Colt na procura de equilbrio, moveu-se embaixo em sinuoso convite, arqueando-se uma vez mais quando tirou as calas, baixando esses dedos to hbeis 
por suas coxas. 
O tringulo de tecido que a protegia  se rasgou. Uma vez mais se banqueteou.
O grito aturdido da libertao dela percorreu as veias de Colt. Althea explodiu como um foguete. Mas chegado o momento do auge,  no lhe deu respiro. Ela se agarrou 
ao cobertor enquanto a sacudia com sensaes carentes de nome ou forma. 
Ao posicionar-se sobre ela, com msculos trmulos, seus olhos abertos se encontraram. Colt observou seu rosto, encheu-se com sua imagem enquanto se enterrava em 
seu interior com uma investida desesperada. Os olhos dela se puseram vidrados, fecharam-se. A prpria viso dele se nublou antes de afundar o rosto em seu cabelo. 
Seu corpo dominou a situao e se acoplou ao ritmo veloz e furioso dos quadris de Althea. Cavalgaram como meninos furiosos e cobiosos de uma fruta proibida. O grito 
final de escuro prazer que emitiu, ela soltou no ar segundos antes do de Colt. 
Ausente de foras derrubou-se sobre ela e suspirou ao senti-la tremer. 
- Quem ganhou? conseguiu perguntar passado um momento. 
A Althea no tinha parecido possvel poder rir num momento semelhante, mas um riso subiu por sua garganta. 
- Digamos que foi um empate. 
- Me basta pensou em levantar seu corpo, mas temia que se  quebrasse com o movimento-. Mais do que suficiente. Vou beij-la num minuto murmurou-, primeiro tenho 
que reconstituir minhas foras. 
- Posso esperar deixou que seus olhos voltassem a fechar-se e desfrutou da proximidade. O corpo dele seguia irradiando calor e o corao estava sereno. Acariciou-lhe 
as costas pelo  simples prazer do contato, mas franziu um pouco o cenho quando seus dedos encontraram uma cicatriz-. O que  isto? 
- Mmm? moveu-se, surpreso ao descobrir que tinha estado a ponto de dormir sobre ela-. Tormenta do deserto. 
Em nenhum momento pensou que tinha chegado a participar naquela guerra. De repente ocorreu que tinha muitas coisas dele ainda ocultas. 
- Achava que tinha se retirado antes. 
- E assim foi. Aceitei fazer um pequeno trabalho algo colateral. 
- Um favor. 
- Poderia cham-lo assim. Algum soltou uma carga de metralhadoras em mim nada de que se preocupar virou a cabea-. Tem belos ombros. J tinha lhe dito? 
- No. Continua fazendo favores para o governo? 
- S se me pedem com amabilidade grunhiu, girando para poder coloc-la em cima dele-. Melhor? 
- Mmm -apoiou a face em seu peito-. Ainda acho que podemos congelar. 
- No se nos mantermos ativos sorriu quando ela levantou a cabea para olh-lo-. Mtodos de sobrevivncia, tenente. 
- Com certeza sorriu-. Tenho de reconhecer, Nightshade, que gosto de seus mtodos. 
- Sim? com suavidade passou os dedos pelo cabelo. 
- Sim. Quando temos que adicionar madeira ao fogo? 
- Oh, ainda temos algum tempo. 
- Ento no deveramos perder o tempo, no ? sem deixar de sorrir, baixou a boca  sua.
-Sim sentiu que voltava a enrijecer-se dentro de Althea, preparado para deixar que ela tomasse a iniciativa. Ao beij-la o invadiu um amor to intenso que o deixou 
sem respirao. Abraou-a com fora-. Sei que no  original, Thea, mas nunca tinha sido assim para mim. Com ningum. 
Isso a assustou, e mais do que as palavras foi  sensao de calidez que provocou nela. 
- Fala demais. 
- Thea 
Mas ela moveu a cabea e ergueu seu corpo, levando-o ao mais fundo dentro dela, provocando-o para que a necessidade de palavras se desvanecesse. 




Captulo 9


Colt acordou no ato. Um velho costume. Assimilou em meio a luz plida do amanhecer que entrava na barraca, o cobertor spero e o solo duro sob as costas, e a mulher 
esbelta e suave aconchegada sobre ele. Fez que sorrisse, recordando a forma com que tinham se acomodado durante a noite, procurando um lugar mais cmodo do que o 
solo do vale. 
O sol trazia as lembranas do mundo exterior e dos deveres que tinham nele. No obstante, tomou-se um momento para desfrutar da preguiosa intimidade e para imaginar 
outros momentos, outros lugares, onde voltariam a ser s eles dois. 
Com gentileza, tampou-lhe o ombro nu com o cobertor e deixou que seus dedos acariciassem o cabelo. Ela se moveu, abriu os olhos e os fincou nele. 
- Bons reflexos, tenente.
Althea deixou que sua mente e seu corpo se adaptassem  situao. 
- Suponho que chegou a manh. 
- Sim. Dormiu bem? 
- J dormir melhorcada msculo do corpo doa, ainda que achasse que um par de aspirinas e um pouco de exerccio o solucionariam-. E voc? 
- Como um beb. Alguns esto acostumados a terrenos duros. 
Ela arqueou uma sobrancelha e se afastou. 
- Alguns querem caf quando abandonou a calidez de Colt, o frio  arrepiou  a pele. Tremendo, alongou a mo em procura da malha. 
- Eh antes de que pudesse pr, a tomou pela a cintura e a puxou para si-. Esqueceu de uma coisa deslizou a mo por suas costas para aproximar-lhe a cabea e poder 
beij-la.
O corpo de Althea adquiriu uma fluidez doce e ela separou os lbios em convite. Sentiu que se derretia nele, maravilhada. Durante a noite tinham tido juntos os orgasmos, 
uma e outra vez, como relmpagos, com reflexos de cobia. Mas isso foi mais suave, mais forte, com uma vela que permanece acesa muito depois de que um fogo violento 
se tenha apagado. 
-  agradvel acordar com voc, Althea. 
Quis agarrar-se a ele como se fosse a vida. Mas o que fez foi passar um dedo por sua barba de um dia. 
- Voc no est to mau, Nightshade. 
Afastou-se com rapidez talvez, para dar-se tempo e espao. Como ele comeava a compreend-la muito bem, sorriu. 
- Sabe? Quando nos casarmos, teremos que comprar uma dessas camas gigantes, para dispor de espao suficiente para dar voltas e nos agarrar. 
Althea ps a malha. Quando sacou a cabea pelo pescoo, seus olhos estavam serenos. 
- Quem prepara o caf? 
-  algo que teremos que decidir assentiu pensativo-. Manter esses pequenos costumes ajuda um casal a se dar bem. 
Ela conteve uma gargalhada e recolheu as calas. 
- Me deve um conjunto de lingerie. 
Observou-a pr por suas pernas longas e suaves. 
- Comprar ser um prazer  ps a camisa enquanto ela procurava as meias -. Querida, tenho pensado. recebeu um rosnado enquanto se calava-. O que voc acha se nos 
casamos no reveillon?  romntico compartilhar o ano novo como marido e mulher.
- Eu prepararei o maldito caf  devolveu ela, saindo as pressas da barraca. 
Colt deu uma palmada no traseiro e riu entre dentes. Althea comeava a mudar. O que acontecia, era que ela ainda no sabia. 



Quando ela conseguiu voltar a acender o fogo, j tinha tido mais do que suficiente da vida ao ar livre. Enquanto remexia entre o pequeno fornecimento de suprimentos 
que tinha encontrado no avio, reconheceu que talvez a Montanha fossem bonita, talvez magnfica, com seus cumes irregulares e nevascas e os densos bosques. Mas tambm 
era fria, dura e deserta. 
Tinham uns amendoins diante de si e nem um restaurante  vista. 
Impaciente demais para esperar at que fervesse, retirou a gua quando esteve quente ao contato, depois verteu uma quantidade generosa de caf instantneo. O aroma 
bastou para faz-la babar. 
- Essa sim que  uma viso bonita Colt a observou no exterior da barraca-. Uma mulher preciosa inclinada sobre uma fogueira. 
- Deixe-me, Nightshade. 
- Irritada antes do caf, meu bem?  chegou perto dela sorrindo. 
Althea afastou a mo que ele tinha posto em seu cabelo. Voltava a enfeiti-la, e isso tinha que se acabar. 
- Aqui tem o caf da manh empurrou a lata de amendoins-. Pode servir seu caf. 
Obediente, agachou-se e verteu o contedo em duas xcaras de lato. 
- Bonito dia comentou-. Pouco vento, boa visibilidade. 
- Sim, estupendo aceitou a xcara que ofereceu-. Deus, mataria por uma escova de dentes.
- Nisso no posso ajudarprovou o caf e fez uma careta. Decidiu que era barro, mas ao menos daria energia-. No se preocupe, regressaremos cedo  civilizao. Poder 
escovar os dentes, tomar um banho de gua quente e ir  cabeleireira ela deixou a xcara ao lado, remexeu na bolsa e encontrou a escova para o cabelo; sentou-se 
no solo com as pernas cruzadas e com as costas para Colt se ps a escovar os cabelos-. Deixa-me fazer se sentou por trs dela e a acomodou entre as pernas. 
- Posso faz-lo eu. 
- Sim, mas com essa energia vai ficar calva depois de um leve toque de fora,  tirou a escova dela-. Deveria ter mais cuidado com delicadeza, comeou a desembaraar 
os cabelos-.  o cabelo mais bonito que j vi. De perto, posso ver mil tonalidades de vermelho e ouro.
- S  cabelo mas se Althea tinha um ponto de vaidade, Colt o acariciava nesse momento. E era maravilhoso. No pde resistir suspirar. Podiam estar no meio de nenhuma 
parte, mas durante um instante sentiu como se achasse imersa em pleno luxo. 
- Quando voltarmos a Denver, quero que me lembre onde estvamos. 
- Pode deixar com certo pesar, afastou-se-. Ser melhor como chama? levantar o acampamento? A propsito adicionou com um encolhimento de ombros-. Me deve mais 
do que roupa ntima nova me deve um caf da manh. 
- Pe na minha conta. 

Vinte minutos mais tarde, estavam sentados na cabine com os cintos de segurana presos. Colt comprovou os medidores enquanto Althea passava blush pela cara. 
- No vamos a uma festa comentou.
-  possvel que no possa escovar os dentes disse, levando-se  boca um caramelo que tinha encontrado na bolsa-. Pode ser que no disponha de um chuveiro. Mas 
no preciso esquecer do resto. 
- Gosto das suas bochechas quando esto plidas  ligou os motores-.  Do um aspecto frgil. 
Depois de olh-lo um momento,  ps mais blush. 
- Voa, Nightshade. 
- Sim, senhor, tenente. 
No considerou apropriado inform-la de que seria um despegue complicado. Enquanto ela se ocupava em tranar o cabelo, situou o avio em posio para avanar. Depois 
de levar um dedo  medalha que pendurava de seu pescoo, comeou a avanar. 
Experimentaram tombos, botes e chacoalhadas e ao final se elevaram. Colt lutou contra as correntes cruzadas de ar baixando uma asa, nivelando-se, alando o bico. 
Ao final deixaram atrs o vale e voaram acima das copas das rvores. 
- No foi to mau, Nightshade  jogou a trana s costas. 
Ele a olhou e viu o conhecimento em seus olhos. Tinha as mos firmes, mas sabia que seria complicado. 
- Boyd tinha razo, Althea.  uma parceira estupenda.
- Tenta manter essa coisa quieta uns minutos? sorriu e aproximou o espelho dos olhos para ocupar-se das pestanas.- E bem, qual  o plano? 
- O mesmo de ontem. Circundaremos esta zona. Procuraremos choupanas. A que queremos tem um acesso restrito. 
- Sem dvida isso estreita nossas possibilidades. 
- Fique quieta. Tambm se trata de uma choupana de dois andares com uma sacada que a circunda e trs janelas na parte dianteira, de cara ao oeste. O sol se punha 
numa das cenas do vdeo explicou-. Segundo a informao que temos, h um lago em alguma parte perto. Tambm viu pinheiros e pinheiros, o que nos brinda elevao. 
A choupana tinha uns troncos pintados de branco. No pode ser to difcil. 
Talvez tivesse razo nisso, mas Althea estava segura de que era necessrio dizer algo mais. 
- Pode ser que no esteja ali, Colt. 
- Vamos averiguar  virou o avio para pr rumo ao oeste. 
- Me diga, que posto tinhas nas Foras Areas? perguntou com af de mudar de tema e distrair sua preocupao. 
- Major esboou um sorriso-. Parece que supero voc em graduao. 
- Est aposentado  lembrou-. Aposto que o uniforme ficava bem em voc. 
- No me importaria ver voc vestida de azul. Olhe. 
Seguiu a direo que assinalava e avistou uma choupana. Era uma estrutura de trs plantas de madeira de secuoya. Notou outras duas, separadas entre se por uma fileira 
de rvores. 
- Nenhuma encaixa. 
- No conveio-. Mas a encontraremos. 
Continuaram a busca, Althea com um binculo. Algumas choupanas que viram pareciam desocupadas e de outras saa fumaa pela chamin, com veculos estacionados no 
exterior. 
Numa ocasio viu  um homem com camisa vermelha partindo lenha. Em outra divisou um grupo de alces pastando numa pradaria gelada. 
- No h nada comentou ao final ao menos que queiramos gravar um documentrio sobre Espera um reflexo branco captou sua ateno, depois o perdeu- D a volta.seguiu 
observando entre as colinas nevadas. 
E ali estava, dois andares, troncos pintados de branco, trs janelas que davam ao oeste, a sacada. Ao final do caminho de acesso tinha um furgo. E pela chamin 
saa fumaa. 
- Poderia ser essa. 
- Aposto a que  voou em crculo uma vez e depois se desviou. 
- Aceito a aposta desenganchou o microfone do rdio-. D-me a posio. Chamarei para pedir uma equipe de vigilncia a fim de que possamos voltar a solicitar uma 
ordem de registro. 
- Adiante, chama lhe deu as coordenadas. - Mas no penso esperar at que consigamos um papel. 
- Que demnios acredita que pode fazer? 
- Penso aterrizar e entrar a olhou por um momento. 
- No afirmou-, no o far. 
- Se faz o que se deve se dirigiu para o prado onde Althea tinha visto pastar aos alces-. H uma grande possibilidade de que esteja ali. No vou deix-la. 
- Que vai fazer? quis saber, incomodada demais para fixar-se na perigosa descida-. Entrar com a pistola em punhos? S se ver isso em filmes, Nightshade. No s 
 ilegal, e ainda pe a refm em perigo. 
- Tem uma idia melhor? preparou-se para a aterrissagem. Iam patinar quanto s rodas posassem no solo. Esperou que no voltassem. 
- Viro agentes com equipe de vigilncia. Averiguaremos quem  o proprietrio da choupana e conseguiremos uma ordem. 
- Para depois entrar? No, obrigada. Disse que sabia esquiar, verdade? 
- O que? 
- Est a ponto de faz-lo num avio. Segure-se. 
Althea girou a cabea e ficou boquiaberta ao ver que a gelada pradaria estava cada vez mais proxima deles. Teve tempo de soltar uma praga, mas depois ficou sem 
ar ante a fora do impacto. 
Aterrisaram e patinaram. A neve se levantou de ambos lados do aparelho, salpicando as janelas. Ela observou quase com resignao enquanto avanavam para um arvoredo. 
Ento o avio girou por duas vezes antes de parar com brusquido. 
-Manaco! respirou fundo vrias vezes, lutando contra o pior de seu mal humor, j que, quando o matasse, queria faz-lo bem. 
- Numa ocasio aterrizei nas Aleutianas, sem rodar. Foi muito pior do que isto. 
- E que demonstra? exigiu. 
- Que ainda sou um magnfico piloto? 
- Cresce de uma maldita vez! gritou-. No estamos na terra da fantasia. Estamos perto de supostos seqestradores e assassinos, e o mais possvel  que em meio se 
encontre presa uma jovem inocente. Vamos fazer isto bem, Nightshade. 
Com um gesto, soltou-se o cinto e tomou as duas mos dela pelos pulsos.
- Escuta-me voc. Sei o que  real, Althea. Vi suficiente realidade em minha vida e conheo a sua crueldade. Conheo essa garota. Tive-a em meus braos quando era 
beb e no penso deixar que sua vida dependa da burocracia e os procedimentos. 
- Colt 
- Esquea  soltou as mos e se jogou para trs.- no vou solicitar sua ajuda, porque tento respeitar as idias que tem sobre as regras e os regulamentos. Mas irei 
procur-la, Thea, e o farei agora. 
- Espera levantou uma mo e  a passou pelo cabelo-. Deixa-me pensar um minuto. 
- Pensa demais mas quando tentou levantar-se, plantou-lhe um punho no peito. 
- Disse que esperasse jogou a cabea para trs, cerro os olhos e o meditou-. A que distncia se encontra a choupana? perguntou passado um momento-. A uns oitocentos 
metros?
- Um quilmetro ou algo mais. 
- Os caminhos que conduziam at ali estavam limpos de neve. 
- Sim o dominou a impacincia-. E? 
-  melhor do que ficar preso na neve. Mas uma avaria bastar. 
- De que est falando? 
- Falo de trabalhar juntos abriu os olhos e o imobilizou com o olhar-. Voc no gosta da minha forma de trabalhar e a e eu no gosto da sua. Assim que vamos ter 
que encontrar um ponto intermedirio. Vou chamar  polcia local para que nos apie e pedirei que se coloquem em contato com Boyd, para ver se ele pode iniciar a 
burocracia. 
- Voc disse 
- No importa o que eu falei antes cortou com calma-.Faremos assim. No podemos entrar assim na choupana. Primeiro, talvez seja a choupana errada. Segundo voltou 
a interromp-lo antes de pudesse falar-, por  Liz num perigo maior se est ali. E terceiro, sem uma causa provvel, sem um procedimento adequado, esses canalhas 
poderiam ficar livres, e os quero encerrados. E agora escuta
Colt no gostou. Pouco importava o lgico que fosse ou que se tratasse de um bom plano. Mas durante o longo trajeto at a choupana, Althea rebateu com lgica serena 
e singela os argumentos que props ele. 
Fazia questo de entrar. 
- O que faz voc pensar que eles nos deixaro entrar somente atendendo ao nosso pedido? 
Olhou-o com a cabea inclinada. 
- No desperdicei nenhum com voc, Nightshade, mas disponho de muito encanto. O que acha que faria a maioria dos homens ao ver uma mulher desvalida que pede ajuda 
porque est perdida, tem o carro quebrado e -tremeu e converteu sua voz num ronronado- e faz tanto frio fora? 
- E se eles se oferecem para levar voc at o carro para arrum-lo? perguntou depois de soltar um juramento. 
- Pois estarei profundamente agradecida. E os distrairei o tempo suficiente para fazer o que tenha que fazer. 
- E se mostram-se desagradveis? 
- Ento voc e eu teremos que chutar algumas bundas, no? 
- Continuo pensando que deveria acompanhar voc. 
- No vo ser simpticos com uma mulherzinha se ela for acompanhada de um homem grande e forte replicou com sarcasmo no ar frio-. Com um pouco de sorte, os agentes 
locais tero chego antes que possa acontecer alguma coisa calou e calculou a distncia-. Estamos bastante perto. Talvez um deles tenha sado para dar um passeio. 
No  bom nos ver juntos. 
Colt meteu as mos nos bolsos e se obrigou a relaxar. Althea tinha razo e alem disso era boa. Ele pegou ela pelos ombros e a abraou. 
- V com cuidado, tenente. 
- O mesmo digo e deu um beijo apaixonado. 
Girou e se afastou com passos longos. Colt quis dizer que parasse, que a amava. Mas deu a volta para a parte de atrs da choupana. No era o momento para  declaraes 
amorosas. As reservaria para depois. 

Desterrou tudo de sua mente e correu pela neve endurecida, mantendo-se agachado durante todo o momento. 
Althea avanou a toda velocidade. Queria estar ofegante e com os olhos umedecidos ao chegar  choupana. Quando teve as janelas  vista, empreendeu uma caminhada 
lenta, imitando alvio. Praticamente se deixou cair sobre a porta. 
Reconheceu  Kline quanto ele abriu a porta. Usava uma cala cinza de chndal e tinha os olhos entrecerrados devido  fumaa que se elevava do cigarro que apertava 
na comissura dos lbios. Cheirava a fumo e a whisky. 
- Oh, graas a Deus! apoiou-se no marco da porta-. Graas a Deus! Temia no encontrar ningum. Acho que estou caminhando a uma eternidade. 
Kline a estudou. Pensou que era um bombom muito doce, mas no gostava de surpresas.
- Que quer? 
- Meu carro - levou uma mo trmula ao corao-. Quebrou deve de estar a um quilmetro daqui, no mnimo. Vinha visitar a uns amigos. No sei, mas talvez me meti 
no desvio errado tremeu e se jogou mais na entrada-. Posso entrar? Tenho muito frio. 
- No h ningum por aqui, nenhuma outra choupana. 
- Sabia que tinha tomado a sada errada fechou os olhos-. Passado um tempo tudo comea a ser igual. Sa de Englewood antes que amanhecesse estou comeando as minhas 
frias o olhou com os olhos muito abertos e conseguiu esboar um sorriso dbil-. Me deixa usar o telefone, para informar aos meus amigos para virem me procurar? 
- Talvez decidiu que era inofensiva. E um prazer para a vista. 
- Oh, um fogo -com seu gemido de alvio, Althea se lanou para a chamin-. No imaginei que pudesse ser to frio enquanto esfregava as mos, sorriu-lhe acima do 
ombro-. No sabe como agradeo por ajudar-me. 
- No  nada  tirou o cigarro da boca-. No h muita gente por aqui. 
- No me estranha olhou pela janela. - Mas  lindo. Suponho que se estivesse acalentada junto ao fogo com uma garrafa de vinho, pouco importaria cair uma ou duas 
nevascas. 
- Eu j gostaria de ser acalentado com algo mais do que uma garrafa Kline sorriu. 
Althea piscou e terminou por baixar as plpebras. 
- O Senhor  romntico, senhor 
- Kline. Podes chamar-me de Harry. 
- De acordo, Harry. Eu sou Rose disse, dando seu segundo nome por precauo, pois seu nome poderia ser reconhecido, relacionando-o com o da polcia que tratava 
com Wild Bill. Ofereceu-lhe a mo-.  um verdadeiro prazer. Acredito que voc me salvou a vida. 
- Que diabos passa aqui? 
Althea levantou a vista para o primeiro andar e viu a um homem alto e delgado com uma mata revolta de cabelo loiro. Reconheceu-o como o segundo ator da pelcula. 
- Temos uma convidada inesperada, Donner informou Kline-. O carro dela quebrou. 
- Bem, diabos Donner piscou para despejar-se a vista e a olhou com ateno-. Est fora de temporada, encanto. 
- Estou de frias respondeu, sorrindo-lhe. 
- No  estupendo? comeou a descer as escadas como um galo num galinheiro-. Por que no prepara uma xcara de caf para a dama, Kline? 
- Wave j est na cozinha.  seu turno. 
- Perfeito Donner lanou a Althea o que ele considerava um sorriso intimo-. Diga que sirva outra xcara para nossa convidada. 
- Por que no vai voc? 
- Oh, me encantaria uma xcara de caf interveio Althea, olhando Kline com seus enormes olhos castanhos-. Estou gelada. 
- Claro  encolheu os ombros, olhou Donner como um cachorro que adverte a um competidor, e se foi. 
Ela se perguntou se teria algum componente mais da organizao na choupana ou se estariam s os trs. 
- Dizia a Harry como a choupana  bonita entrou no salo e deixou a bolsa na mesa-. Vive o ano todo? 
- No, viemos de vez em quando. 
-  bem maior do que parece por fora. 
- Cumpre com sua funo  se aproximou da cadeira que Althea se sentou-. Talvez agradaria a voc ficar aqui e passar suas frias. 
Ela riu, sem pr objeo quando ele passou um dedo pelo cabelo. 
- Oh, mas meus amigos me esperam. Alem do mais, so somente duas semanas -riu com voz rouca e sensual-. Me diga, que fazem para divertir? 
- Voc se surpreenderia Donner apoiou uma mo na coxa dela. 
- No me surpreendo com facilidade. 
- Afaste-se Kline regressou com uma xcara de caf-. Aqui tem, Rose. 
- Obrigado aspirou o aroma-. J me sinto menos gelada. 
- Por que no tira o casaco? Donner aproximou-se para retirar o casaco, mas ela se moveu, sem deixar de sorrir. 
- Quando esquentar um pouco meu corpo tinha tomado a precauo de tirar a pistoleira, mas preferia ter mais camuflagem, j que usava pistola nas costas-. So irmos? 
pergunto para emplacar conversa. 
- No bufou Kline-. Poderia dizer que somos scios. 
- Oh, verdade? Que negcios vocs se dedicam? 
- Comunicaes indicou Donner mostrando uns dentes brancos. 
-  fascinante. Sem dvida tm muitos equipamentos olhou a tela grande de televisor, o vdeo de ultima gerao e o equipamento de som-. Encanta-me ver filmes nas 
noites longas de inferno. Talvez poderamos reunir-nos alguma vez para -calou, alertada por um movimento no andar de cima. Levantou o olhar e viu  garota. Tinha 
o cabelo revolto e uma expresso de infinito cansao nos olhos. Tinha perdido peso, mas a reconheceu pela foto que Colt havia lhe mostrado-. Oi saudou com um sorriso. 
- Volte para  seu quarto gritou Kline-. Agora. 
Liz umedeceu os lbios. Usava jeans gastos e uma malha azul com os punhos desfiados. 
- Queria tomar o caf da manh disse com voz abafada, mas no intimidada. 
- Voc tomar Kline observou Althea e ficou satisfeito ao verificar que sua expresso era de amistoso desinteresse-. Agora volta para seu quarto at que eu a chame. 
Liz titubeou o tempo suficiente para lanar-lhe um olhar frio. Isso animou  Althea. Ainda no a tinham derrotado. Voltou a entrar no quarto e fechou a porta com 
fora. 
- Meninos sussurrou Kline, acendendo outro cigarro. 
- Sim Althea sorriu com simpatia-.  sua irm? 
Kline se engasgou com a fumaa, mas assentiu. 
- Sim. Sim,  minha irm. Queria usar o telefone? 
- Oh, sim deixou a xcara de caf e se ps de p-. Eu agradeo. Meus amigos comearo a preocupar-se. 
- Aqui est indicou ele-. Adiante. 
- Obrigada mas ao levantar o fone, no tinha tom-. Cus, acredito que no tem linha. 
Kline amaldioou e chegou perto dela ao mesmo tempo em que sacava uma chave em forma de L do bolso. 
- Eu esqueci. Desconectei-o de noite para que a pequena no pudesse us-lo. Fazia um monto de telefonemas a longa distncia. J sabe como so as garotas.
- Sim,  verdade sorriu. Ao ouvir o sinal de tom, marcou o nmero da polcia local-. Fran disse com alegria, chamando  telefonista pelo nome que tinham lembrado-. 
No vai acreditar no que aconteceu. Perdi-me e o carro quebrou. Se no fosse por uns garotos estupendos, no sei que teria feito riu, com a esperana de que Colt 
estivesse em ao-. No, sempre me perco. Espero que Bob venha procurar-me. 


Enquanto Althea falava no telefone, Colt subiu numa rvore. Com o binculo tinha visto tudo o que precisava ver atravs dos amplos janeles. Althea dominava a situao 
e Liz se achava no segundo andar. 
Tinham lembrado que se surgisse a oportunidade, a tiraria da casa. Colt teria preferido um caminho mais direto, para dar-lhes uma lio a esses miserveis, mas o 
primeiro era a segurana de Liz. Quando a afastasse dali, regressaria. 
Com um rosnado, trepou at o saliente estreito e se jogou na borda da janela. Viu Liz tombada numa cama desfeita; de costas para ele, se colocava numa postura defensiva. 
Seu primeiro impulso foi quebrar o vidro e saltar para o  interior. Por medo de assust-la e que pudesse gritar, chamou com suavidade. 
Ela se moveu. Quando voltou a chamar, girou com cautela, olhando com olhos perdidos para o sol. Ento piscou e com lentido se incorporou na cama. Colt levou um 
dedo aos lbios para indicar-lhe que ficasse em silncio. Mas isso no conteve as lgrimas que inundaram os olhos de Liz ao aproximar-se. 
- Colt! sacudiu a janela, depois apoiou a face contra o vidro e seguiu chorando-. Quero ir para casa! Por favor, por favor, quero ir para casa! 
Mal conseguia ouvi-la atravs do vidro. Temendo que suas vozes pudessem ser escutadas, chamou outra vez e aguardou at que Liz girou a cabea para olh-lo. -Abre 
a janela, pequena  moveu os lbios com preciso, mas ela s negou com a cabea. 
- Esta trancada disse, esfregando-se os punhos contra os olhos-. Trancaram-na. 
- Est certo, ok. Olhe, olhe-me fez sinais com as mos para captar seu atendimento-. Um travesseiro. Traz um travesseiro. 
Um leve reflexo brilhou nos olhos dela. Uma cautelosa volta da esperana. Obedeceu com celeridade. 
- Apia contra o vidro. Mantenha firme e vira a cabea. Afasta a cabea, pequena empregou o cotovelo para romper o vidro, satisfeito de que o travesseiro amortecido 
quase todo o rudo. Quando afastou fragmentos suficientes para meter o corpo, entrou. Ela se lanou de imediato a seus braos, sem deixar de soluar. Segurou-a e 
a acalentou como se fosse um beb-. Sss Liz. Tudo vai ficar bem agora agora, vou levar voc para casa. 
- Eu sinto. Sinto tanto. 
- No se preocupe. No se preocupe por nada se afastou para olh-la aos olhos. Estava muito magra e plida. E tinha muitas coisas que perguntar-. Querida, vai ter 
que ficar assim um pouco mais. Vamos levar voc embora daqui, mas temos que nos mover com toda velocidade. Tem um Casaco? Sapatos? 
- Eles levaram moveu a cabea-. Levaram tudo para que no pudesse fugir. Tentei, Colt, juro que o tentei, mas 
- Est bem voltou a colar o rosto contra o ombro antes que pudesse domin-la a histeria-. No pense nisso agora. Vai fazer exatamente o que te diga. De acordo? 
- De acordo. Podemos ir j? Agora mesmo? 
- Agora mesmo. Envolveremos voc nesse cobertor o pegou da cama com uma mo e fez o que pde para abrig-la-. Agora vamos sofrer uma pequena queda. 
Mas se agarra a mim e relaxa, tudo sair bem a levou para a  janela, com cuidado de proteger-lhe o rosto contra o frio e das pontas irregulares do vidro rompido-. 
Se quer gritar, faa em sua cabea, mas no em voz alta. Isso  importante. 
- No gritarei com o corao acelerado, colou-se ao peito dele-. Por favor, s leva-me a casa. Quero minha mame. 
- Ela tambm quer voc. E seu pai no deixou de falar baixinho e tranqilizadora-. Vamos cham-los assim que sairmos daqui - rezou e saltou. 
Sabia como cair, de um edifcio, de umas escadas, de um avio. Sem a menina, singelamente teria rodado. Com ela, girou o corpo para receber a maior parte do impacto 
sobre suas costas e proteg-la. 
Ficou sem ar e se golpeou no ombro, mas se incorporou quanto aterrizaram, com Liz ainda agarrada contra o peito. Correu para o caminho; tinha percorrido a metade 
do trajeto quando ouviu o primeiro disparo. 



Captulo 10

Althea estendeu a conversa com a telefonista da polcia, detendo-se o tempo suficiente para assimilar a informao de que a equipe de apoio chegaria em dez minutos. 
Esperava que Colt tivesse tirado Liz da choupana, mas, fosse como fosse, parecia que tudo sairia como a seda. 
- Obrigada, Fran. Eu tambm tenho vontade de ver Bob e voc. Espere que  perguntarei a Harry onde estamos porque no tenho nem idia sorriu na direo de Harry 
e tampou o fone com a mo-. Tem uma direo ou algo para que se orientem? Bob vai vir pegar-me e dar uma olhada no meu carro. 
- No h problema desviou a vista quando Wave saiu da cozinha-. Espero que tenha preparado suficiente caf da manh para incluir a nossa convidada lhe disse-. 
Teve uma manh difcil. 
- Sim, h bastante Wave olhou a Althea e franziu os olhos-.Eh! Que diabos  isto?
- Mostre modos sugeriu Donner-. H uma dama presente. 
- Dama  uma ova!  policial.  a policial de Wild Bill. 
Lanou-se para ela, mas Althea estava preparada. Tinha captado o reconhecimento em seus olhos e j tinha a arma na mo. No teve tempo para pensar ou preocupar-se 
pelos outros dois, j que cento trinta quilos de msculo a golpearam. 
Voou pelos ares e o primeiro disparo deu numa mesa antiga. Uma coleo de frascos caiu ao solo, esparramando fragmentos de ametista e gua marinha. Althea viu as 
estrelas e, atravs delas, viu o seu oponente avanar como um trem de nus. 
O instinto a impulsionou rodar para a esquerda para esquivar do golpe. Wave era enorme, mas ela era rpida. Ps-se de joelhos e segurou a arma com ambas mos. 
Nessa ocasio no errou. Disps s de um instante para notar a mancha de sangue na camiseta branca antes de incorporar-se de um salto. 
Donner se dirigia para a porta e Kline amaldioava enquanto abria uma gaveta. Althea percebeu o reflexo de cromo. 
- Quieto! a ordem fez que Donner levantasse as mos e se convertesse numa esttua, mas Kline sacou a pistola-. Faa e morrer lhe disse, retrocedendo para poder 
manter ambos  vista-. Deixe-a, Harry, ou vai manchar o tapete igual seu amigo. 
- Filha de uma cadela com os dentes apertados, soltou a arma. 
- Boa escolha. E agora, no cho, de bruos, com as mos s costas. Voc tambm, Romeu  ordenou a Donner. Enquanto obedeciam, recolheu a arma de Kline-. Deveria 
saber que no deveria deixar entrar nenhum desconhecido. 
Deus, di, pensou Althea ao baixar a descarga de adrenalina. Dos ps  cabea era um nico ponto de dor. Esperava que Wave no tivesse acertado nada vital. 
Na distncia ouviu o som de uma sirene. 
- Ao que parece a boa Fran enviou  cavalaria. E agora, se ainda no entenderam, sou a lei e esto presos. 
Ouvindo a sirene ela lia os direitos dos prisioneiros quando Colt irrompeu com a pistola numa mo e a faca na outra. De acordo com seus clculos, mal tinha passado 
trs minutos desde o primeiro disparo. Era evidente que se movia depressa. 
Althea o olhou um instante e concluiu o procedimento. 
- Cuide desses idiotas, certo Nightshade? pediu ao recolher o fone do telefone que ainda pendurava do cabo-. Agente Money? Sim, sou a tenente Grayson. Precisaremos 
de uma ambulncia. H um suspeito com uma ferida no peito. No, a situao est sob controle. Obrigada, foi de grande ajuda pendurou e olhou Colt-. E Liz?
- Est bem. Disse-lhe que esperasse a polcia junto ao caminho. Ouvi os disparos tinha as mos firmes, algo que agradeceu, j que por dentro era gelatina-. Pensei 
que a tinham descoberto. 
- No se equivocou. Esse com a cabea indicou  Wave-. J me viu com Wild Bill. Por que no vai procurar uma toalha? Ser melhor que tentemos parar a hemorragia. 
- Ao demnio com isso! a fria saiu to repentinamente e com tanta violncia que os dois homens tendidos no solo tremeram-. Tem um corte na cabea. 
- Tenho? acercou os dedos  dor palpitante na tmpora direita, depois observou o sangue com desgosto-. Diabos. Espero no precisar pontos. Odeio pontos. 
- Qual deles golpeou voc? Colt estudou os trs homens com olhos gelados-. Quem? 
- O que recebeu o disparo. O que est sangrando. V procurar uma toalha e veremos se conseguimos que chegue vivo ao tribunal quando no respondeu, se interps entre 
Colt e o ferido. As intenes dele eram bvias-. No me venha com essas tolices, Nightshade. No sou uma donzela em apuros, e os cavaleiros de brilhante armadura 
me irritam. Entendido? 
- Sim conteve a respirao. Percorriam-no demasiadas emoes. Nenhuma alteraria a situao-. Sim, entendido tenente. 
Girou para fazer o que ela tinha pedido. Depois de tudo, pensou. Althea pode manejar a situao. Pode manejar tudo. 
No comeou a serenar-se at achar-se outra vez no avio. Ao menos tinha que fingir calma pelo bem de Liz. Tinha-se agarrado a ele, suplicando-lhe que no a enviasse 
com a polcia, que ficasse com ela. Por isso tinha aceitado que a pequena ocupasse o assento do co-piloto e Althea fora atrs. 
Com olhar perdido, a jovem olhava pelos pra-brisas. Apesar das tentativas dele de lhe passar calor, no parava de tremer. Quando puseram rumo ao este, comeou a 
chorar. Os ombros tremeram com violncia, mas no emitiu nenhum som. 
- Vamos, pequena impotente, Colt segurou sua mo-. J passou tudo. Ningum mais vai lhe ferir. 
Mas as lgrimas silenciosas seguiram caindo. 
Sem dizer uma palavra, Althea se levantou, avanou e com calma soltou o cinto de segurana. Comunicando-se mediante o contato, fez com que Liz se  levantasse. Ocupou 
o assento e  a acomodou  em seu abrao, com a cabea no ombro.
- No olhe para trs murmurou. 
Quase de imediato, os soluos de Liz soaram em toda a cabine. A dor que manifestava rasgou o corao de Althea enquanto a abraava. Destroado pelo pranto, Colt 
alongou uma mo e lhe acariciou o cabelo. Mas ao sentir o contato a jovem se aconchegou mais contra Althea. 
Ele baixou a mo e se concentrou no cu. 

Foi a gentil insistncia de Althea o que convenceu  Liz que o melhor seria ir primeiro ao hospital. A pequena no parava de repetir que queria ir pra casa. E a todo 
momento teve que recordar com suavidade que seus pais j estavam a caminho de Denver. 
- Sei que  duro manteve o brao em torno dos ombros de Liz-. E sei que assusta, mas precisa ser examinada. 
- No quero que nenhum mdico me toque. 
- Eu sei o sabia bem demais-. Mas  uma doutora sorriu e lhe acariciou o brao-. No far nenhum mau a voc. 
- Ser muito rpido assegurou Colt. Lutou por manter o sorriso. O que desejava era gritar. Quebrar algo. Matar algum. 
- De acordo Liz voltou a olhar com receio a sala de consulta do hospital-. Por favor - apertou os lbios e olhou com expresso de splica a Althea. 
- Quer que v com voc? Que fique com voc? ante ao consentimento da menina, abraou-a com mais fora-. Claro, no h problema. Colt por que no vai procurar uma 
mquina de refrigerantes, talvez caramelos? sorriu  jovem  Eu gostaria de um chocolate. E voc? 

- Sim Liz respirou fundo-. Suponho que sim. 
- Voltaremos em  alguns instantes disse Althea a Colt. 
Sentindo-se intil, percorreu o corredor. 
Dentro do consultrio, Althea ajudou Liz a tirar a roupa e  colocar uma bata. Notou os hematomas em seu corpo, mas no disse nada. Precisariam de uma declarao 
oficial de Liz, mas isso podia esperar um pouco mais. 
- Esta  a doutora Mailer explicou quando a jovem doutora de olhar suave se aproximou da maca. 
- Oi, Liz a doutora Mailer no ofereceu a mo nem a tocou de nenhum modo. Especializava-se em pacientes com traumas e compreendia o terror que dominava s vtimas 
violentadas-. Vou ter que fazer umas perguntas e algumas verificaes. Se h algo que deseje me perguntar, adiante. E se quiser que pare, que espere um pouco, diga. 
De acordo? 
- De acordo Liz se concentrou no teto. Mas no deixou de apertar com fora a mo de Althea. 

Esta tinha solicitado a doutora Mailer porque conhecia sua reputao.  medida que avanava o exame, ficou mais do que convicta de que era uma reputao justificada. 
Mostrou-se amvel, delicada e eficaz. Parecia que instintivamente sabia quando devia parar, dar-lhe a oportunidade a Liz de que se recobrasse, e quando continuar. 
- Terminamos a doutora Mailer tirou as luvas e sorriu-. Quero que descanse aqui um momento enquanto vou preparar uma receita para voc antes que saiam. 
- No terei que ficar aqui, verdade? 
- No apertou a mo-. Fez tudo certinho. Quando seus pais chegarem, voltaremos a falar. Quer que tragam alguma coisa para voc comer?  ao sair da sala, voltou-se 
com o olhar que indicou a Althea que elas tambm conversariam mais tarde. 

- Deu tudo certo, de verdade disse, ajudando-a a sentar-se-. Quer que eu v ver se Colt encontrou o chocolate? 
- No quero ficar sozinha. 
- Muito bem  pegou a escova da bolsa e comeou a desembaraar o cabelo-. Me avise se estou machucando. 
- Quando vi voc no salo da choupana, pensei que era outra das mulheres que eles levavam l. Que ia acontecer tudo outra vez fechou os olhos e as lgrimas caram 
por entre suas pestanas-. Que iam me obrigar a fazer outra vez essas coisas. 
- Eu sinto muito. No tinha nenhum jeito de avisar voc de que estava l para ajudar. 
- E ao ver Colt na janela, pensei que sonhava. No deixava de sonhar que algum apareceria, mas nunca acontecia. Estava com medo que meus pais no se importassem 
comigo. 
- Querida, seus pais em nenhum momento deixaram de se preocupar pegou no queixo dela- Eles esto muito preocupados. Por isso enviaram Colt. E posso dizer que ele 
tambm gosta de voc. No pode imaginar as coisas que me convenceu a fazer para encontrar voc. 
Liz tentou sorrir, mas no conseguiu. 
- Mas no sabem talvez no me queiram mais quando souberem tudo. 
- No. Eles ficaro tristes, e ser realmente duro para eles. Mas isso  porque gostam de voc. Nada do que tenha acontecido vai mudar isso. 
- Eu eu no consigo fazer outra coisa alm de chorar. 
- Ento  o nico que deve fazer, por agora. 
- Foi culpa minha fugir de casa passou uma mo trmula pela bochecha. 
- Sim concordou Althea-.  a nica coisa de que tem culpa. 
Liz afastou as lgrimas do rosto que continuaram caindo enquanto olhava para o cho. 
- No entende o que se sente. No sabe o que . O terrvel que . 
- Voc est errada com delicadeza voltou a pegar o rosto dela entre as mos-. Entendo. Entendo muito bem. 
- Sim? tremeu-. Aconteceu com voc tambm? 
- Quando tinha mais ou menos a sua idade. E senti como se algum me tivesse arrancado algo que nunca mais recuperaria. Pensei que nunca mais voltaria a estar limpa, 
inteira. Ser eu outra vez. E chorei durante muito, muito tempo, porque dava a impresso de que no podia fazer outra coisa. 
- No deixava de repetir a mim mesma que no era eu Liz aceitou o leno de papel que Althea depositou em suas mos-. Mas estava muito assustada. Acabou. Colt no 
para de dizer que j acabou, mas di. 
- Eu sei a acalentou em seus braos-. Di mais do que nada no mundo, e vai doer por algum tempo. Mas voc no est sozinha. Deve lembrar que no est s. Tem a 
sua famlia, seus amigos. Tem Colt. E pode falar comigo sempre que precisar. 
- O que voc fez?  apoiou a cabea no peito de Althea-. Que fez? 
- Sobrevivi murmurou, com o olhar perdido por cima da cabea da pequena-. E voc tambm sobreviver. 
Colt estava na porta do consultrio, com latas de refrigerantes e guloseimas nas mos. Se antes se sentia intil, nesse momento a sensao era insuportvel. 
Ali no tinha lugar para ele, no tinha maneira em que pudesse entrar na dor dessa mulher. Sua primeira reao foi de ira. Mas, para onde canaliz-la? Voltou-se 
para deixar os refrigerantes sobre uma mesa na sala de espera. Se no podia consolar a nenhuma das duas, se no podia parar o que j tinha acontecido, o que poderia 
fazer? 
Na sala de consulta, Althea terminou de pentear o cabelo de Liz. 
- Quer se vestir? 
A jovem conseguiu esboar o que passou por um sorriso. 
- No quero voltar a colocar essa roupa, nunca mais. 
- Bem dito. Bem, talvez consiga encontrar algo -se voltou ao captar um movimento na porta. Viu uma mulher plida e a um homem abatido, os dois com os olhos vermelhos. 
- Oh, pequena! Liz! a mulher foi a primeira em mover-se, seguida do homem. 
- Mame! Liz voltou a soluar enquanto abria os braos-. Mame! 
Althea ficou de lado ante o encontro de pais e filha. Ao ver Colt na porta, dirigiu-se para ele. 
- Ser melhor que fique com eles. Antes de sair, vou avisar a doutora Mailer que chegaram. 
- Aonde vai? 
- Redigir meu relatrio passou a bolsa ao ombro. 


Depois foi para casa tomar um banho quente. Esfregou o corpo at que quase deixou de senti-lo. Cedendo  exausto, tanto fsica como emocional, deitou-se nua na 
cama e teve e sonhou at que as batidas na porta a acordaram. 
Aturdida, procurou o roupo e fez um n no cinto enquanto ia comprovar quem era. Franziu o cenho ao ver Colt pela mira, a seguir abriu a porta inesperadamente.
- Me d um motivo para no prender voc por incomodar a paz alheia. Minha paz. 
- Eu trouxe pizza  mostrou a caixa plana. 
- Isso pode chegar a salvar voc. Suponho que tambm queira entrar. 
- Essa era a idia. 
- Bem, adiante, ento com esse duvidoso convite, foi procurar pratos e guardanapos-. Como est Liz? 
- Surpreendentemente bem. Marleen e Frank so muito fortes. 
- Tem que ser regressou com os pratos -. Espero que compreendam que vo precisar de conselhos. 
- E falaram disso com a doutora Mailer. Ela vai ajud-los a encontrar um bom terapeuta pegou uma poro de pizza e escolheu com cuidado suas palavras-. O primeiro 
que quero fazer  agradecer voc. E no me interrompa, Thea. Gostaria de falar tudo. 
- De acordo se sentou e pegou uma poro-. Fale. 
- No falo s da cooperao oficial, do modo que me ajudou a encontr-la e a resgat-la. Por isso estou em dvida contigo, mas entra no plano profissional. No tem 
nenhuma bebida para acompanhar isto? 
- H vinho na cozinha. 
- Irei busca-lo disse ao comear a levantar. 
- Como queira Althea encolheu os ombros e continuou comendo. Colt regressou com uma garrafa e dois copos-. Suponho que estava cansada demais  para me dar conta 
de que morria de fome. 
- Ento no devo desculpar-me por ter acordado voc encheu ambos os copos mas no bebeu-. Tambm quero agradecer pelo modo que se comportou com Liz. Pensei que 
resgat-la bastava j sabe, isso de ir de cavaleiro andante que tanto irrita voc levantou a vista e se encontrou com seus olhos-. No foi assim. Tambm no bastou 
dizer que tudo estava bem, que tinha acabado. Precisava de voc. 
- Precisava de uma mulher. 
- E voc . Sei que  esperar demais, mas depois de que voc saiu ela me perguntou por voc vrias vezes remexeu o contedo do copo-. Vo ficar na cidade pelo menos 
alguns dias, at que a doutora Mailer tenha alguns dos resultados que espera. Pensei que poderia falar outra vez com Liz. 
-No  necessrio que me pea isso, Colt  pegou a mo dele-. Eu tambm me envolvi. 
- E eu, Thea  beijou-lhe a mo-. Estou apaixonado por voc. No, no se afaste  apertou os dedos antes que pudesse se soltar-. Nunca antes tinha dito isso a uma 
mulher.  Costumava empregava termos alternativos sorriu um pouco-. Estou louco por voc,  especial para mim, essas coisas. Mas jamais usei a palavra amor, no 
at conhecer voc. 
Acreditava. E o que era mais aterrorizador, queria acreditar. v com cuidado, recordou-se. passo a passo 
- Escuta, Colt, ns dois temos estado numa montanha russa desde que nos conhecemos faz muito pouco tempo. As coisas, as emoes, tendem a adquirir  propores desmedidas 
numa montanha russa. Por que no freamos um pouco? 
A sentiu nervosa, mas essa ocasio no o divertiu. 
- Tive que aceitar que no podia mudar o que aconteceu a Liz. Foi duro. Mas no posso mudar o que sinto por voc. Aceitar isso  fcil. 
- No sei muito bem o que quer de mim, Colt, e no acredito que seja capaz de dar. 
- Pelo que aconteceu com voc. Pelo que ouvi o que voc contou a Liz no consultrio. 
- Isso foi entre Liz e eu se retraiu no instante, completamente-. E no  assunto seu. 
Foi exatamente a reao que Colt esperava, para que estava preparado. 
-Ns dois sabemos que no  verdade. Mas falaremos disso quando estiver preparada sabendo o valor que tinha manter desconcertado um oponente, pegou o copo -. Sabe 
que do a Wave possibilidades de cinqenta por cento para sobreviver? 
- Eu sei o observou com receio-. Liguei para o hospital antes de ir para cama. No momento, Boyd se ocupa do interrogatrio de Kline e Donner. 
- Tem vontade de que caiam em suas mos, eh? 
- Sim sorriu. 
- Sabe? Ao ouvir os disparos pensei que meu corao tinha parado mas descontrado, deu uma mordida na fatia da pizza-. Regressei a toda velocidade, pronto para 
patear algumas bundas, pior ao entrar como uma cavalaria, que  o que vejo? -moveu a cabea e bateu o copo com o de Althea-. Voc com sangue pelo rosto -se deteve 
para passar com delicadeza um dedo pela tmpora protegida-. Com uma pistola em cada mo.Um animal de cento cinqenta quilos sangrando a seus ps e outros dois sujeitos 
de bruos com as mos por cima da cabea. E voc erguida, parecida  deusa Diana depois de uma caada, recitando os direitos. Tenho de reconhecer que me senti bastante 
suprfluo. 
- Esteve bem, Nightshade suspirou-. E acredito que merece saber que me senti muito contente de ver voc. Parecia Jim Bowie no lamo 
- Ele perdeu. 
- Voc no cedeu e se adiantou para dar-lhe um beijo. 
- Ns no corrigiu. - trouxe um presente. 
- Sim? como o momento perigoso parecia ter passado, sorriu e voltou a beij-lo-. Me d ele lanou  a mo para trs e meteu a mo no bolso da jaqueta. Pegou uma 
pequena bolsa de papel e a colocou em frente a ela-. Oh, vejo que o embrulhou muito bem riu entre dentes ao meter a mo no interior. Pegou uma calcinha e um suti 
da cor azul celeste. O riso se transformou numa gargalhada. 
- Pago minhas dvidas informou Colt. - Como supus que voc deveria ter muitas daquela cor, escolhi algo diferente estendeu a mo para sentir a seda e a renda-. 
Talvez queira provar. 
- Em seu momento ainda que sabia o que queria nesse momento. O que precisava. Levantou-se para tom-lo. Meteu os dedos no cabelo dele e puxou at levantar o rosto 
dele para que suas bocas se encontrassem-. Talvez queira ir para cama comigo. 
- Decididamente subiu as mos por seus quadris, sem afastar a boca de seus lbios-. Pensava que nunca perguntaria. 
- No queria que a pizza se esfriasse. 
- Continua com fome? baixou um dedo pelo centro de seu corpo para tirar o cinto do roupo. 
Ela pegou a camisa dele. 
- Agora que mencionou, talvez sim riu. 
Dirigiu-se para ao quarto, decidido a dar-lhe outra surpresa. Depositou-a na cama, tombando-se a seu lado enquanto enchia o rosto dela de beijos leves e tentadores. 
Os dedos de Althea se achavam ocupados desabotoando os botes da camisa. Sabia o que a esperava e estava preparada, e ansiosa, para a tormenta, o fogo e a invaso 
de sensaes. Quando as mos afastaram o algodo e encontraram uma pele clida e firme, emitiu um gemido baixo e satisfeito.
Seguiu beijando-a e mordiscando-a enquanto ela o despia. Em seus movimentos tinha uma energia frentica que prometia algo selvagem e febril. Cada vez que Colt sentia 
uma apunhalada de desejo, absorvia o impacto e continuava com seu rimo descontrado. 
- Eu o desejo impaciente, Althea girou a boca para a sua e se arqueou contra ele. 
Colt desconhecia que duas palavras pudessem fazer-lhe ferver o sangue. Mas seria fcil demais tomar o que ela oferecia e perder o que ainda retinha. 
- Eu sei. Posso perceber voltou a beij-la com tanta ternura que lhe provocou outro gemido. A mo que tinha estado fechada sobre o ombro de Colt ficou frouxa-. 
E eu a desejo tambm murmurou, jogando-se para trs para contempl-la-. Toda fascinado, passou os dedos pelo cabelo, estendendo-o at que acendeu a savannah branca. 
Depois baixou para dar-lhe um beijo gentil sobre a tmpora ferida. 
A emoo provocou um n na garganta de Althea. 
- Colt 
- Sss S quero olhar  e olhou, enquanto passava um dedo por suas feies e acariciava o lbio inferior com o polegar, para baix-lo pela mandbula e pous-lo uns 
momentos na veia que palpitava no pescoo-. O sol est se pondo sussurrou-. A luz realiza coisas incrveis sobre seu rosto, seus olhos agora so dourados, com tons 
mais escuros, da tonalidade do brandy. Jamais vi olhos como os seus. Parece tirada de um quadro. Mas posso tocar deslizou o polegar pelo pescoo-, sentir como treme, 
saber que  real. 
- No preciso de palavras levantou uma mo para abrao-lo outra vez e desterrar a necessidade.
- Claro que sim sorriu um pouco. -  possvel que no tenha encontrado as adequadas, mas precisa foi colar os lbios ao seu pulso e notou a marca leve dos roxos. 
E lembrou. 
Franziu o cenho quando se sentou e lhe tomou ambas mos. Examinou os pulsos com cuidado. 
- Eu fiz isto. 
Santo Deus, pensou ela. tem que existir um modo de por fim a este terrvel tremor. 
- No importa. Estava irritado. Agora faa amor comigo. 
- No gosto de saber que posso magoar quando estou bravo, ou que  possvel que volte a faz-lo com extremo cuidado, beijou-lhe cada pulso-. Faz com que que seja 
fcil esquecer quanto  suave,  Althea as mangas do roupo baixaram por seus braos e a beijou at o cotovelo-. Quanto  pequena e perfeita. Tenho que demonstrar. 
Passou uma mo sob a cabea dela e levantou seu rosto, deixando que o cabelo casse como uma cascata. Possuiu outra vez sua boca, saboreando um beijo profundo e 
sonhador que fez que Althea se sentisse em rbita. Colt sentiu que outra camada se dissolvia. Com msculos trmulos, ela lhe rodeou o pescoo com os braos. 
No sabia o que fazia, s que era incapaz de pensar, de resistir. Tinha estado preparada para a necessidade, e ele estava dando ternura. Que defesa podia ter contra 
a paixo e seu suave envoltrio de doura? Quis dizer que a seduo era desnecessria, mas era glorioso render-se aos segredos que Colt desentranhava com essa boca 
devastadoramente suave e essas mos lentas e hbeis. 
Voltou a deposit-la sobre a cama e Althea ouviu o sussurro do tecido enquanto abaixava o roupo, para liber-los para emfim oferecer-lhe beijos com a boca aberta 
enquanto com a lngua deixava um rasto mido. 
Colt notou o instante em que ela se deixou ir. Experimentou o calor do triunfo quando as mos de Althea, to suaves como as suas prprias, comearam a acarici-lo. 
Resistiu ao impulso de acelerar o ritmo e a explorou sobre da bata, sob ela, uma e outra vez,  medida que o corpo dela se derretia como cera quente. 
Em nenhum momento deixou de observar o rosto de Althea, excitado por cada reflexo de emoo, tentado pelo modo em que continha o flego, para depois solt-lo quando 
sentia seu contato. Teria jurado que a sentiu flutuar ao despi-la por completo. 
Ento ela abriu os olhos, escuros e pesados, Colt compreendeu que, ainda que  entregue, no ia mostrar-se passiva. Suas mos tambm eram exaustivas, tocando, possuindo, 
com a mesma ternura insuportvel. 
At que ficou to seduzido como ela. 
Gemidos suaves e roucos. Segredos contados em sussurros. Carcias prolongadas. O sol se perdeu no crepsculo e este na noite. Tinha necessidade, mas no a precipitao 
febril de saci-la. Tinha prazer, o desejo sonolento de prolong-lo. 
Ele tocou e ela tremeu. Ela provou e ele foi dominado por um arrepio. 
Quando ao fim se introduziu em seu interior, Althea sorriu e o abraou. O ritmo que estabeleceram foi paciente, carinhoso e to verdadeiro como a msica. Ascenderam 
juntos, at que o ofego de Colt imitou o dela. E depois flutuaram regressando a terra.
Althea guardou um longo momento em silncio, aturdida pelo que aconteceu. Ele lhe tinha dado algo e, a mudana, ela tinha devolvido o gesto livremente. No era algo 
que pudesse recuperar. Perguntou-se que passos poderia dar uma vez que tinha descoberto que estava apaixonada. 
Pela primeira e nica vez em sua vida. 
Talvez passasse. Uma parte dela se encolheu ante a idia de perder o que acabava de encontrar. Sem importar a firmeza com que se recordou que sua vida era tal como 
a queria, no foi capaz de pensar com profundidade como seria sem ele. 
No entanto, no tinha eleio. Colt iria embora. E ela sobreviveria. 
- O que pensa?  ps-se de costas e a rodeou com um brao para abraa-la-. Quase posso ouvir as engrenagens de seu crebro contente, beijou-lhe o cabelo e fechou 
os olhos-. Me diz o que  que passou primeiro por sua cabea. 
- O que? No 
- No, no, no o analise.  uma prova. A primeiro, Thea. Agora.
- Me perguntava quando voc iria embora se ouviu sussurrar.-Para Wyoming . 
- Ah sorriu com expresso comprazida-. Gosto de saber que sou a primeira coisa que ocupa sua mente. 
- No fique vaidoso, Nightshade. 
- De acordo. No fiz nenhum plano concreto. Primeiro deveria atar alguns cabos soltos. 
- Quais? 
- Voc, para comear. No fixamos uma data. 
- Colt 
Ele voltou a sorrir. Talvez fosse uma fantasia, mas em vez de irritao., pareceu-lhe captar exasperao. Em seu tom de voz. 
- Continuo preferindo o reveillon suponho que voltei a ser sentimental, ainda que temos tempo para falar. Depois est o fato de que no terminei o que me trouxe 
aqui. 
- A que se refere? levantou a cabea-. Encontrou Liz. 
- No basta os olhos brilharam na escurido-. No temos o chefe. No ter terminado at que o capturemos. 
- Isso  algo que que eu preciso me preocupar, a mim e ao departamento. Aqui no h lugar para as vinganas pessoais. 
- No disse que era uma vingana ainda que fosse-. Pretendo fechar o caso, Althea. E gostaria que continuassemos trabalhando juntos. 
- E se minha resposta for no? 
- Me esforaria ao mximo em conseguir que voc mudasse de idia. Talvez no tenha notado, mas posso ser tenaz. 
- Eu notei murmurou. Uma parte dela resplandecia ante a idia de que sua parceira no tivesse terminado-. Suponho que posso dar uns dias a mais. 
- Bem se moveu para passar uma mo pelo quadril-. Inclui na oferta umas noites a mais?
- Suponho que poderia esboou um sorriso travesso. -Se fizer que valha a pena. 
- Oh, eu farei sob a cabea-.  uma promessa. 



Captulo 11

Com o grito ainda rasgando-lhe a garganta, Althea se sentou na cama. Cega de terror e fria, lutou contra os braos que a rodeavam enquanto respirava fundo para 
voltar a gritar. Podia sentir as mos dele tocando-a, quentes, violentas. Mas nessa ocasio Deus, que nesta ocasio. 
- Althea Colt a sacudiu, obrigando-se a manter a voz serena, ainda que o corao batesse depressa.-. Althea, acorde. Est sonhando. 
Ela abriu passo entre as bordas do sonho, sem deixar de debater-se. A realidade era uma luz fraca em comparao as escuras profundidades do pesadelo. Com um ltimo 
esforo, conseguiu agarr-lo. 
- Calma, calma -emocionado ainda pelo grito que o tinha acordado, acalentou-a, colando-a a seu corpo e sentindo o grito suor que a dominava-. Calma, meu amor. Agarra-se 
a mim. 
- Oh, Deus -soluou ao enterrar o rosto no ombro dele. Fechou com impotncia as mos a suas costas-. Oh, Deus... Oh, Deus... 
-J passou -continuou tranqilizando-a quando ela o abraou com mais fora-. Estou aqui. Foi um sonho, isso  tudo. S sonhava. 
Tinha conseguido escapar do pesadelo, mas o temor que tomava conta dela era grande demais para permitir ficasse envergonhada. Tremendo, agarrou-se a ele e tentou 
absorver a fora que emitia. 
- D-me um minuto. Num minuto estarei bem disse que os tremores passariam, que as lgrimas se secariam, que o medo se desvaneceria-. Sinto -mas nada parava-. Deus, 
sinto muito. 
- Simplesmente relaxe -tremia como um pssaro e parecia igualmente frgil-. Quer que acenda a luz? 
- No -apertou os lbios com a esperana de serenar a voz. No queria luz. No queria que a visse at que tivesse se recuperado-. No. Me deixe beber um pouco de 
gua. Ficarei bem.
- Irei buscar  afastou o cabelo dela do rosto e a viu cheia de lgrimas-. Volto em seguida. 
Althea subiu os joelhos at o peito quando ficou s. Controle, ordenou-se, mas apoiou a cabea nos joelhos. Enquanto escutava o som da torneira e via o facho de 
luz atravs da porta do quarto, respirou fundo. 
- Sinto muito, Nightshade -disse quando regressou-. Suponho que  acordei voc. 
- Suponho que sim -notou que a voz dela era mais firme. Mas no as mos. Ele as tomou e levou a gua a seus lbios-. Deve de ser um mau pesadelo. 
A gua aliviou a garganta seca. 
-Sim. Obrigado -lhe devolveu o copo, sufocada por no ser capaz de sustent-lo. 
Ele o deixou na mesinha ao lado da cama antes de voltar para o lado dela. 
- Conte-me. 
-  por causa do dia duro que tivemos e  pizza - encolheu os ombros. 
Com firmeza e suavidade lhe tomou o rosto entre as mos. A luz que tinha deixado acesa no banheiro projetava um reflexo tnue. Graas a ela pde ver a plida que 
estava. 
- No. No vou descartar isso, Thea. No vai deixar de lado. Gritava -ela tentou virar o rosto, mas Colt no permitiu-. Continua tremendo. Posso ser to obstinado 
como voc, e agora mesmo acredito que tenho vantagem. 
- Foi um pesadelo -quis mostrar-se furiosa com ele, mas no achou foras-. As pessoas tm pesadelos. 
- Com que assiduidade os sofre? 
- Com nenhuma -levantou uma mo cansada e passou no cabelo-. No o tinha  h anos. No sei que o provocou. 
Ele acreditava saber. E a no ser que estivesse muito equivocado, acreditava que tambm Althea sabia. 
- Tem uma camiseta, uma camisola ou algo parecido? Est gelada. 
- Irei procurar. 
- Me diz onde est -o suspiro rpido e irritado dela o tranqilizou. 
- Na gaveta superior da cmoda.  esquerda. 
Levantou-se e ao abrir a gaveta pegou o primeiro que achou. Antes de passar pela cabea, notou que era uma camiseta de malha grande. 
-Bonita lingerie que usa, tenente. 
- Cumpre com sua funo. 
Ele a deitou e colocou uns travesseiros sob a cabea, como faria uma me com uma menina mimada. 
- No gosto que voc se envolva -comentou com o cenho franzido. 
- Sobreviver. 
Ao ficar satisfeito de que se encontrava cmoda, ps a camisa. Quisesse ou no, decidiu que ia falar. Sentou-se junto a ela. Tomou-lhe a mo e aguardou at que o 
olhou aos olhos. 
- O pesadelo. Tinha a ver com o momento em que violentaram voc, verdade? -os dedos dela se puseram rgidos em sua mo-. Eu falei que ouvi a conversa sua com Liz. 
- Foi faz muito tempo. No  algo que tenha a ver com o presente. 
- Tem sim, quando acorda gritando. A situao pela que passou Liz, fez que recordasse de tudo. 
- Muito bem. E da? 
- Confie em mim, Althea - sussurrou sem deixar de olh-la-. Deixa que eu ajude. 
- Di - ouviu responder. Depois fechou os olhos. Era a primeira vez que reconhecia isso ante algum-. No o tempo todo. Nem sequer a maior parte. De vez em quando 
aparece de surpresa e me rasga. 
- Quero entend-lo -lhe beijou as mos. Quando ela no tentou afastar-se, deixou-as sob seus lbios-. Conte-me. 
No sabia por onde comear. O mais certo parecia faz-lo pelo princpio. Apoiou a cabea no travesseiro e fechou outra vez os olhos. 
- Meu pai bebia e, quando o fazia, embebedava-se, e ento se tornava um homem mesquinho. Tinha mos grandes -fechou as suas e se obrigou a relax-las-. Empregava-as 
contra minha me, contra mim. Minha primeira recordao  dessas mos, da ira que tinha nelas, que eu era incapaz de compreender e podia opor-me. Dele no recordo 
muito bem. Uma noite  enfrentou algum mais mesquinho e acabou morto. 
-Eu tinha seis anos -abriu os olhos ao entender que era outra maneira de ocultar-se-. Logo, minha me decidiu seguir por onde ele tinha parado ... com a garrafa. 
No bebeu tanto como ele, foi mais consistente. 
- Tinhas algum mais? 
- Avs pelo lado materno. Desconhecia onde viviam. Jamais os vi. Deixaram de falar com sua filha quando  fugiu com meu pai. 
- Mas, conheciam sua existncia? 
-Por ser assim, no importava. 
Ele no disse nada, tratando de assimil-lo. Mas foi impossvel entender essa indiferena. 
- Muito bem. Que fez? 
- Quando  uma menina, no faz nada -exps-. Estamos a merc dos adultos, e a realidade  que muitos adultos so implacveis -se deteve um momento para recuperar 
o fio da histria-. Quando eu tinha uns oito anos, ela saiu, saa muito, mas numa ocasio no regressou para casa. Alguns dias mais tarde, um vizinho chamou o Servio 
Social. E me introduziram no sistema -alongou a mo para o copo de gua. Dessa vez no tremeu-.  uma histria longa e tpica. 
- Quero ouvi-la 
- Me colocaram num lar adotivo -bebeu um gole. No fazia sentido contar que como assustada e perdida estava me sentindo. Os fatos eram mais do que suficientes-. 
Estava bem. Decente. Mas ento encontraram a minha me, a repreenderam, disseram-lhe que se regenerasse e me devolveram a sua custdia. 
- Por que diabos fizeram isso? 
- As coisas eram diferentes ento. O tribunal acreditou que o melhor lugar para uma menina era com sua me. De todos modos, no passou muito sem que voltasse a beber 
e o ciclo se retomasse. Fugi algumas vezes, mas sempre me encontravam. Mais lares adotivos. No deixam num muito tempo, em particular quando  reincidente. 
- No me estranha. 
- Conheci todo o sistema. Domsticas sociais, tribunais, conselheiros escolares. Todos sobrecarregados de casos. Minha me se enganchou com outro sujeito e decidiu 
largar-se para sempre. Acredito que foi para o Mxico. Seja como for, no regressou. Eu tinha doze ou treze anos. Odiava no poder manifestar onde queria ir, onde 
queria estar. Fugia na primeira oportunidade que me apresentava. De maneira que me etiquetaram como uma delinqente juvenil e me colocaram num lar para garotas, 
o mais parecido a um reformatrio -esboou um sorriso carente de humor -Isso me provocou medo. Era duro, semelhante a uma priso. De maneira que me reformei e me 
comportei bem. Com o tempo voltaram a destinar-me a um lar adotivo. 
Esvaziou o copo e o deixou na mesinha. Sabia que no teria as mos firmes muito tempo. 
- Temia que dessa vez no conseguisse fazer que funcionasse, devolvessem-me ao lar para garotas at cumprir os dezoito anos. Assim eu me esforcei. Era um casal agradvel, 
ingnuo, talvez, mas com boas intenes. Queriam fazer algo para consertar os erros da sociedade. Iam a manifestaes contra as usinas nucleares, falavam de adotar 
a um rfo vietnamita. Suponho que em ocasies me burlava deles a suas costas, mas gostava deles de verdade. Foram amveis comigo -guardou silncio e ele no disse 
nada, dando-lhe tempo para que continuasse-. Puseram-me limites bons e me trataram com justia. Mas tinha um inconveniente. Tinham um filho de dezessete anos, capito 
da equipe de futebol e estudante de primeira. O brao direito deles. Um verdadeiro jovem  de estilo. 
- Jovem de estilo? 
- J sabe, esse que  toda educao e cortesia por fora, cheio de encanto. Mas que por trs da fachada  lixo. No pode chegar a esse lixo porque no deixa de escorregar 
com sua fachada polida; no entanto, est a -brilharam os olhos ao recordar-. Mas eu podia v-la. Odiava como me olhava quando eles no o viam -respirava mais depressa, 
mas ainda mantinha a voz controlada-. Como se fosse um pedao de carne para sua avaliao. Eles nem notavam. O nico que viam era o filho perfeito que jamais lhes 
tinha dado uma dor de cabea. E uma noite, quando tinham sado, ele voltou para casa depois de um jogo. Deus. 
- Est bem, Thea -quando ela cobriu o rosto com as mos, abraou-a-. J  suficiente. 
- No -moveu a cabea com violncia e se jogou para trs. Se tinha chego to longe, terminaria-. Estava irritado. Suponho que sua garota no  tinha se rendido a 
seus muitos encantos. Entrou em meu quarto. Quando disse que sasse, riu e me lembrou que era sua casa e que estava ali s porque seus pais sentiam pena de mim. 
Ele tinha razo. 
- No, no  tinha.
-Tinha razo nisso -insistiu Althea-, no no demais. E baixou a braguilha das calas. Corri para a porta, mas ele voltou e jogou sobre a cama. Golpeou-me a cabea 
com fora contra a parede. Recordo-me de ter estado mareada uns momentos e ouvir-lhe dizer que as garotas como eu pelo geral cobravam, mas que devia de sentir-me 
lisonjeada por sua ateno. Meteu-se na cama. O esbofeteei, amaldioei-o. Ele me golpeou e me imobilizou. Pus-me a gritar. No deixei de gritar o tempo inteiro enquanto 
me violava. Quando terminou, eu tinha deixado de gritar. S chorava. Saiu da cama e subiu as calas. Advertiu-me que se contasse a algum, negaria. Que ningum ia 
acreditar que eleprocuraria algum como eu. Ele era puro, de maneira que no teriam dvidas. E sempre poderia conseguir que cinco de seus amigos dissessem que estava 
disposta a deitar-me com eles. Depois me devolveriam ao lar para garotas.
-Assim no disse nada, porque no tinha nada que dizer nem ningum a quem dizer. Durante o ms seguinte me violentou mais duas vezes, at que eu juntasse dinheiro 
para voltar a fugir. Depois, encontraram-me. Talvez nessa ocasio queria que o fizessem. Fiquei no lar at cumprir os dezoito anos. E, quando sa, soube que ningum 
voltaria a exercer jamais sobre mim esse tipo de controle. Ningum voltaria a fazer-me sentir que no era nada. 
Sem saber bem que fazer, com gesto hesitante, ele estendeu uma mo para secar-lhe uma lgrima da face. 
- Fez de sua vida  algo importante, Althea. 
- Fiz que fosse minha -suspirou e com energia secou as lgrimas-. No gosto de pensar no que j passou, Colt. 
- Mas est a. 
- Est a -lembrou-. Tentar conseguir que desaparea s o trs  superfcie. Tambm aprendi isso. 
-Quanto aceita que s faz parte do fez o que o voc  hoje, deixa de ser to vital. No me fez odiar os homens, nem a mim mesma. Fez que compreendesse o que  ser 
uma vtima. 
Teve vontade de abra-la, mas temeu que ela no quisesse que a tocasse. 
- Gostaria de conseguir que a dor desaparecesse. 
- So cicatrizes velhas -murmurou-. S doem em certos momentos -percebeu o retraimento dele e sentiu que a dor se estendia-. Sou a mesma pessoa que era antes de 
te contar. O problema  que quando a gente ouve uma histria assim, muda. 
- Eu no mudei -foi toc-la, mas ela se retraiu-. Maldita seja, Thea, no sei que o dizer. O que fazer por voc -se levantou e ps-se a caminhar-. Poderia preparar 
um pouco de ch. 
- A cura para tudo de Nightshade? -quase riu-. No, obrigada. 
- O que quer? -instou ele-. Me diz. 
- Por que no me diz o que voc quer?
-O que eu quero -se dirigiu  janela e virou para ela-. Quero voltar no tempo, para quando voc tinha quinze anos e quebrar a cara desse filho de uma puta. Quero 
fazer cem vezes mais dano do que ele fez a voc. Depois quero ir mais atrs e quebrar as pernas do seu pai, e de passagem sapatear na bunda de sua me. 
- Pois no pode -indicou com frieza-. Escolha outra coisa. 
- Quero abraar voc -gritou, metendo as mos nos bolsos-. Mas me d medo de toc-la! 
- No quero seu ch nem sua simpatia. De maneira que se  a nica coisa que tem para oferecer, ser melhor do que v. 
-  o que quer? 
- O que eu quero  que me aceite por quem sou. E no que me trate como uma invlida por ter sobrevivido   violao e o abuso.
Foi replicar, mas se conteve. Compreendeu que no pensava nela, seno em sua prpria ira, em sua prpria impotncia e dor. Devagar regressou  cama e se sentou a 
seu lado. Os olhos de Althea seguiam midos; viu-os brilhar na escurido. Rodeo-a com um brao e com gentileza a abraou at que ela apoiou a cabea em seu ombro. 
- No vou a nenhuma parte -sussurrou-. De acordo? 
-        De acordo -suspirou. 

Althea acordou ao amanhecer com dor de cabea. No mesmo instante soube que Colt no estava do seu lado. Cansada abriu a boca e esfregou os olhos inchados. 
Perguntou-se que tinha esperado. Nenhum homem se sentiria cmodo com uma mulher depois de escutar a histria que tinha contado. No soube por que tinha aberto seu 
passado dessa maneira. Como podia ter confiado fragmentos de si mesma que nunca lhe tinha revelado a ningum?
Inclusive a Boyd, a pessoa que considerava seu melhor amigo, s estava a par dos lares adotivos. Quanto ao demais, tinha enterrado at a noite anterior. 
Voltou a suspirar, incorporou-se e apoiou a testa nos joelhos. 
Estava apaixonada por Colt. Ridculo como era, devia enfrentar a verdade. E, tal como sempre tinha suspeitado, o amor me deixa estpida, vulnervel e infeliz. 
Pensou que tinha que existir um remdio. Ou soro que pudesse tomar. Como um antdoto para uma mordida de serpente. 
O som de pisadas fez que levantasse a cabea. Abriu muito os olhos ao ver Colt entrar com uma bandeja nas mos. 
Se disps de uma frao de segundo para ler sua reao antes que a ocultasse. Com pensamento sombrio compreendeu que Althea tinha acreditado que ele tinha ido embora. 
Teria que ensin-la que ia ficar, sem importar muito oque ela pudesse fazer em contrrio.
- Bom dia, tenente. 
Com cautela, observou-o aproximar-se da cama e esperou at que depositou a bandeja a seus ps. 
- O que celebramos? -indicou os pratos com torradas francesas. 
- Eu devia um caf da manh, lembra-se? 
- Sim levantou a vista a para seu rosto. O amor ainda fazia que se sentisse estpida e vulnervel, mas j no infeliz-.  um mago na cozinha. 
- Todos temos nossos talentos -se sentou com as pernas cruzadas do outro lado da bandeja e comeou a comer-. Pensei... -mastigou e engoliu-... que depois de nos 
casar, eu poderei me encarregar da cozinha. 
Ela evitou a onda de pnico e engoliu a primeira mordida. 
- Deveria conferir com algum a respeito dessa obsessiva fantasia que tem, Nightshade. 
- Minha me est morrendo de vontade de conhecer voc-sorriu ao ver que o garfo caia no prato-. Meu pai e ela enviam saudaes. 
- Voc... -no encontrou palavras. 
Os dois conhecem Liz. Liguei para tranqiliz-los e falei de voc -com um sorriso, afastou-lhe o cabelo dos ombros-. Ela gostaria de um casamento na primavera... 
j sabe, essas coisas das noivas em junho. Mas eu disse que no pensava esperar tanto. 
- Voc  louco. 
-  possvel -o sorriso se desvaneceu-. Mas sou seu, Thea. Estou aqui para valer, e no penso em deixar voc. 
- Escuta, Colt pense com lgica, disse-se-. Tenho muito carinho por voc, mas... 
- Que? -voltou a sorrir-. Me tem o que? 
- Carinho -soltou, furiosa dele achar aquilo divertido. 
- Eufemismos - apalpou a mo com afeto e moveu a cabea-. Me decepciona. Tinha considerado voc uma pessoa direta. 
- Cala a boca e me deixe comer  ao inferno a lgica.
Obedeceu, j que isso lhe dava tempo para pensar e para estud-la. Continuava um pouco plida, e tinha os olhos inchados de ter chorado a noite anterior. Mas no 
queria permitir-se ser frgil. Devia admirar sua inesgotvel energia. Recordou que ela no desejava simpatia, seno entendimento. Mas ia ter que aceitar ambos dele. 
- Como est o caf? 
- Bom -e como o caf da manh que tinha preparado j tinha conquistado sua dor de cabea, cedeu-. Obrigada. 
- De nada -se adiantou e roou os lbios com os seus-. Suponho que no posso interessar voc, numa coisa depois do caf da manh. 
- Tenho que pensar -sorriu, descontrada, e lhe deu outro beijo. Fechou os dedos sobre a medalha que ele tinha ao pescoo-. Por que a leva?
- Presente da minha av. Dizia que quando um homem est decidido a no se assentar num lugar, deveria ter algum que velasse por ele. At agora funcionou muito bem 
-depositou a bandeja no solo e depois pegou Althea em seus braos. 
- Nightshade, disse... 
- Eu sei, sei-a acomodou-. Mas se me ocorreu que se tnhamos que tomar um banho, poderamos no sair de nossa agenda. 
Ela riu e lhe mordiscou o ombro. 


Tinha que encaixar um dia completo em vinte e quatro horas. Esperava-a uma montanha de burocracia e precisava falar com Boyd a respeito do interrogatrio ao que 
submeteriam a Kline e a Donner antes de v-lo em pessoa. Por motivos pessoais e profissionais, queria entrevistar outra vez Liz. 
Sentou-se e com meticulosidade comeou a revisar os papis. 
- Perdoe-me, tenente -Cilla chamou  porta aberta-. Tem um momento? 
- Sim, para a mulher do capito -sorriu e lhe indicou que passasse-. Disponho de um minuto e meio. Que faz por aqui? 
- Boyd me contou -se inclinou e com olhos penetrantes de mulher viu, alm da maquiagem, que tinha passado uma noite difcil-. Voc est bem? 
- Estou bem. Cheguei  concluso de que qualquer um que por prpria vontade decida sair de casa precisa de ajuda psiquitrica imediata, mas foi uma experincia.
- Deveria testar com trs meninos. 
- No -respondeu com rapidez-. No quero. 
Cilla riu e se sentou na borda da mesa. 
- Me alegro muito de que Colt e voc encontraram a garota. Como est? 
- Ser difcil por um tempo, mas seguir adiante. 
- Esse miserveis tinham que... -lhe brilharam os olhos mas calou-. No vim falar com a polcia. 
- Oh? 
- E sim do peru de Ao de Graas. No me olhe assim -adiantou na mente a, lista para a batalha-. Todos os anos tem uma desculpa para no vir jantar, e desta vez 
no a aceitarei. 
- Cilla, sabe que agradeo o convite. 
-  da famlia. Queremos que venha -inclusive enquanto Althea movia a cabea, Cilla insistiu-: Deb e Gage vo vir. Faz um ano que no os v. 
Althea pensou na irm menor de Cilla e no marido. Encantaria v-la de novo. Tinha se conhecido e reconhecido  amizade que as ligava enquanto Deborah terminava a 
carreira em Denver. E Gage Guthrie. Franziu os lbios ao pensar nele. Gostava dele, e at um cego teria visto que adorava a sua mulher. Mas tinha algo nele... algo 
que no conseguia decifrar. No mau nem que fosse alvo de  preocupao, mas algo. 
- Volte  realidade -disse Cilla. 
- Sinto muito -se ocupou dos papis que estavam sobre a mesa-. Sabe que me encantaria v-los outra vez, mas... 
- Vm com Adrianna -a arma secreta de Cilla era a filha pequena de sua irm, a quem Althea s tinha visto em fotos e vdeos-. Ns duas sabemos que os bebs deixam 
voc louca. 
-Tenho que manter uma reputao -suspirou e se recostou na cadeira-. Sabe que quero ver, a todos. E como estou certa de que ficaro para passar o fim de semana inteiro, 
o farei. Irei no sbado. 
- Vir ao jantar de Ao de Graas - esfregou as mos ao erguer-se- Este ano vai vir, ainda que tenha que dizer a Boyd que d uma ordem. Vou desfrutar da presena 
da famlia. De toda a famlia. 
- Cilla 
- Est certo cruzou os braos-. Vou comentar ao capito. 
- Est com sorte -disse Boyd ao chegar  porta-. O capito est disponvel. E trouxe um presente  se colocou de lado. 
- Natalie! -com uma exclamao de prazer, Cilla abraou com fora a sua cunhada-. Pensei que estava em Nova York. 
- E assim era - afastou Cilla para dar-lhe um beijo-. Tinha que vir por uns dias, e me pareceu melhor do que essa fosse a minha primeira parada. Voc est fantstica.
- E voc fenomenal, como sempre -o qual era verdade. A mulher alta e esbelta com o cabelo loiro e o traje de corte conservador sempre faria que as cabeas se voltassem 
para olh-la-. Os garotos ficaro encantados de ver voc. 
- No vejo a hora de abra-los -se voltou e estendeu ambas mos-. Thea. No acredito na sorte de encontrar os trs juntos. 
- Me alegro em ver voc-com as mos ainda unidas, Althea apertou a face de Natalie. Nos anos que tinha sido parceira de Boyd, a irm menor dele e ela eram de fato 
boas amigas-. Como esto seus pais? 
- Muito bem. Mandam beijos a todos -por costume, olhou ao redor do escritrio-. Thea, no pode ao menos conseguir um espao com uma janela? 
- Gosto desse. Menos distraes. 
-Quanto chegar  emissora, chamarei  Maria -anunciou Cilla-. Preparar algo especial para esta noite. Vir, Thea. 
- No perderia por nada do mundo. 
- O que  isto? -inquiriu Colt ao tentar entrar no escritrio-. Uma conferncia? Thea, vai ter que conseguir um escritrio maior... -calou e ficou boquiaberto-. 
Nat? 
- Colt? -a expresso aturdida dela refletiu a dele. 
- Que loucura -esboou um sorriso e empurrou Boyd para ir abraar  Natalie e levanta-la do solo-. Por todos os diabos. A preciosa Natalie. Quanto tempo passou? Seis 
anos? 
- Sete -lhe deu um beijo nos lbios-. Encontramo-nos em So Francisco. 
- Sim, no partido dos Giants. Est melhor do que nunca. 
- Estou melhor do que nunca.  ela concordou- Por que no tomamos um vinho depois e colocamos os assuntos em dia? 
- Na realidade... -calou ao olhar a Thea. Estava sentada na borda da mesa, observando a reunio com expresso de leve curiosidade e interesse corts. Ao dar-se conta 
de que ainda tinha Natalie pela cintura, baixou rapidamente os braos -. Na realidade, eu... -como se supunha que um homem ia falar com uma velha amiga quando a 
mulher que amava o estudava como se fosse algo achatado sobre um peso-de-papel de vidro? 
Natalie captou o olhar que passou entre Althea e Colt. Surpreendida ao princpio, teve que ocultar uma risada com uma tossida. Ah..., pensou, cheguei num momento 
em que acontece algo interessante.  
- Colt e eu nos conhecemos faz tempo - disse ela-. Sendo adolescente era louca por ele -lhe sorriu com gesto perverso -. Fiquei anos esperando que se aproveite disso.
- srio? -Althea levou um dedo aos lbios-. No me parece dos lentos. Um pouco denso, talvez, mas no lento. 
- Tem razo nisso. Mas tambm  lindo, no ?-lhe piscou um olho. 
- De uma maneira mais bem evidente concordou Althea, desfrutando do incmodo de Colt- Por que voc e eu no tomamos esse vinho depois, Natalie? Creio que temos 
muito que conversar. 
- Com certeza. 
- No acredito que este seja o lugar idneo para arrumar compromissos sociais -consciente de que o superavam, Colt meteu as mos nos bolsos- Althea parece ocupada. 
- Oh, disponho de um ou dois minutos. Que faz na cidade, Natalie?
- Vim por negcios. Sempre  grato quando pode mistur-los com o prazer. Tenho uma reunio urgente numa hora com a junta diretiva sobre uma de nossas propriedades 
da parte residencial da cidade. Ter uma imobiliria  um trabalho a tempo integral. Sem uma direo adequada, pode ser uma grande dor de cabea --explicou. 
- No ser na Segunda Avenida, verdade? -inquiriu Althea. 
- Mmm, no. H alguma em venda? -no pde evitar rir-. Vcios da profisso -indicou-H algo especial em se ter uma propriedades, inclusive com todos os problemas 
que arcam. 
- Qual  o problema agora? -perguntou Boyd, tratando de sentir um pouco de interesse. 
- O encarregado decidiu subir todos os aluguis e ficar com a diferena -respondeu Natalie com olhos duros, em marcado contraste com seu rosto suave e precioso-. 
Odeio que me enganem. 
- Orgulho -Boyd apoiou um dedo em seu nariz-. Odeia cometer um erro. 
- No cometi nenhum erro -alou o queixo -. O currculo do homem era sobressalente quando seu irmo continuou com o sorriso, fez-lhe uma careta-. O problema radica 
em dar autonomia a um encarregado. No pode estar em todas partes ao mesmo tempo. Lembro de um encarregado que tivemos que dirigia um negcio de jogo num apartamento 
vazio. Mantinha-o alugado sob um nome falso -continuou, quase divertida-. Inclusive tinha recheado a solicitao, completa com referncias falsas. Obtinha suficientes 
benefcios do jogo como para permitir-se o gasto adicional do aluguel, que pagava religiosamente. Jamais teria inteirado se algum no tivesse chamado  polcia, 
que foi pesquisar o lugar. Acabou que j tinha feito o mesmo em outras ocasies. 
-Santo cu -comentou Althea, aturdida. 
- Oh, no foi to mau -prosseguiu Natalie-. Na realidade, animou um pouco a monotonia. O que passa... de que se trata? -perguntou quando Althea se levantou de um 
salto. 
- Vamos -Colt j ia para a porta. 
Althea recolheu a jaqueta e correu depois dele. 
- Boyd, verifique a... 
- Nieman -disse ele a suas costas-. Quer apoio? 
- Comunicarei se precisar. 
Quando o escritrio se esvaziou, Natalie levantou as mos e olhou para Cilla. 
- A que se deveu isso? 
- Policiais -resumiu Cilla com um dar de ombros.











        Captulo 12



- No posso acreditar que deixamos passar isso -Colt fechou a porta do jeep e arrancou. Nessa ocasio no se preocupou em tirar a multa dos pra-brisas. 
- Seguimos uma pista -lhe recordou Althea-. Talvez no nos leve a nenhuma parte. 
- No acredito. 
- Reconheo que concorda -fechou os olhos um momento, deixando que as coisas encaixassem em seu lugar-. Nem um s vizinho pode dizer que viu ao senhor Davis. Talvez 
porque nunca esteve ali. 
- E quem teria acesso  cobertura? Quem poderia ter falsificado as referncias? Quem poderia ter se movido pelo edifcio sem chamar a ateno, porque sempre estava 
ali? 
- Nieman. 
- Falei que era uma doninha -soltou Colt com os dentes fechados. 
Com cautela, viu-se obrigada a estar de acordo. 
- No se adiante, Nightshade. Vamos interrog-lo. Isso  tudo. 
- Vou obter respostas - soltou-. Isso  tudo. 
- No faa que tenha que impor a casta, Colt -sussurrou, acalmando-o-. Vamos fazer-lhe algumas perguntas. Talvez consigamos que cometa um escorrego. Ainda que  
possvel que tenhamos que sair sem ele. No entanto, agora dispomos de um lugar pelo que comear a pesquisar. 
- Seguirei suas pautas  no momento, pensou. 
Deteve-se ante um semforo em vermelho e martelou com impacincia os dedos sobre o volante-. Gostaria... mmm... explicar sobre a Nat. 
- Explicar que? 
- Que no somos... no fomos. Jamais -indicou com veemncia-. Entendido? 
- Para valer? -estava certa de que mais adiante riria, quando no tivesse tantas coisas na cabea. No obstante, no estava to preocupada para que no resitisse-. 
Por que no?  bonita,  divertida e  inteligente. Isso o agrada, Nightshade. 
- No  que no me agradasse... quero dizer, me passou pela mente. Comecei a... -amaldioou e arrancou quando o semforo mudou-. Era a irm de Boyd, sabe? Antes 
que me inteirasse, tambm foi como minha irm, assim no podia... pensar nela dessa maneira. 
- Por que se desculpa? -o olhou com curiosidade. 
- No o fao -respondeu furioso ao dar-se conta de que era exatamente o que fazia-. Explico. Ainda que s Deus sabe por que. Pensar o que quiser.
- De acordo. Penso que reage em demasia ante uma situao, de maneira tpica e predominantemente masculina -sorriu quando a olhou com vontade de mat-la-. No jogo 
isso na cara. No mais do que se Natalie e voc tivessem estado juntos. O passado  isso. Eu sei melhor do que ningum. 
- Suponho que sim -ps quarta e estendeu a mo para tomar a de Althea- Mas no estivemos juntos. 
- Vamos dizer que voc a perdeu.  fantstica. 
- E voc tambm. 
- Sim, eu tambm - sorriu. 
Colt estacionou numa zona de carga e descarga. Esperou enquanto Althea comunicava sua posio. 
- Pronta? 
- Sempre  estou -desceu do veculo-. Quero que seja algo ligeiro -lhe disse-. S umas perguntas posteriores ao caso. No temos nada contra ele. Nada. Se pressionarmos 
demais, perderemos nossa oportunidade. Se temos razo... 
- Temos razo. Pressinto. 
Tambm ela; assentiu. 
- Ento quero desmascar-lo. Por Liz. Por Wild Bill -e soube que por si mesma. Para ajudar a fechar a porta que esse caso tinha voltado a abrir. 
Juntos se dirigiram ao apartamento de Nieman. Antes de chamar, Althea  lanou a Colt um ltimo olhar de advertncia. 
- Sim, sim... soou a voz de Nieman do outro lado da porta-. De que se trata? 
- A tenente Grayson, senhor Nieman  levantou o distintivo na altura da mira-. Polcia de Denver. Precisamos uns minutos de seu tempo. 
O outro abriu com a corrente de segurana. Estudou aos dois. 
- No pode esperar? Estou ocupado. 
- Temo que no. No nos levar muito tempo, senhor Nieman.  simples rotina.
- Oh, muito bem -de mau humor, tirou a corrente-. Entrem, ento. 
Quando Althea entrou, notou as caixas no tapete. Muitas estavam com papis cortados em tiras. 
Resultou to delator como uma pistola fumegante. 
- Como podem ver, encontraram-me num mau momento. 
- Sim, vejo. Vai se mudar, senhor Nieman? 
- Acredita que ficaria aqui, trabalharia aqui, depois deste... escndalo? -ofendido, ajustou a gravata preta-. No. Polcia, jornalistas, inquilinos. No tive nem 
um momento de paz desde que isso comeou. 
- Estou convicto de que foi uma grande molstia para voc -afirmou Colt. Queria pr as mos nessa gravata. 
- Certamente. Bem, suponho que queiram sentar-se -indicou umas cadeiras-. Mas no posso dedicar-lhes muito tempo. Ficaro coisas pra guardar. No confio em transportadores-adiciono

u-. So desleixados, sempre quebram alguma coisa. 
- Teve muita experincia com mudanas? -inquiriu Althea enquanto pegava um bloco de notas e um lpis. 
- Naturalmente. Como j expliquei viajo muito. Desfruto de meu trabalho -sorriu-.  tedioso ficar muito tempo num lugar. Os proprietrios sempre precisam de um encarregado 
responsvel e com experincia. 
-No tenho nenhuma dvida -moveu o lpis sobre o bloco-. Os proprietrios deste edifcio... -adiantou umas folhas. 
- Johnston e Croy, S.A. 
- Sim -assentiu ao encontrar a anotao-. Ficaram muito inquietos ao inteirar-se das atividades que aconteciam na cobertura 
- No me estranha - levantou um pouco as calas e se sentou-.  uma empresa respeitvel. Com muito sucesso no Oeste e o Sudoeste. Supostamente, me culparam. Que 
outra coisa cabia esperar? 
- Por no ter conduzido uma entrevista pessoal com o arrendatrio? -instou Althea. 
- O objetivo final no negcio imobilirio, tenente,  receber os aluguis com pontualidade e uma estadia prolongada dos inquilinos. Eu proporcionava isso. 
- Tambm proporcionou o palco de um delito. 
- No pode me fazer responsvel da conduta de meus arrendatrios. 
Althea decidiu que era o momento de correr um risco calculado. 
- E voc jamais entrou na cobertura? Jamais o comprovou? 
- Por que teria de faz-lo? No tinha motivos para molestar o senhor Davis nem de entrar em sua casa. 
- Jamais entrou estando o senhor Davis presente?-inquiriu. 
- Acabo de manifestar que no. 
- E como explica suas impresses? -insistiu Althea, olhando suas anotaes. 
Algo piscou nos olhos de Nieman, mas se desvaneceu. 
- No sei a que se refere. 
Decidiu insistir um pouco mais. 
- Me perguntava que explicao daria se lhe perguntasse que suas impresses foram achadas no interior da cobertura... j que afirma que nunca entrou. 
- No vejo... -comeou, nervoso-. Oh, sim, agora me lembro. Uns dias antes... antes do incidente... disparou o alarme de incndios na cobertura.  Utilizei minha 
chave mestra para pesquisar quando ningum respondeu a meu telefonema.
- Teve um incndio? -perguntou Colt. 
- No, no, simplesmente um detector de fumaas defeituoso. Foi algo to insignificante, que esqueci. 
- Talvez tenha esquecido alguma outra coisa -comentou Althea com cortesia-. Talvez esqueceu de nos mencionar uma choupana, ao oeste de Boulder. Tambm  o encarregado 
daquela propriedade? 
- No sei de que me fala. A nica propriedade que levo  esta. 
- Ento utiliza a choupana para descansar -continuou Althea-. Com os senhores Donner, Kline e Scott. 
- Desconheo a existncia dessa choupana reps com rigidez, ainda que uma gota de suor tinha aparecido em seu lbio superior-. Tambm no conheo a pessoas com 
esses nomes. Agora tero que me dar licena. 
-O senhor Scott no pode receber visitas agora -informou Althea, sem levantar-se-. Mas podemos ir ver Kline e Donner. Isso poderia refrescar-lhe a memria. 
-No penso ir a nenhuma parte com vocs -Nieman se incorporou-. Respondi todas suas perguntas de um modo razovel e paciente. Se persistem neste comportamento hostil, 
me verei obrigado a chamar a meu advogado. 
- Por favor, faa-o -Althea assinalou o telefone- Pode reunir-se conosco na delegacia. Enquanto isso gostaria que nos dissesse onde esteve  noite do vinte e cinco 
de outubro. Talvez viria bem um libi. 
- Para que? 
- Por assassinato. 
- Isso  ridculo - pegou um leno do bolso exterior da jaqueta e secou o rosto-. No podem vir acusar-me desse modo. 
- No o acuso, senhor Nieman. Pergunto-lhe onde esteve o vinte e cinco de outubro, entre as nove e as onze da noite. Tambm pode informar a seu advogado de que vamos 
interrog-lo a respeito de uma mulher desaparecida conhecida como Lacy, e sobre o rapto de Elizabeth Cook, quem na atualidade se encontra sob proteo. Liz  uma 
jovem brilhante e observadora, verdade Nightshade? 
- Sim -pensou que Althea era assombrosa. Fazia que Nieman se desmoronasse s com insinuaes- Entre a declarao de Liz e os esquemas, o promotor dispor de um bom 
material. 
- Acredito que no mencionamos os desenhos ao senhor Nieman -Althea fechou o bloco de notas-. Nem o fato de que Kline e Donner foram submetidos ontem a um exaustivo 
interrogatrio. Supostamente, Scott segue em estado crtico de maneira que teremos que esperar sua colaborao. 
O rosto de Nieman ficou branco. 
- Mentem. Sou um homem respeitvel. Tenho credenciais - sua a voz vacilou-. No podem demonstrar nada se baseando na palavra de dois atores miserveis. 
- Creio que no mencionamos que Kline e Donner so atores, ou sim, Nightshade?
-No -poderia t-la beijado-. No o fizemos. 
- Deve ser adivinho, Nieman -afirmou ela-. Por que no vamos  delegacia e vemos que mais averiguamos? 
- Conheo meus direitos -os olhos do encarregado brilharam de fria ao notar que a armadilha se fechava-. No penso ir a nenhuma parte com vocs. 
- Terei que insistir -Althea se levantou-. Chame a seu advogado, Nieman, mas nos acompanhar para ser interrogado. Agora. 
- Nenhuma mulher vai dizer-me o que posso fazer -Nieman se lanou sobre ela e, ainda que Althea estivesse preparada, Colt se interps entre os dois e com uma mo 
o empurrou para o sof. 
- Agresso a uma agente da lei -exps com suavidade-. Creio que o prenderemos por esse crime. Dar tempo suficiente para conseguir uma ordem. 
- Mais do que suficiente -conveio ela, sacando as algemas. 
- Ah, tenente... -observou enquanto com eficcia juntava os pulsos magros de Nieman-. Jamais encontraram impresses l em cima, verdade? 
- Nunca disse isso - jogou o cabelo para trs-. Simplesmente perguntei que diria ele se lhe comunicasse que as tinham encontrado. 
- Me equivoquei -concluiu Colt-. Agrada-me seu estilo. 
- Obrigado -satisfeita, sorriu-. Pergunto-me que vamos encontrar nestas caixas.


Encontraram mais do que suficiente. Fitas, fotos inclusive um dirio detalhado escrito pelo prprio Nieman. Registrava todas suas atividades todos seus pensamentos, 
seu dio pelas mulheres. Descrevia como a mulher chamada Lacy tinha sido assassinada e seu corpo enterrado por trs da choupana 
Pela tarde tinham apresentado bastante provas contra ele e com certeza o manteria afastado da sociedade uma vida inteira. 
-  como um jarro de gua fria -comentou Colt ao seguir Althea ao seu escritrio onde ia redigir o relatrio-. Era to asqueroso, que nem sequer pude encontrar a 
energia para mat-lo. 
-  um homem de sorte -se sentou e ligou o computador-. Se serve de consolo, acredito que no mentia quando disse que no tocou Liz. Aposto que seu perfil psiquitrico 
o comprovar. Impotncia, acompanhada de fria contra as mulheres e tendncias ao voyer. 
- Sim, s gostava de olhar  a fria tinha evaporado. Althea tinha  razo a respeito de que no poderiam mudar o que j aconteceu.
- E ganhar muito dinheiro com seus gostos -adicionou ela-. Quando recrutou a o cmera e a dois atores miserveis, entrou no negcio de satisfazer a outros com seus 
gostos peculiares. H que reconhecer o mrito. Mantinha uns livros detalhados sobre suas atividades pornogrficas. Algo que  permitiu levar uma vida muito folgada. 
- Sentir falta dela na cadeia -apoiou as mos nos ombros de Althea-. Realizou um grande trabalho, Thea. Bom para valer. 
- Geralmente o fao  o estudou acima do ombro. S lhe ficava por decifrar o que fazer com Colt-. Escuta, Nightshade, quero pr em marcha esta burocracia, e depois 
preciso relaxar. De acordo? 
-Claro. Tenho conhecimento que esta noite h uma reunio na casa dos Fletcher. Gostaria de ir? 
- Com certeza. Por que no nos vemos l? 
- De acordo -se inclinou para apoiar os lbios no cabelo dela-. Te amo, Thea. 
Esperou at que se foi, fechando a porta por trs dele. Eu sei, pensou. Eu tambm te amo.
Foi ver Liz. Ajudou a oferecer para a jovem e a sua famlia uma espcie de resoluo do caso. Mas Colt j tinha adiantado. No entanto, percebeu que a jovem precisava 
ouvir dela. 
- Nunca poderemos pagar pelo que fez.- Marleen mantinha o brao ao redor dos ombros de Liz, como se no suportasse no a tocar-. No tenho palavras para dizer como 
estamos agradecidos. 
-Eu... -a ponto esteve de dizer que tinha cumprido com seu trabalho. Era a verdade, mas no toda-. Cuide dela -pediu. 
- Vamos passar bem mais tempo fazendo isso -Marleen apoiou a face contra a de sua filha-. Amanh voltamos para casa. 
- Iremos ver um conselheiro familiar -anunciou Liz-. E eu... entrarei num grupo de apoio a vtimas da violncia sexual. Estou um pouco assustada. 
-  normal. 
Liz olhou a sua me. 
- Mame, posso...? Gostaria de falar com a tenente Grayson um minuto, em particular. 
- Claro. Irei a cozinha ajudar seu pai quando com os sorvetes. 
- Obrigado -esperou at que sua me deixou o quarto-. Papai ainda no sabe como falar comigo sobre o que aconteceu.  muito duro para ele. 
- Ele a ama. D-lhe um tempo. 
- Chorou -os olhos de Liz se encheram de lgrimas-. Nunca antes tinha visto ele chorar. Pensava que estava ocupado demais com seu trabalho para importar-se. Fui 
uma estpida ao fugir -quanto soltou, respirou fundo-. Pensava que no me entendiam, nem que me queriam. Agora vejo o muito que os feri. Nunca voltar a ser exatamente 
igual, verdade? 
- No, Liz. Mas se voc os ajudar, pode ser melhor. 
- Isso espero. Ainda me sinto muito vazia por dentro. Como se uma parte de mim j no estivesse a. 
- A encher com outra coisa. No pode permitir que isto bloqueie seus sentimentos para outras pessoas. Pode voltar a ser forte, Liz, mas no sejas muito dura com 
voc mesma. 
-Colt disse... - fungou e pegou um leno de papel da caixa  que sua me tinha deixado sobre a mesa-. Disse que sempre que eu pensar que no posso conseguir, me lembrar 
de voc. 
- De mim? -a olhou surpresa. 
- Porque voc passou algo horrvel e o utilizou para ser uma pessoa digna. Por dentro e por fora. Que no apenas sobreviveu, mas tambm triunfou -sorriu com gesto 
trmulo-. E que eu tambm posso conseguir. Foi engraado ouvi-la falar dessa maneira. Suponho que goste muito de voc. 
- Eu tambm gosto muito dele -compreendeu que era verdade. No era uma fraqueza amar algum, no quando podia admir-lo e respeit-lo ao mesmo tempo. No quando 
via claramente quem era e que  a amava. 
- Colt  o melhor -afirmou Liz-. Sabe?, nunca a decepciona. Sem importar o que acontece. 
- Acho que sei. 
- Me perguntava... Sei que a terapia  importante, mas me perguntava se podia ligar para voc de vez em quando. Quando... quando duvide de minhas foras para consegu-lo. 
- Espero que o faa -se levantou e foi sentar-se junto  jovem. Abriu os braos-. Me chame quando se sentir mau. E quando se sentir bem. Todos precisamos de algum 
com quem dividir as coisas.
Quinze minutos mais tarde, Althea deixou os Cook com seus sorvetes e sua intimidade. Decidiu que tinha muitas coisas em que pensar. Sempre soube o que fazer de sua 
vida. Nesse momento em que tinha tomado um desvio sbito e drstico, precisava voltar a orientar-se. 
Mas Colt a esperava no vestbulo. 
- Oi, tenente levantou lhe o rosto e deu um beijo ligeiro. 
- Que faz aqui? Marleen comentou que j tinhas passado antes. 
- Fui dar uma volta com Frank. Precisava conversar. 
-  um bom amigo, Nightshade -lhe acariciou a bochecha. 
-  a nica classe de amigo que existe. Quer uma carona? 
- Tenho o carro -mas ao sair juntos, descobriu que j no queria meditar sozinha-. Que tal um passeio? 
- Claro -lhe passou um brao pelo ombro-. Pode ajudar-me a ver vitrines. Na prxima semana  o aniversrio de minha me. 
- No sou boa em escolher presentes para algum que no conheo -reps, sentindo que voltava a experimentar o ato reflito da resistncia. 
- Chegar a conhec-la -na esquina virou  esquerda, em direo a uma srie de lojas elegantes. 
- Essa roupa muito bonita -Althea assinalou uma vitrine  que um manequim usava uma malha azul com gola baixa-. Talvez ela goste do cachemir. 
- Talvez -assentiu-. Perfeito. Vamos compr-lo. 
- Est vendo? Esse  seu problema  se colocou em frente a ele com as  mos nos quadris-. No para para pensar , olha uma coisa e zs, j est. 
- Quando  o correto, por que continuar procurando? -sorriu e afastou uma mecha do cabelo-. Sei o que funciona para mim quando o vejo. Vamos lhe tomou a mo e a 
levou ao interior da loja-. A malha azul da vitrine -lhe disse  vendedora.- Voc tem no tamanho...? -no ar mediu com as mos.
- Mdio? -adivinhou a vendedora-. Certamente, senhor. Um momento. 
- No perguntou quanto custa -assinalou ela. 
- Quando algo  o perfeito, o preo  irrelevante -sorriu-. Vai manter-me a risca. Isso me agrada. Tenho tendncia a esquecer dos detalhes. 
- V achando -se afastou para olhar umas blusas de seda. 
 descuidado, recordou.  impulsivo e precipitado. Tudo o que ela no era. Althea preferia a ordem, a rotina, o clculo meticuloso. Devia estar louca se acreditava 
que podiam conviver. Girou a cabea e o observou enquanto esperava que a vendedora envolvesse a malha. Mas compreendeu que combinavam. Tudo nele encaixava como uma 
luva. Sua intrepidez. Esse olhar entre azul e verde que podia parar seu o corao. Sua fidelidade. 
Seu entendimento total e incondicional. 
- Algum problema? -perguntou Colt ao ver que o olhava. 
- No. 
- Quer um lao rosa ou azul, senhor? 
- Rosa -disse sem afastar a vista-. Vendem vestidos de noiva aqui? 
- Formais, no, senhor -os olhos da vendedora se iluminaram ante a perspectiva de uma nova venda-. Temos alguns vestidos e trajes elegantes de cocktail que seriam 
perfeitos para um casamento. 
- Tem de ser algo festivo -decidiu com humor nos olhos-. Para o reveillon. 
Althea ergueu os ombros e voltou para olh-lo. 
- Entenda isso, Nightshade. No penso em casar com voc no reveillon. 
- Tudo bem, eleja uma nova data. 
- Dia de Ao de Graas -respondeu, e teve o prazer de ver como ficava boquiaberto ao mesmo tempo em que deixava cair  caixa que a vendedora entregou. 
-O que? 
- Disse Ao de Graas. Aceite ou deixe  e se dirigiu para a sada. 
- Espera! Maldita seja! -foi atrs dela, depois de agachar-se para recolher a caixa. Alcanou ela j na rua abaixo-. Disse que se casaria comigo no dia de Ao de 
Graas? 
- Odeio ficar repetindo, Nightshade. Se no consegue ret-lo,  problema seu. E agora, se terminou com as compras, volto ao trabalho. 
- Espera um maldito minuto -exasperado ele passou a caixa por embaixo do brao, achatando o lao, deixando as mos livres para tom-la pelos ombros-. O que fez mudar 
de idia? 
- Sem dvida seu enfoque sutil -reps com tom seco. Deu-se conta de que estava desfrutando do momento-. E se no afastar as mos de mim, amigo, vou prender voc. 
- Vai casar comigo? -moveu a cabea como para ordenar os pensamentos. 
- Tem pssaros na cabea? -arqueou as sobrancelhas 
- No dia de Ao de Graas? Esse dia de Ao de Graas? Dentro de umas semanas? 
- Ficou com medo j? -comeou a dizer e descobriu que tinha a boca ocupada demais para articular mais palavras. Foi um beijo embriagante, cheio de promessas e jbilo-. 
Conhece o castigo por beijar  uma policial na rua? inquiriu quando pde falar outra vez 
- Me arriscarei. 
- Bem aproximou-se outra vez da boca dele-. Por isso vai receber um castigo, Nightshade. 
- Conto com isso -com cuidado a agastou para olh-la no rosto-. Por que em Ao de Graas?
- Porque gostaria de ter uma famlia com que celebr-lo. Cilla sempre faz questo de que me una a eles, mas no... no podia. 
- Por que? 
-  um interrogatrio ou um compromisso? -exigiu. 
- Ambas, mas  a ltima pergunta. Por que vai casar comigo? 
- Porque insistu at me esgotar. E porque senti pena de voc, j que parecia decidido. Alem do mais, amo voc, e me acostumei a voc, assim que... 
- Um momento. Repete. 
- Disse que me acostumei a voc. 
- Essa parte no -com um sorriso, deu-lhe um beijo na ponta do nariz-. A parte anterior. 
- A  que sentia pena de voc? 
-Mmm. Depois disso. 
- Oh,  parte que eu te amo. 
- Essa mesma. Repete. 
- De acordo -respirou fundo-. Te amo. Custa diz-lo desta maneira. 
- Vai se acostumar. 
- Creio que tem razo. 
- Aposto  que sim -riu e a achatou contra ele. 





EPILOGO 




- Acredito que preciso pensar outra vez. 
Althea se achava diante do espelho de corpo inteiro do quarto de Cilla, olhando-se. Com frieza, notou que dentro do espelho tinha uma mulher. Uma mulher plida com 
uma manta de cabelso vermelhos. Se via elegante com um esbelto traje de cor marfim, com botes diminutos de prolas que percorriam toda a extenso da jaqueta cingida. 
Mas tinha os olhos grandes demais, abertos e temerosos. 
- No acredito que isso v funcionar. 
- Est fabulosa assegurou Deborah-. Perfeita. 
- No falava do vestido  levou uma mo ao estmago-. Falo do casamento. 
- No comece Cilla falou, ajeitando a jaqueta de seda-. Est nervosa.
- Claro que estou nervosa na falta de algo melhor do que fazer, levantou uma mo para assegurar-se de que tinha bem postos os brincos de prolas. Tinha sido presente 
da me de Colt, e sentiu uma grande calidez ante a recordao. Tinha-lhe dito que tinha que os passar na famlia, tal como tinha feito a av de Colt com ela. 
Logo tinha chorado um pouco e beijado a face de Althea, dando-lhe as boas vindas  famlia. 
Famlia, pensou com uma nova onda de pnico. O que sei eu sobre a famlia?
- Vou comprometer-me de por toda a vida com um homem que conheo faz umas semanas -  sussurrou  mulher do espelho. 
- O ama, no? -perguntou Deborah. 
-E isso que tem haver? 
Rindo, Deborah tomou a mo inquieta de Althea. 
- Tudo. Eu tambm mal conhecia a Gage. Mas o amava, e o sabia. Vi o modo como olha Colt, Thea. Voc tambm  sabe. 
- Advogadas -se queixou Althea a Cilla-. Sempre do a volta nas coisas. 
-  boa, verdade? -o orgulho invadiu a Cilla ao abraar a sua irm-. A melhor promotora do oeste do Mississipi. 
- Quando tem razo-reps Deborah com um sorriso-. E agora, vamos dar uma olhada na madrinha -virou a cabea para observar a sua irm-. Est maravilhosa, Cilla. 
- E voc -Cilla lhe passou uma mo pelo cabelo escuro-. O casamento e a maternidade fizeram bem. 
- Se querem acabar com a hora de admirao mtua, estou a ponto de sofrer um ataque de nervos -Althea se sentou na cama e fechou os olhos-. Tenho vontade de escapar 
pelos fundos. 
- Colt alcanaria voc indicou Cilla. 
- No se tivesse uma boa vantagem. Talvez se -um telefonema  porta a interrompeu-. Se  Nigthshade, no vou falar com ele. 
- Claro que no- conveio Deborah-. Traz m sorte abriu a porta para ver seu marido e a sua filha. Enquanto lhe sorria Gage pensou que isso que era uma boa sorte. 
A melhor de todas. 
- Lamento interromper, mas tem algumas pessoas nervosas l em baixo. 
- Se os meninos tocaram a torta -comeou Cilla 
- Boyd a salvou assegurou Gage. Com o beb sob um brao, passo o outro em torno dos ombros de sua mulher-. Colt est gastando os tapetes. 
- Assim que dominar meus nervos disse Althea-. Mas ele tem razo. Olhe em que nos meteu. Como gostaria se ser uma mosca sobre a parede. 
Gage sorriu e piscou um olho para Deborah. 
- Tem suas vantagens  fez uma careta quando a pequena se agitou. 
- Me d, Gage Deborah tomou Adriana em seus braos-. Voc ajuda  Boyd a acalmar o noivo. J estamos terminando. 
- Quem disse? Althea retorceu as mos. 
Cilla empurrou Gage e fechou a porta. Era hora comear a agir. 
- Covarde  sussurrou. 
- Aguarde um momento. 
- Voc tem medo de descer e estabelecer um compromisso pblico com o homem que ama. Isso  pattico. 
Enquanto acalmava sua filha, Deborah captou as intenes de sua irm e se entrou no jogo. 
- Vamos, Cilla, no seja to dura. Se mudou de idia... 
- No mudou. Simplesmente no se decidiu. E Colt faz tudo o que est a seu alcance para satisfaze-la. Vendeu seu rancho e comprou terras aqui em Denver. 
- Isso no  justo -Althea ficou de p. 
- Certamente -Deborah se ps do lado de Althea e mordeu os lbios para no sorrir-. Pensava que seria um pouco mais compreensiva, Cilla. Trata-se de uma deciso 
importante. 
- Ento deveria tom-la em vez de esconder-se como uma virgem medieval a ponto de ser sacrificada. 
Althea ergueu o queixo. 
- No me escondo. Deb, v pedir que comece a maldita msica. Deso em seguida. 
- Muito bem, Thea. Se est segura - pegou seu brao, piscou um olho para  sua irm e abandonou o quarto a toda velocidade. 
- Bem, vamos -Althea se dirigiu para a porta-. Comecemos de uma vez. 
- Perfeito -Cilla passou a seu lado e baixou os degraus. 
Althea tinha chego quase ao patamar quando se deu conta de que a tinham enganado. As duas irms tinham representado o papel de polcia m e boa como profissionais.
Sentiu um n no estmago ao ver flores por todas partes. Soava uma msica suave e romntica. Viu a me de Colt apoiada em seu marido, com um sorriso valoroso nos 
lbios enquanto caam algumas lgrimas de felicidade. Viu Natalie reluzente e secando os olhos. Deborah, com as pestanas midas, acalentava Adrianna. 
Ali estava Boyd, tomando a mo de Cilla para dar-lhe um beijo na bochecha molhada antes de olhar  Althea a fim de lhe oferecer nimos com uma piscada. 
Althea se deteve em seco. Deduziu que se pessoas chorava nos casamentos, tinha que ter um bom motivo para isso. 
Ento olhou para a lareira e s viu Colt.
E ele s viu a Althea. 
Os joelhos dela fraquejaram. Foi para ele, com uma nica rosa branca e todo seu corao. 
- Me alegro de v-la, tenente -murmurou ao tomar-lhe a mo. 
- Eu tambm me alegro de v-lo, Nightshade -sentiu o calor do fogo que resplandecia a seu lado, o calor que emanava dele. Sorriu quando Colt lhe beijou a mo. 
- Feliz dia de Ao de Graas. 
- O mesmo digo eu -talvez no soubesse muito sobre uma famlia, mas aprenderia. Os dois aprenderiam-. Te amo muito. 
- O mesmo digo eu. Acredita? 
- Agora sim. 
Enquanto as chamas crepitavan, olharam-se e pensaram na vida que levariam juntos.

FIM


Traduzido e Revisado por
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